Viagens internacionais de Lula dividem opiniões entre ministros do Planalto e lideranças do PT
Para aliados próximos, viagens internacionais afastam Lula das pautas diárias do governo e limitam seu contato com a realidade interna do país
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A agenda internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem provocado divergências nos bastidores do governo entre integrantes do núcleo duro do Partido dos Trabalhadores e ministros do Palácio do Planalto. Enquanto o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, defende que o presidente intensifique viagens pelo Brasil para recuperar a popularidade, lideranças petistas não veem prejuízos nas constantes idas ao exterior.
Secom quer Lula mais presente no Brasil
Para integrantes da Secom, as viagens internacionais afastam Lula das pautas diárias do governo e limitam seu contato com a realidade interna do país. A avaliação é que, ao priorizar compromissos fora do Brasil, o presidente se distancia de temas sensíveis que afetam diretamente sua base e a opinião pública.
O ministro Sidônio Palmeira é um dos que sugerem que Lula se concentre em ações no território nacional, especialmente diante da queda nos índices de aprovação popular. A presença mais constante em estados e municípios, segundo a Secom, poderia ajudar a reverter esse cenário.
Petistas defendem agenda internacional
Por outro lado, lideranças do PT minimizam o impacto político das viagens internacionais de Lula e argumentam que elas são parte de uma estratégia para reposicionar o Brasil no cenário global. Um dirigente petista ouvido pela reportagem lembrou que, mesmo com agendas dentro do país, o presidente ainda não conseguiu reverter os índices negativos nas pesquisas.
Para esse grupo, o desgaste atual do governo não tem relação direta com a ausência física de Lula no país, mas sim com fatores conjunturais e dificuldades na comunicação de ações e entregas.
Lula diz que queda é “fotografia do momento”
O próprio presidente Lula comentou a queda de popularidade em entrevista ao podcast Mano a Mano, gravado no domingo (15), no Palácio da Alvorada. Para ele, os números das pesquisas refletem um “momento específico” e não indicam um julgamento definitivo do governo.
“Eu sempre acho que pesquisa é uma fotografia do momento em que você faz a pesquisa. Até o 2º semestre deste ano, eu dizia para as pessoas: não há por que ainda terem a afirmação de que o governo está indo muito bem, porque a gente não está entregando as coisas que nós temos que entregar. Este é o ano da colheita. Nós vamos entregar”, afirmou Lula, que participou pela segunda vez do programa apresentado por Mano Brown e Semayat Oliveira.
Caso INSS teria influenciado avaliação negativa
Lula também associou a queda de popularidade ao impacto do escândalo envolvendo fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), reveladas recentemente pela imprensa. Segundo ele, apesar das denúncias terem ocorrido em sua gestão, é preciso esclarecer que o governo foi responsável por descobrir o esquema e tomar providências.
“Quando sai uma denúncia de corrupção no meu governo, é normal que, no momento, as pessoas pensem que foi no governo Lula, porque fomos nós que descobrimos. Então, cabe a nós dizer em alto e bom som por que aconteceu aquela corrupção, quem foi que fez aquilo, quem é a quadrilha que estava por trás daquilo”, declarou o presidente.
Rejeição chega a 56%
A mais recente pesquisa do instituto PoderData, realizada entre os dias 31 de maio e 2 de junho de 2025, apontou uma desaprovação de 56% ao governo Lula. O levantamento já teria captado os efeitos da repercussão negativa causada pelas denúncias de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
O Planalto agora busca estratégias para conter o desgaste e ampliar a presença do presidente em agendas positivas no país, mesmo diante das prioridades da política externa.
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