Multidão forma tapete vermelho no Pelourinho e celebra fé, tradição e resistência no Dia de Santa Bárbara e Iansã
Celebração atraiu fiéis, devotos, turistas e comunidades de terreiro para o Centro Histórico
Reginaldo Ipê
Milhares de pessoas transformaram as ruas do Pelourinho em um verdadeiro tapete vermelho de fé, devoção e ancestralidade na manhã desta quarta-feira (4), data que marca uma das celebrações mais importantes do calendário religioso e cultural da Bahia. Desde cedo, Salvador reviveu o sincretismo que une Santa Bárbara e Iansã, atraindo fiéis, devotos, turistas e comunidades de terreiro para o Centro Histórico.
O evento abre oficialmente o calendário das festas populares da capital, reunindo católicos e adeptos do candomblé, da umbanda e de matrizes africanas em uma demonstração de resistência cultural e espiritual. A devoção à Santa Bárbara, mártir cristã associada à proteção contra tempestades, cruza-se com a força guerreira de Iansã, orixá dos ventos, do fogo e das mudanças — um encontro que simboliza séculos de sobrevivência, fé e ancestralidade.
Manhã de fé: alvorada, missas e o tradicional cortejo já reuniram milhares
A festa começou ainda nas primeiras horas do dia. Às 6h, a alvorada de fogos abriu as celebrações, seguida da salva dos clarins às 7h. Às 8h, uma missa campal tomou o Largo do Pelourinho, acompanhada por um público que ocupou cada canto das ladeiras históricas.

Logo após a celebração, o cortejo religioso percorreu as ruas do Centro Histórico, partindo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Os devotos seguiram pelas ruas Gregório de Mattos, João de Deus, Terreiro de Jesus, Praça da Sé e Ladeira da Praça.
Caruru no quartel do Corpo de Bombeiros
Como manda a tradição, houve a emocionante parada na sede do Corpo de Bombeiros, na Barroquinha — homenagem simbólica à santa, padroeira da corporação. A imagem de Santa Bárbara recebeu flores, rezas e cânticos, enquanto bombeiros acompanharam o rito vestindo fardas e carregando símbolos da corporação. Ao longo da manhã, foram distribuídas 1.500 quentinhas de caruru, preparadas com cerca de 10 mil quiabos, em uma operação que envolveu 150 bombeiros responsáveis pelo ordenamento e pela segurança do evento.
Um dos momentos mais marcantes foi o banho de água benta lançado pela Auto Escada Plataforma Aérea (Aepa), criando um símbolo coletivo de proteção. A celebração reafirmou a ligação histórica entre os bombeiros e Santa Bárbara, fortalecida após o incêndio do Mercado de Santa Bárbara, quando a imagem foi acolhida no quartel.
Em seguida, o cortejo seguiu pela Baixa dos Sapateiros, Rua Padre Agostinho e retornou ao Pelourinho, encerrando no Rosário dos Pretos. A manhã reforçou a força do sincretismo religioso, elemento essencial da cultura baiana e parte fundamental da história de resistência dos povos afrodescendentes no Brasil.
Tarde promete programação profana com música, cultura e celebrações abertas ao público
Com as atividades religiosas da manhã já concluídas, a festa entra agora em sua fase profana. A partir das 15h, haverá apresentação cultural no Pelourinho, integrando música, dança, memória e manifestações artísticas que celebram a presença de Iansã e a energia do 4 de dezembro. O espetáculo reforça o caráter popular da data e deve atrair novamente milhares de pessoas ao Centro Histórico ao longo da tarde e da noite.

As ruas e largos do Pelourinho seguem recebendo barracas de comidas típicas, grupos culturais e rodas percussivas — elementos que compõem a parte mais vibrante e festiva deste dia, que mistura religiosidade, identidade e tradição com muita arte.
Celebração marcada pela resistência e pelo sincretismo
A força simbólica de Santa Bárbara e Iansã atravessa séculos e mantém viva a fusão de crenças que moldou a identidade religiosa da Bahia. No catolicismo, Santa Bárbara representa coragem, proteção e enfrentamento de adversidades. No candomblé e na umbanda, Iansã — ou Oyá — simboliza movimento, fogo, vento e transformação.
A união dessas figuras nasce da resistência dos africanos escravizados, que associaram seus orixás a santos católicos para preservar a própria fé. No caso de Iansã e Santa Bárbara, os elementos do raio, da tempestade e da coragem feminina criaram um dos sincretismos mais fortes do país.
A festa, realizada pela Venerável Ordem Terceira do Rosário dos Pretos, apresenta este ano o tema “Com Santa Bárbara, de fronte erguida e rosto sereno, testemunhamos Jesus Cristo, nossa Esperança”, que também guiou o tríduo preparatório realizado entre os dias 1º e 3 de dezembro.
Tradição que abre calendário oficial de festas populares de Salvador
O 4 de dezembro é mais que uma data religiosa: é uma marca da cultura baiana. As ruas lotadas, os tons de vermelho, os cânticos de fé e os tambores que ecoam pelo Centro Histórico ilustram a fusão entre sagrado e profano que distingue Salvador no cenário nacional.
Ao longo da tarde e noite, a programação seguirá movimentando o Pelourinho e reforçando o lugar da data como símbolo de resistência, memória e celebração coletiva.
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