Carnaval exige cuidados: consumo exagerado de álcool favorece surgimento de falhas renais
Especialista alerta para desidratação, rabdomiólise e sinais que exigem atendimento médico imediato
No Carnaval de Salvador, o trio elétrico puxa a multidão sob temperaturas que frequentemente superam os 30 graus. Nesse cenário, o consumo de álcool em excesso torna-se um dos principais vilões da saúde pública. A combinação de calor intenso e substâncias tóxicas coloca os rins em modo de alerta máximo.
Segundo a médica nefrologista baiana Manuela Lordelo, a função renal é severamente prejudicada quando o folião ignora a necessidade de reposição hídrica adequada. Os rins são responsáveis por filtrar toxinas do sangue e manter o equilíbrio eletrolítico do corpo. O risco é ainda maior para quem já possui condições crônicas, como hipertensão e diabetes, que podem sofrer descompensações graves durante os dias de festa.
“A desidratação típica da folia reduz o volume de sangue que chega aos órgãos, prejudicando a filtração. Somado a isso, o álcool tem efeito diurético e tóxico, aumentando a perda de líquidos e sais minerais. Esse cenário favorece quadros como falha renal aguda e a formação de cálculos”, explica a especialista.
Rabdomiólise: o perigo do esforço físico extremo
Além da toxicidade direta das bebidas, a nefrologista faz um alerta para uma condição grave e pouco conhecida pelo público geral: a rabdomiólise. Essa síndrome ocorre quando há um desgaste muscular extremo, comum em pessoas que passam muitas horas dançando ou caminhando nos circuitos sem o devido preparo físico ou descanso. A lesão das fibras musculares libera uma proteína chamada mioglobina na corrente sanguínea, que é altamente tóxica para os rins.

“O esforço físico prolongado, principalmente em quem não está habituado, pode levar à rabdomiólise. As substâncias liberadas pelos músculos lesionados sobrecarregam os filtros renais, podendo causar insuficiência renal aguda em poucas horas”, detalha Manuela Lordelo.
O perigo é potencializado pelo fato de o álcool mascarar a dor muscular e o cansaço, fazendo com que o folião ignore os sinais de exaustão do próprio corpo, retardando a busca por auxílio médico especializado.
Sinais de alerta e estratégias de prevenção
É comum que pacientes procurem atendimento médico no período pós-Carnaval com sinais claros de lesão renal. Os sintomas iniciais podem ser sutis, mas devem ser observados com rigor. Urina com coloração muito escura (semelhante a chá ou refrigerante de cola), dor muscular desproporcional ao esforço realizado, inchaço nas pernas e diminuição significativa do volume urinário são indicativos de que os rins estão em sofrimento.
Para garantir que a diversão não termine em uma unidade de terapia intensiva, a recomendação médica é direta: a hidratação deve ser constante e prioritária. O ideal é intercalar cada dose de bebida alcoólica com pelo menos dois copos de água mineral. Além disso, é fundamental buscar sombras, utilizar roupas leves e não negligenciar a alimentação, optando por itens de fácil digestão que ajudem na reposição de eletrólitos.
Papel da conscientização na saúde coletiva
A conscientização dos foliões é a ferramenta mais eficaz para reduzir a pressão sobre o sistema de saúde durante o Carnaval de Salvador. O uso de bebidas destiladas em jejum e a exposição prolongada ao sol sem proteção são comportamentos que elevam exponencialmente as chances de complicações renais. Respeitar os limites do corpo não é apenas uma questão de bem-estar, mas de sobrevivência em um ambiente de alto estresse fisiológico como são os circuitos Dodô e Osmar.
“O Carnaval deve ser celebrado com alegria, mas com responsabilidade. A saúde renal é silenciosa, e muitas vezes só percebemos o problema quando o dano já está avançado”, conclui Manuela Lordelo.
Ao primeiro sinal de anormalidade, o folião deve procurar os postos de saúde montados ao longo dos circuitos, onde equipes de prontidão podem realizar a hidratação venosa e os exames laboratoriais necessários para evitar que uma falha aguda se torne uma condição crônica permanente.
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