Supremo cobra parecer da PGR sobre prisão de Jair Bolsonaro após ato no Rio

Despacho foi enviado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 03/04/2025 18:58 • Política
Supremo cobra parecer da PGR sobre prisão de Jair Bolsonaro após ato no Rio - Valter Campanato/Agência Brasil
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, solicitou, nesta quarta-feira (2), que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, analise um pedido de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposta obstrução de justiça. Moraes estabeleceu um prazo de cinco dias para a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não recebeu resposta.

O pedido de análise da PGR é um procedimento padrão do STF antes de uma decisão sobre prisões. Nesses casos, o ministro solicita um parecer do Ministério Público Federal para embasar a rejeição da solicitação ou viabilizar a eventual detenção do investigado. A defesa de Bolsonaro ainda não se pronunciou.

A notícia-crime foi feita pela vereadora do Recife Liana Cristina (PT) e por Victor Fialho Pedrosa, servidor de seu gabinete. Eles alegam que Bolsonaro cometeu os crimes de obstrução de justiça, organização criminosa e incitação ao crime ao convocar apoiadores para um ato realizado na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no dia 16 de março.

Argumentos

Os autores do pedido afirmam que o ex-presidente praticou “tentativa inconteste de delito de obstrução da justiça e incitação a novos atos que comprometam a ordem pública“. Eles também citam declarações de Bolsonaro, que chamou os condenados pelos atos de 8 de janeiro de “reféns”.

A continuidade de suas ações por meio da convocação de novas manifestações em prol da anistia dos envolvidos demonstra não apenas ausência de arrependimento, mas a intenção de manter a agenda golpista ativa, em notória continuidade delitiva“, diz o pedido de prisão preventiva.

Além da detenção, a petição solicita a imposição de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e comparecimento periódico à Justiça.

STF torna Bolsonaro réu

Em outra frente, na última quarta-feira (26), a Primeira Turma do STF tornou réus, por unanimidade, Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado. O relator Alexandre de Moraes foi acompanhado por quatro ministros no recebimento da denúncia da PGR.

Com a decisão, o ex-presidente responderá a um processo penal por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União. As penas podem chegar a 43 anos de prisão.

Além de Bolsonaro, foram tornados réus Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa e Casa Civil), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI), Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-diretor da Abin), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha) e Mauro Cid (ex-ajudante de ordens). Outros nomes ainda podem ser denunciados nas próximas semanas.

Barroso defende julgamento de Bolsonaro ainda em 2025

presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, defendeu, na última sexta-feira (28), que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ocorra ainda neste ano. A declaração foi feita após o STF aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), tornando Bolsonaro réu por suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado. As informações são da Agência Brasil.

Barroso afirmou que a definição do prazo dependerá do andamento das provas e do devido processo legal. “Tenho dificuldade de prever (o tempo do julgamento) porque recebida a denúncia, será requerida as provas. Idealmente, se for compatível com o devido processo legal, seria bom julgar este ano para evitar o ano eleitoral. Mas o devido processo legal vem à frente”, afirmou.

Críticas às penas do 8 de janeiro

Também na sexta, Barroso rebateu as críticas às penas aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A suspensão do julgamento da cabeleireira Débora Rodrigues, acusada de escrever “Perdeu, mané”, na estátua ‘A Justiça’ do STF, reacendeu debates sobre as penas aplicadas aos condenados. O presidente da Corte justificou o tempo das sentenças, destacando a gravidade dos atos praticados.

Acho que as penas ficaram elevadas pelos números de crimes praticados (…) nós fomos da indignação à pena, mas a não punição deste episódio pode parecer que quem não estiver satisfeito na próxima eleição pode pregar a derrubada do governo e invadir prédios públicos. Não é bom para a democracia este tipo de visão, a punição parece inevitável. Se mais adiante vai comutar pena é outra discussão”, afirmou.

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