Entre vaias e aplausos, Lula diz que governo atende prefeitos sem olhar filiação partidária
Evento reuniu cerca de 12 mil representantes municipais, incluindo prefeitos, vice-prefeitos e secretários de todo o país
Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi alvo de vaias e aplausos, nesta terça-feira (20), ao participar da 26ª edição da Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. O evento, promovido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), reuniu cerca de 12 mil representantes municipais, incluindo prefeitos, vice-prefeitos e secretários de todo o país.
Ao subir ao palco para cumprimentar autoridades, Lula manteve a postura sorridente, mesmo diante das manifestações contrárias. O público, composto majoritariamente por gestores municipais, dividiu-se entre vaias e manifestações de apoio ao presidente durante sua entrada no evento, que ocorreu em Brasília.
Chamado a discursar, Lula voltou a enfrentar reações mistas da plateia. Em sua fala, o presidente defendeu o fortalecimento do diálogo político e criticou o uso excessivo do Judiciário para tratar de questões que, segundo ele, poderiam ser resolvidas por meio de negociação entre os entes federativos.
“Queria fazer um apelo aos deputados, senadores, prefeitos e ao governo federal. É possível que a gente aprenda que os problemas que nós temos sejam resolvidos numa mesa de negociação e não no Judiciário”, afirmou Lula.
Presidente propõe crédito para reforma habitacional
Durante o discurso, o presidente anunciou ainda a criação de um programa de crédito habitacional voltado à reforma de moradias. Segundo ele, a iniciativa atenderá famílias que desejam ampliar ou melhorar suas casas, com acesso a juros reduzidos.
“Vamos anunciar uma política de crédito para reforma de casa. O cidadão vai ter o direito de ir ao banco e pegar dinheiro emprestado, com juro mais barato. A gente vai fazer esse programa porque a gente acha que é uma necessidade. No Brasil tem 4 milhões de casas que não têm banheiro”, disse.
Em outro momento da fala, Lula reforçou que o governo federal atende prefeitos e governadores sem considerar suas filiações partidárias.
“Eu duvido que tenha um prefeito, de qualquer partido político, que um dia possa dizer que ele não foi atendido no governo por causa da sua filiação partidária”, iniciou.
“Porque eu, quando vou atender um prefeito, um governador, eu não estou atendendo um representante de um partido, eu estou atendendo a uma pessoa que foi democraticamente eleita para representar os interesses do povo da cidade ou do estado”, seguiu o presidente.
A recepção polarizada ao presidente repete o que ocorreu na edição anterior do evento, em 2023, quando Lula também foi alvo de críticas e elogios por parte dos gestores municipais presentes à Marcha dos Prefeitos.
CNM critica STF por mudanças nas emendas
Além do presidente, o evento contou com a participação de parlamentares e líderes de entidades. Um dos destaques da programação foi o discurso do presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, que fez críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal (STF) por mudanças nas regras de repasse de emendas parlamentares.
Ziulkoski reclamou que a decisão do STF limitou a forma como os deputados podem executar emendas e repassar recursos aos municípios.
“Agora com a nova lei, que foi a decisão do Supremo, que nós vamos discutir de tarde, que é a questão das emendas, o deputado não pode ser escravo porque ele prometeu e não chega lá [o recurso], mas não chega porque agora ele vai ter que apresentar o projeto, ele vai ter que discutir […], limita tudo”, afirmou.
Em resposta, Lula classificou a fala do dirigente como “inflamada” e reforçou a importância de esgotar o diálogo político antes de recorrer ao Judiciário.
“É importante que a gente tenha claro que as coisas só podem ir por Judiciário quando a nossa capacidade política for exaurida”, declarou o presidente.
O chefe do Executivo concluiu defendendo o fortalecimento das negociações diretas entre os entes federativos e criticando a centralização de decisões.
“Nem sempre as soluções emanadas de cima para baixo resultam numa coisa que pode favorecer o prefeito ou o governo federal, ou os governos estaduais”, disse.
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