União Europeia aprova acordo com Mercosul após 25 anos e cria maior zona de livre comércio do mundo
Tratado histórico amplia integração econômica entre Europa e América do Sul e fortalece posição do Brasil no comércio global
Mercosul/UE
Em um movimento que redefine a geopolítica comercial do século XXI, a União Europeia (UE) aprovou, oficialmente, nesta sexta-feira (9), o acordo de livre comércio com o Mercosul. A decisão encerra um ciclo de mais de 25 anos de negociações diplomáticas, iniciadas em 1999, e abre caminho para a consolidação de um mercado integrado que abrange cerca de 780 milhões de pessoas nos dois continentes.
Para o Brasil, a ratificação representa uma vitória para o agronegócio e a indústria, ao permitir o acesso direto a um bloco de 451 milhões de consumidores com alto poder aquisitivo.
Rito de aprovação e queda do veto francês
A reunião de embaixadores realizada em Bruxelas foi o palco decisivo para destravar o tratado. Para que o texto avançasse, o sistema de votação exigia uma “maioria qualificada”: o apoio de pelo menos 15 dos 27 Estados-membros, que juntos somassem 65% da população do bloco. A Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen, conseguiu articular essa maioria mesmo diante da oposição frontal de potências agrícolas.
A França, principal antagonista do acordo, liderou a resistência até o último minuto. O presidente Emmanuel Macron reiterou que os benefícios econômicos seriam limitados para o crescimento francês e expressou temores de que os padrões ambientais e sanitários europeus fossem comprometidos.
A Irlanda, acompanhada por Hungria e Polônia, também se juntou ao coro dissidente na véspera da votação.
“Não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado”, enfatizou Simon Harris, primeiro-ministro irlandês.
Apesar desse bloco opositor, o peso de nações como Alemanha e Espanha, favoráveis ao livre comércio, foi determinante para o êxito da votação.
Impactos econômicos: o que muda para Brasil e Mercosul
A criação desta zona de livre comércio prevê a eliminação progressiva de tarifas de importação em diversos setores estratégicos. No lado europeu, produtos como automóveis, vinhos, chocolates e maquinários industriais terão acesso facilitado aos mercados da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Para o Mercosul, os ganhos são expressivos no setor primário e industrial:
- Carne Bovina e Agronegócio: Acordo estabelece cotas para a entrada de carne, açúcar e etanol no mercado europeu com tarifas reduzidas ou nulas, impulsionando as exportações sul-americanas.
- Indústria Brasileira: Setores de manufatura e transformação veem no tratado uma oportunidade de importar tecnologia europeia a custos menores e integrar cadeias globais de valor.
- Segurança Jurídica: Texto inclui cláusulas de proteção de indicações geográficas e normas ambientais rigorosas, visando acalmar os críticos que temem o impacto do agronegócio sobre biomas como a Amazônia.
O contexto geopolítico também acelerou a aprovação. Com a postura protecionista e as relações transatlânticas tensas sob o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a União Europeia buscou no Mercosul uma forma de diversificar seus fornecedores e parceiros estratégicos, diminuindo a dependência de mercados voláteis.
Próximos passos: assinatura no Paraguai
Com o aval técnico e político de Bruxelas, o cronograma para a oficialização do tratado é imediato. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaja para o Paraguai na próxima segunda-feira (12). Na ocasião, ela se reunirá com os chefes de Estado dos países do Mercosul para a assinatura solene do documento.
Este evento no Paraguai é o ápice de um esforço diplomático que atravessou diferentes gerações de líderes e crises econômicas globais. Embora a assinatura seja um passo gigante, o acordo ainda passará por processos de implementação gradual e monitoramento das cláusulas de salvaguarda, destinadas a proteger setores sensíveis em ambos os lados — especialmente os agricultores europeus que seguem prometendo protestos contra a entrada competitiva de produtos sul-americanos.
A aprovação desta sexta-feira marca o início de uma nova era para o comércio exterior brasileiro, colocando o país no centro da maior área de livre comércio do planeta e forçando a indústria nacional a um novo patamar de competitividade e conformidade com padrões internacionais.
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