Lula defende fim da jornada 6×1 e cobra ações rigorosas contra feminicídio durante reunião do Conselhão
Presidente pede que colegiado priorize debates sobre condições de trabalho e proteção das mulheres enquanto recebe metas para desenvolvimento do país
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta última quinta-feira (4), que o colegiado avance na discussão para acabar com a escala 6×1, modelo que prevê seis dias de trabalho para apenas um de descanso. Durante a 6ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), mais conhecido como Conselhão, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília, o petista afirmou que o tema deve voltar ao centro das discussões. As informações são da Agência Brasil.
“Não tem mais sentido, com os avanços tecnológicos que tivemos nesse país, a produção aumentar, mas os salários caírem. Se vocês me derem o conselho para reduzir a jornada, eu apresso o fim da jornada 6 por 1, para darmos uma jornada menor para o povo brasileiro”, lamentou Lula.
Presidente cobra redução da jornada e critica falta de avanços para trabalhadores
Segundo o presidente, a evolução tecnológica das últimas décadas deveria ter sido acompanhada por melhorias nas condições de trabalho. “Eu lamento o fato de as tecnologias estarem aumentando significativamente a produção, mas isso não estar se traduzindo na melhora da qualidade do trabalho”, pontuou Lula.
O petista citou sua experiência como sindicalista para ilustrar as transformações no setor industrial. “A Volkswagen tinha 40 mil trabalhadores e produzia 1,2 mil carros. Hoje ela tem 12 mil trabalhadores e produz o dobro de carros.”
Com o exemplo, questionou a falta de mudanças na distribuição dos ganhos de produtividade. “Por que então não reduziu a jornada de trabalho? Para que serviram todos esses avanços tecnológicos, então? O que é reduzir essa jornada, de 44 para 40 horas? Qual é o prejuízo? Nenhum.”
Lula pede medidas mais duras contra feminicídio e pedofilia
Além da pauta trabalhista, Lula solicitou que o Conselhão também construa propostas robustas contra feminicídio e pedofilia, temas que classificou como urgentes.
“Precisamos de uma proposta mais contundente, para que as pessoas que matam mulher ou praticam pedofilia não sejam tratadas normalmente. Precisa de algo mais duro para essa gente que pratica esse tipo de crime”, cobrou Lula.
Ele mencionou o caso recente ocorrido em São Paulo, no qual uma mulher teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por um homem, para ilustrar a gravidade da violência extrema contra mulheres no país.
Conselhão entrega metas estratégicas para desenvolvimento do país
Durante a reunião, representantes do CDESS entregaram ao presidente o documento “Pilares de um Projeto de Nação”, que consolida metas estratégicas para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Brasil. O colegiado reúne governo, empresários, sindicalistas, pesquisadores, artistas e movimentos sociais, compondo um espaço plural de debate.
“As políticas governamentais são construídas para atender às demandas da sociedade. Essa escuta é fundamental. Esse conselho é uma forma democrática de ouvir a sociedade”, ressaltou Camilo Santana (PT), ministro da Educação.
Estratégia Brasil 2050 e visão para a próxima década
As propostas foram elaboradas a partir das comissões temáticas, baseadas na Estratégia Brasil 2050, coordenada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. O material aponta metas para os próximos dez anos e ações concretas para cinco anos.
“Nas comissões, os conselheiros responderam à pergunta-guia: ‘Onde vai estar o Brasil daqui a dez anos?’. Houve debate sobre envelhecimento, empregos no interior e impactos das novas tecnologias”, explicou Olavo Noleto, secretário-executivo do Conselhão.
Ele ainda destacou a diversidade interna. “Os diferentes estão aqui, o que é uma riqueza. No Brasil, em que as diferenças são disputadas a tapa, aqui a gente prova que elas são possíveis.”
Representantes do agro destacam crédito e inovação
O produtor rural Eraí Maggi, representante do agronegócio, reconheceu avanços promovidos pelo governo federal em biotecnologia, normas para defensivos agrícolas e ampliação do crédito rural. “Teve financiamento de longo prazo – de 17 anos, com três anos de carência – para silo, trator, colheitadeira, pulverizador, para tudo. Daí, o Brasil virou o que virou.”
Academia e movimentos sociais pedem inclusão tecnológica e social
A cientista da computação e pesquisadora de Inteligência Artificial, Nina da Hora, defendeu investimentos nacionais na área. “Não se trata de isolacionismo nem tecnofobia. É fortalecer a soberania nacional a partir de soluções próprias.”
A vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Mônica Veloso, citou avanços como:
- política permanente de valorização do salário mínimo
- correção da tabela do Imposto de Renda
- redução da pobreza e das desigualdades
No entanto, cobrou foco nos aposentados e na ampliação de empregos de qualidade. “Tempo livre dinamiza a economia.”
Segurança pública, urbanização e inclusão
O presidente global da Cufa (Central Única das Favelas), Preto Zezé, pediu políticas amplas para territórios urbanos. “Não podemos deixar o debate ser reduzido à munição, polícia e viatura. Precisamos de intervenções integradas.”
O ativista Ivan Baron pediu garantias orçamentárias para inclusão de pessoas com deficiência. “Queremos colocar as pessoas com deficiência dentro do orçamento público.”
Outras entregas: clima, agro e economia verde
O Conselhão também apresentou:
- Projeto Move Mundo, com propostas da comunidade científica da Amazônia para a COP30;
- Agenda Positiva do Agro 2025, com práticas sustentáveis no campo;
- Portfólio de Investimentos da Transformação Ecológica, organizado pelo Ministério da Fazenda, com dados sobre projetos verdes e bioeconomia.
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