Lula conversa com Trump por telefone sobre crise na Venezuela e agenda visita a Washington
Presidentes trataram de agenda global, economia, segurança internacional e cooperação bilateral durante ligação de 50 minutos
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, nesta segunda-feira (26), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um diálogo que durou cerca de 50 minutos, segundo informou o Palácio do Planalto. Na pauta, estiveram a situação política e humanitária da Venezuela, o cenário internacional, temas econômicos, cooperação bilateral e a possibilidade de uma visita oficial de Lula a Washington, que foi acordada para ocorrer após compromissos do presidente brasileiro na Índia e na Coreia do Sul, em fevereiro.
“No curso da conversa, Lula e Trump trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano”, diz a nota divulgada pelo governo brasileiro.
Conversei hoje ao telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Abordamos temas relacionados à relação bilateral e à agenda global. Trocamos informações sobre indicadores econômicos dos dois países, que apontam boas perspectivas para as duas economias. O presidente…
— Lula (@LulaOficial) January 26, 2026
Contexto da crise na Venezuela e posicionamento do Brasil no cenário internacional
De acordo com a nota divulgada pelo governo brasileiro, os dois presidentes “trocaram impressões sobre a situação na Venezuela”, e Lula destacou a importância de preservar a paz, a estabilidade regional e o bem-estar da população venezuelana. Esta foi a primeira conversa direta entre Lula e Trump desde a operação militar liderada pelos Estados Unidos que resultou na retirada de Nicolás Maduro do poder e em sua detenção em território americano, no início deste mês.
A ligação ocorre em meio a um ambiente de instabilidade diplomática na América Latina, após Lula ter feito declarações públicas condenando a ação militar. Na última sexta-feira (23), o presidente brasileiro classificou o episódio como uma “falta de respeito”, afirmou que a região “não vai abaixar a cabeça para ninguém” e alertou que o mundo atravessa um momento “muito crítico”, com a Carta das Nações Unidas sendo “rasgada” e o predomínio da chamada “lei do mais forte” nas relações internacionais.
Venezuela, ONU e o debate sobre governança global
Durante a conversa, Lula voltou a defender a necessidade de uma reforma ampla da Organização das Nações Unidas (ONU), com ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança, bandeira histórica da política externa brasileira desde o início de seu primeiro mandato, em 2003.
A expectativa no entorno do Planalto é que o presidente utilize o atual contexto internacional para reforçar o protagonismo do Brasil em fóruns multilaterais e sustentar o argumento de que a estrutura atual da ONU não reflete mais o equilíbrio geopolítico global.
Segundo o comunicado oficial, Lula ressaltou a Trump que a estabilidade da Venezuela é fundamental para a segurança regional, defendendo uma abordagem que priorize a paz e soluções políticas duradouras. O tema ganhou centralidade no diálogo por envolver diretamente a América do Sul e por seus impactos humanitários, migratórios e diplomáticos.
Conselho da Paz proposto por Trump entra na pauta
Outro ponto relevante da conversa foi o convite feito pelos Estados Unidos para que o Brasil integre o Conselho da Paz, iniciativa anunciada por Trump. Lula, no entanto, não confirmou a adesão brasileira. Segundo o Planalto, o presidente propôs que o órgão se limite à questão humanitária e à situação da Faixa de Gaza, além de prever um assento para a Palestina nos debates.
Fontes da diplomacia indicam que o Brasil não tem pressa em responder ao convite e avalia enviar, antes, pedidos de esclarecimentos técnicos, sobretudo sobre brechas jurídicas e o formato institucional do conselho. A percepção no Itamaraty é de que o país não deve aderir automaticamente a um estatuto unilateral elaborado por Washington, especialmente a um conselho que já nasça sob presidência fixa dos Estados Unidos e com apoio explícito de apenas um dos lados de conflitos em curso.
Para o governo brasileiro, essas características geram preocupação e reforçam a defesa de que qualquer iniciativa de paz deve estar alinhada ao multilateralismo e às estruturas consolidadas da ONU.
Economia, tarifas e cooperação no combate ao crime
Além dos temas diplomáticos, Lula e Trump também discutiram indicadores econômicos dos dois países. Segundo o Planalto, ambos avaliaram que há boas perspectivas para as economias brasileira e norte-americana, e Trump afirmou que o crescimento de Brasil e Estados Unidos é positivo para toda a região das Américas.
Os presidentes destacaram ainda o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou na retirada de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. O gesto foi apontado como um fator relevante para o fortalecimento do comércio bilateral.
Lula também manifestou interesse em ampliar a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado, com foco na repressão à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas, no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. De acordo com o governo brasileiro, a proposta foi bem recebida por Trump.
Visita a Washington será definida após agendas na Ásia
Ao final da ligação, Lula e Trump acordaram a realização de uma visita do presidente brasileiro a Washington, que ocorrerá após as viagens de Lula à Índia e à Coreia do Sul, em fevereiro. A data ainda não foi confirmada, mas, segundo o Planalto, deverá ser definida em breve pelos dois governos.
Em nota oficial, Lula afirmou que a conversa abordou a relação bilateral e a agenda global, reiterou a defesa de uma reforma abrangente da ONU, detalhou os pontos da cooperação contra o crime organizado e destacou novamente a necessidade de preservar a paz e a estabilidade na Venezuela.
A ligação marca um novo momento de articulação direta entre Brasília e Washington em meio a um cenário internacional tensionado, no qual o Brasil busca equilibrar diálogo diplomático, defesa do multilateralismo e interesses estratégicos regionais.
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