Bahia registra maior queda de nascimentos em 50 anos e Salvador atinge menor nível da série histórica
IBGE: Estado consolida transição demográfica acelerada com redução contínua da fecundidade e envelhecimento populacional
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A queda de nascimentos na Bahia em 2024 atingiu o menor patamar em meio século e consolidou uma tendência que já vinha sendo observada nos últimos anos. Segundo as Estatísticas do Registro Civil 2024, divulgadas nessa última quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado registrou 159.337 nascidos vivos, queda de 6,6% em comparação com 2023. Em termos históricos, o volume é o menor desde 1974, ano em que a série começou a ser acompanhada.
A retração acompanha o movimento nacional, mas tem peso particular na Bahia, que apresentou a quarta maior redução absoluta do país — atrás de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — e o oitavo maior recuo percentual. O dado reforça a velocidade da transição demográfica no Estado, marcada por menos nascimentos, mais longevidade e mudanças no comportamento reprodutivo.
“Em 2024, houve esse aumento (nos óbitos), mas a gente tem que considerar que a população está envelhecendo. Então, com o envelhecimento da população, a probabilidade dessa população mais envelhecida morrer vai sendo maior”, explicou a demógrafa Klivia Brayner de Oliveira, técnica responsável pela pesquisa, ao comentar o cenário nacional que também impacta Bahia e Salvador.
Bahia tem maior recuo em cinco décadas e ritmo acelerado de envelhecimento
De acordo com o IBGE, a queda de 6,6% nos nascimentos em 2024 representa 11.195 bebês a menos em comparação com o ano anterior. A Bahia acumula agora 6 anos consecutivos de recuo, o que aponta para um processo estruturado e de longo prazo. O movimento está associado à diminuição da fecundidade, ao adiamento da maternidade e às mudanças nas condições sociais e econômicas das famílias.
O envelhecimento da população também se intensifica. Assim como no Brasil, a Bahia enfrenta aumento consistente no número de pessoas em idade avançada, o que contribui para a elevação dos óbitos e reduz a renovação demográfica. Segundo especialistas, a combinação de menos nascimentos e mais idosos exige planejamento para áreas como saúde, previdência e assistência social.
Salvador tem sétimo ano seguido de queda e um dos piores resultados do país
Na capital baiana, a tendência de redução é ainda mais acentuada. Salvador registrou 23.361 nascidos vivos em 2024, o que corresponde a uma queda de 9,2% em relação a 2023. De acordo com o IBGE, a capital teve 2.357 bebês a menos em apenas um ano e atingiu o menor valor da série histórica.
O desempenho coloca Salvador entre as capitais com maior recuo no país. Em números absolutos, a cidade teve a terceira maior redução, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Quando analisado o percentual de queda, Salvador também aparece em terceiro lugar, superada apenas por Teresina (PI) e Boa Vista (RR).
Segundo especialistas, fatores urbanos — como custo de vida, acesso ao mercado de trabalho, estudos prolongados e adiamento da maternidade — ajudam a explicar quedas mais intensas em grandes centros.
Interior acompanha tendência: sete em cada dez municípios caem
O fenômeno não se restringe à capital. Entre 2023 e 2024, 69,8% dos municípios baianos — um total de 291 cidades — registraram redução de nascimentos. De acordo com o IBGE, o recuo disseminado demonstra que a mudança no perfil demográfico é ampla e afeta diferentes regiões do estado, incluindo cidades de porte médio.
Depois de Salvador, os maiores recuos ocorreram em:
- Feira de Santana: -660 nascimentos (–8,3%)
- Vitória da Conquista: -313 nascimentos (–6,3%)
- Lauro de Freitas: -299 nascimentos (–12,7%)
A intensidade da queda em municípios de tamanhos e realidades distintas indica mudança estrutural no comportamento familiar e nos ciclos de fecundidade.
Brasil vive maior queda em mais de 30 anos e óbitos voltam a subir
Embora o foco esteja na Bahia, o cenário nacional ajuda a explicar o contexto regional. Segundo o IBGE, o Brasil registrou 2,3 milhões de nascidos vivos em 2024, redução de 5,8%, a maior em mais de três décadas e a sexta queda seguida. O instituto destaca que, há 20 anos, mais da metade dos nascimentos vinha de mães com até 24 anos; em 2024, essa proporção caiu para 35%.
Ao mesmo tempo, o país voltou a registrar alta no número de óbitos, que chegaram a 1,5 milhão, crescimento de 4,6%. O aumento está associado ao envelhecimento populacional: 72% das mortes foram de pessoas com 60 anos ou mais.
Esses indicadores reforçam que a Bahia está inserida no mesmo movimento de menos nascimentos, mais longevidade e mudanças estruturais nas famílias brasileiras.
Casamentos, divórcios e guarda compartilhada também revelam transição familiar
As estatísticas de casamentos e divórcios complementam o quadro demográfico. Em 2024, o Brasil registrou 948 mil casamentos, alta de 1% em relação ao ano anterior, com crescimento de 9% entre casais do mesmo sexo. A idade média ao casar também aumentou — reflexo do adiamento de projetos de família.
Os divórcios somaram 428 mil, queda de 2,8%, marcando o primeiro recuo desde 2020. Pela primeira vez, a guarda compartilhada superou a guarda exclusiva da mãe, com 45% das decisões, contra 43% concentradas nas mulheres.
Para técnicos do IBGE, essas mudanças corroboram a ideia de que o Brasil — e especialmente estados como a Bahia — vive uma transformação estrutural na forma como as famílias se organizam, têm filhos e distribuem responsabilidades parentais.
Rayllanna Lima
Rayllanna Lima é jornalista e especialista em Marketing e Growth, movida pelo desejo de transformar dados em narrativas que informam, conectam e inspiram. Autora do livro Renascer, reúne experiências em veículos de comunicação, agências e empresas dos setores de energia e pesquisa de mercado, com foco em integrar pessoas, marcas e propósito.
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