ACM Neto afirma que aliança verdadeira é com a população e critica chapa ‘puro sangue’ do PT na Bahia
Para ex-prefeito, eleições não se decidem pela soma de caciques, mas pela leitura do sentimento popular
Divulgação
O vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, elevou o tom ao comentar os movimentos do PT na Bahia para 2026. Em entrevista à Rádio Boa FM, de Itabuna, no programa Frequência News, o político reforçou que sua prioridade estratégica permanece fora dos gabinetes e dentro das ruas, junto à população baiana. Questionado pelo apresentador Binho Shalom, Neto afirmou que a possível composição petista com Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner não altera sua diretriz de campanha. “Minha aliança é com o povo da Bahia,” declarou, resgatando episódios eleitorais em que, segundo ele, venceu mesmo diante de adversários com maior estrutura partidária e apoio institucional.
Construção de uma narrativa com o povo da Bahia no centro
Ao longo da conversa, ACM Neto insistiu na tese de que eleições não se decidem pela soma de caciques, mas pela leitura do sentimento popular. O ex-prefeito de Salvador disse que sua estratégia tem um único vetor: estar junto das pessoas que vivem a rotina real do estado. “Foi assim que em 2012 eu ganhei a Prefeitura de Salvador,” relembrou, recordando que, à época, disputou sem bancada municipal expressiva, sem apoio do governo estadual ou federal e enfrentando resistência de nomes de peso da política nacional.
“Eu não tinha um vereador de mandato no meu partido. O governador era contra mim, a presidente era contra mim, o ex-presidente era contra mim. Era todo mundo. Só que eu tinha ao meu lado quem realmente decidia, que era o povo,” afirmou.
Neto destacou que alianças amplas podem até gerar manchetes, mas não substituem a voz das urnas. Para ele, quando há insatisfação consolidada, acordos políticos não se traduzem automaticamente em votos.
“Quando o povo quer mudar, faz a sua escolha, vai pra urna de maneira independente, escolhe o seu governador e ponto final,” disse, reforçando que campanhas vitoriosas se sustentam na rua, no corpo a corpo e na linguagem franca.
O dirigente do União Brasil também utilizou expressões de contraste para marcar posição. Ao mencionar o bloco de poder petista no estado, disse que, independentemente de como se apresentem os adversários, a campanha do seu grupo seguirá no chão, falando diretamente ao eleitor.
“Eles podem vir de galera, de bando, como vierem do lado de lá, que a gente vai fazer campanha na rua, comendo poeira, do lado das pessoas e falando a verdade,” declarou, em recado claro ao PT na Bahia e às articulações em torno da reeleição de Jerônimo.
Mesmo sem confirmar candidatura própria ao Senado, ACM Neto projetou o discurso como se fosse protagonista do pleito, deixando implícita a intenção de liderar o debate oposicionista. A narrativa do contato direto e da verdade dita na rua foi o fio condutor da entrevista, repetida como palavra de ordem política e comunicacional.
Mudança como sentimento, não como slogan, diz o político
O ex-prefeito afirmou que a mudança na Bahia só se consolida quando nasce no coração do eleitor, e não em peças publicitárias. Segundo ele, se esse desejo for real, se tornará maioria. “Se houver esse sentimento no coração das pessoas, esse desejo de mudança vai prevalecer e a gente ganha,” afirmou.
Em seguida, ponderou que, se o PT conseguir convencer a população de que merece mais um ciclo no poder, aceitará o resultado. “É uma decisão da democracia, é uma decisão do povo,” completou, mantendo a crítica sem deslegitimar o processo eleitoral.
Neto também cutucou a longevidade do projeto petista no estado, insinuando desgaste do grupo. “Se eles conseguirem convencer que merecem mais quatro anos, que vinte anos não foram suficientes, paciência,” disse, em tom de ironia.
Crise do ferry-boat vira munição política e reabre debate sobre a Ponte Salvador-Itaparica
A entrevista ocorreu no mesmo dia em que Salvador registrou um dos maiores gargalos de mobilidade marítima do ano. Na sexta-feira (26), o Terminal da Cidade Baixa acumulou filas extensas para embarque no ferry-boat, com espera superior a quatro horas para motoristas que tentavam acessar o sistema de travessia para a Ilha de Itaparica. O episódio serviu de gancho para que ACM Neto voltasse a cobrar uma promessa histórica do PT na Bahia: a Ponte Salvador-Itaparica.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Neto exibiu imagens aéreas do congestionamento de veículos na região da Cidade Baixa e associou o caos à ausência da ponte. “Entra ano e sai ano. É a mesma ladainha, a mesma conversa,” disse no conteúdo digital. O político acusou o governo estadual de repetir o mesmo discurso sem entregar a obra, afirmando que o problema se arrasta há mais de uma década.
Promessa da Ponte Salvador-Itaparica é criticada como “ladainha” e marco de frustração
No vídeo, ACM Neto afirmou que a ponte foi anunciada pelo PT com prazo de inauguração ainda para 2013, mas nunca avançou. “Era para estar inaugurada em 2013, segundo a promessa deles,” disse. Em seguida, mencionou declarações feitas por Jerônimo Rodrigues na campanha de 2022 e afirmou que, apesar do novo ciclo de compromissos, a obra permanece no campo da retórica. “Mas até agora nada,” declarou, em denúncia direta ao governo.
O ex-prefeito também classificou o serviço atual do ferry-boat como de “péssima qualidade,” apontando problemas como filas extensas, engarrafamentos e impacto no cotidiano de moradores e turistas. Para Neto, a ausência da ponte se traduz em prejuízo social e econômico. “O povo baiano paga o preço de tudo isso,” disse, conectando a crítica ao sentimento de insatisfação popular.
Crítica ao PT na Bahia mira 2026 e pede ‘mudança de comando’ no estado
Ao encerrar o vídeo, ACM Neto projetou a crise do ferry como um retrato do que pode se repetir nos próximos anos, caso não haja alternância de poder. “No próximo Natal, na próxima virada de ano, e daí por diante, a gente não tem que continuar com essa mesma situação,” afirmou. Para ele, a solução passa por mudança no governo estadual. “Só tem um jeito: mudar o governador da Bahia,” concluiu, citando nominalmente Jerônimo Rodrigues como símbolo de continuidade do problema.
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