Trump anuncia tarifa adicional de 100% contra a China e intensifica guerra comercial entre os dois países

Nova medida entra em vigor em 1º de novembro e pode agravar a crise política que já derruba a aprovação do presidente norte-americano


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 10/10/2025 20:28 • Internacional
Trump anuncia tarifa adicional de 100% contra a China e intensifica guerra comercial entre os dois países - Reprodução/Instagram @realdonaldtrump
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses, com início previsto para 1º de novembro. A medida, divulgada nesta sexta-feira (10) na rede Truth Social, também inclui novos controles de exportação voltados a “todo e qualquer software crítico”.

No anúncio, o republicano afirmou que a decisão é uma resposta à postura de Pequim, que teria adotado controles de exportação em larga escala para praticamente todos os produtos fabricados no país. Segundo Trump, a iniciativa chinesa representa “um plano elaborado há anos” e “sem precedentes no comércio internacional”.

“Isso afeta todos os países e é uma vergonha moral em relação a outras nações”, escreveu o presidente. Ele afirmou ainda que a nova alíquota poderá ser adiantada, dependendo das futuras ações da China.

Reação global e impacto econômico

A medida amplia as tensões comerciais entre Estados Unidos e China, dois dos maiores parceiros econômicos do mundo. Desde 2018, as tarifas têm sido um ponto central da política externa norte-americana sob Trump, que busca proteger a indústria nacional e conter o avanço da potência asiática no setor tecnológico.

Analistas avaliam que a nova taxa pode impactar cadeias produtivas globais, aumentar custos de importação e pressionar a inflação nos EUA, em um momento de fragilidade política interna. O anúncio também ocorre em meio à paralisação parcial do governo federal, o chamado shutdown, que já provoca críticas à gestão republicana.

Aprovação de Trump cai para 39% durante o shutdown

A popularidade de Donald Trump caiu para 39%, segundo pesquisa da revista The Economist em parceria com o instituto YouGov, divulgada na última quarta-feira (8). O levantamento mostra 56% de desaprovação, dois pontos acima da semana anterior. O estudo indica que o atual shutdown afeta diretamente a imagem do presidente, com destaque para a insatisfação entre mulheres (61% de desaprovação) e hispânicos (71%).

Entre idosos acima de 65 anos, 55% desaprovam a gestão, e entre negros o índice chega a 83%. Segundo a pesquisa, 41% dos americanos responsabilizam Trump e o Partido Republicano pela paralisação do governo, enquanto 30% culpam os democratas e 23% dividem a responsabilidade entre ambos.

A maioria dos entrevistados (63%) defende um acordo orçamentário negociado para encerrar o impasse. Apenas 37% preferem que os congressistas mantenham suas prioridades mesmo com risco de novas paralisações.

Economia e confiança em queda

O levantamento indica que 57% dos americanos consideram Trump o principal responsável pelo estado atual da economia, enquanto apenas 24% atribuem a responsabilidade ao ex-presidente Joe Biden. A percepção de que a crise prejudica a credibilidade do presidente é compartilhada por 55% dos entrevistados.

O impacto da paralisação também é sentido na rotina da população. Cerca de 12% afirmam ser “muito afetados” pelo shutdown, enquanto 28% relatam impactos moderados e 30% dizem não sentir efeitos diretos. A expectativa majoritária é de que a paralisação dure entre duas e quatro semanas.

Lula é visto como fortalecido após encontro com Trump

Enquanto Trump enfrenta desgaste político interno, uma pesquisa Genial/Quaest também divulgada na quarta-feira (8), mostrou que 49% dos brasileiros acreditam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu politicamente fortalecido após se reunir com Trump durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Outros 27% avaliaram que Lula ficou mais fraco e 10% disseram que sua força política permaneceu igual. O resultado positivo é mais expressivo entre eleitores de esquerda (75%) e lulistas declarados (78%). Já entre bolsonaristas (51%), predomina a visão de enfraquecimento do presidente brasileiro.

O encontro entre os dois líderes reforçou a pauta de cooperação econômica e política entre Brasil e Estados Unidos, apesar das recentes tensões comerciais e do cenário de instabilidade política vivido por Trump.

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Equipe de jornalistas e editores do portal Muita Informação

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