Lula e ministros de boné reforçam soberania do Brasil e criticam Trump e conflito em Gaza em reunião ministerial
Presidente orienta equipe a agir em igualdade de condições no cenário internacional e projeta agenda econômica e social até 2026
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu, na manhã desta terça-feira (26), no Palácio do Planalto, os 38 ministros de seu governo para discutir a execução de ações prioritárias. Transmitida em tempo real no seu perfil oficial do Instagram, a reunião marcou posicionamentos firmes do petista sobre a guerra em Gaza, a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o papel do Brasil em negociações internacionais com a sobretaxa imposta de 50%. Lula e seus ministros surgiram usando bonés, reforçando uma imagem de proximidade e descontração. Com informações da Agência Brasil.
“Não estamos dispostos a sermos tratados como subalternos. Temos a constituição, uma legislação, quem quiser entrar no nosso espaço, tem que prestar contas à nossa Constituição e à nossa legislação”, disse Lula, destacando que o país é soberano e possui legislação própria que deve ser respeitada.
O presidente ainda reforçou a importância da equipe ministerial na condução de negociações em pé de igualdade diante do tarifaço de Trump. “Esse homem aqui [Alckmin], aquele homem ali que é o Haddad, aquele ali que é o Mauro Vieira, estão 24 horas por dia à disposição de negociar com quem quer que seja o assunto que for, sobretudo na questão comercial. Estamos dispostos a sentar na mesa em igualdade de condições. O que não estamos dispostos é sermos tratados como se fôssemos subalternos. Isso nós não aceitamos de ninguém”, disse.
Críticas a Trump e big techs
Lula voltou a criticar Donald Trump por medidas econômicas que, segundo ele, ameaçam o comércio global.
“Tem agido como se fosse o imperador do planeta terra. É uma coisa descabida, mas ele continua fazendo ameaças ao mundo inteiro”, afirmou.
O presidente também abordou o tema das grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs, ressaltando que o Brasil possui soberania para regular o setor. Lula pretende enviar ao Congresso Nacional um projeto de Lei para regulamentar essas empresas no país.
Além disso, o petista criticou a suspensão do visto do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, pelos EUA, chamando a medida de “gesto irresponsável”.
Conflitos internacionais: Gaza e Ucrânia
Lula denunciou o que considera um genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza. “Temos a continuidade do genocídio na Faixa de Gaza, que não para, todo o dia mais gente morre”, declarou, citando a morte de crianças em consequência do conflito.
O presidente também comentou a guerra entre Ucrânia e Rússia, afirmando que o conflito está próximo do fim e que os principais atores, incluindo EUA e União Europeia, buscam definir quem arcará com os custos da guerra. “Eu acho que tanto o presidente Putin e quanto o presidente Zelensky já sabem o limite de onde vai essa guerra, a Europa já sabe o limite, Trump já sabe o limite. Então eu acho que estão apenas aguardando o momento que eles tenham coragem de anunciar o fim dessa guerra. Na verdade, eu acho que preocupação maior é quem vai ficar com a dívida da guerra”, afirmou.
Críticas a Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro
O presidente também criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente se encontra nos EUA articulando medidas para influenciar o julgamento do pai no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe.
“O que está acontecendo hoje no Brasil com a família do ex-presidente e com o comportamento do filho dele nos EUA é, possivelmente, uma das maiores traições que uma pátria sofre de filhos seus”, disse Lula.
“Não conheço na história desse país algum momento em que um traidor da pátria teve a desfaçatez de mudar para o país, que ele está adotando como pátria, negando a sua pátria e tentando insuflar o ódio de alguns governantes americanos contra o povo brasileiro”, completou.
O presidente ainda orientou os ministros a reforçarem publicamente a defesa da soberania do país. “Se a gente gostasse de imperador, a gente não tinha acabado com o Império”, afirmou.
Equipe de ministros
Atualmente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com uma equipe composta por 38 ministros, que atuam em diferentes áreas estratégicas do governo, entre eles o ex-governador baiano, Rui Costa, que comanda a Casa Civil. O objetivo é implementar projetos e políticas até o final do mandato, em 2026, quando Lula tentará um quarto mandato inédito.
Entre as prioridades do governo estão a aprovação pelo Congresso Nacional do projeto que isenta do Imposto de Renda quem recebe até R$ 5 mil mensais, além do avanço das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O governo também monitora os impactos do chamado tarifaço americano sobre a entrada de produtos brasileiros nos EUA e adota medidas para mitigar prejuízos ao comércio nacional.
Em paralelo, Lula e seus ministros intensificaram a busca por novos mercados internacionais, diante das dificuldades de negociação com o governo americano. A reunião desta terça-feira marcou o segundo encontro ministerial de 2025, convocado a pouco mais de um ano da corrida presidencial de 2026. A primeira reunião ocorreu em janeiro, quando o presidente alertou a equipe de que, para a oposição, a campanha eleitoral já havia começado.
Atualmente, Lula mantém vantagem nas pesquisas de intenção de voto e vem recuperando popularidade após queda registrada no início de 2025, principalmente na Bahia e em Pernambuco, reforçando a confiança do governo em sua estratégia política e econômica para o próximo ano.
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