Uso prolongado de telas entre crianças preocupa especialistas
Ao Portal M!, especialistas explicaram que o hábito pode afetar a capacidade de estabelecer vínculos e a habilidade de se expressar verbalmente
O uso excessivo de telas entre crianças é um problema crescente, que preocupa pais e especialistas. O tempo exagerado em frente aos dispositivos pode prejudicar o desenvolvimento da comunicação e limitar a interação social. Ao Portal M!, especialistas explicaram que estes hábitos podem afetar a capacidade de estabelecer vínculos e a habilidade de se expressar verbalmente.
Segundo dados da pesquisa TIC Kids online, produzida pelo Comitê Gestor da Internet (CGO.br), cerca de um terço dos usuários da internet no mundo é de crianças de adolescentes. Ao todo, 95% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos acessaram a internet em 2023.
Nas classes A e B, 93% acessaram a internet mais de uma vez por dia, enquanto nas classes D e E esse percentual caiu para 71%, sendo que a média foi de 83%. Em 2023, 24% dos entrevistados relataram ter começado a se conectar à internet desde o período da primeira infância, ou seja, antes dos 6 anos. Em 2015, essa proporção era de 11%. Entre as crianças de 9 e 10 anos, 68% disseram ter perfis em redes sociais.
De acordo com o psicólogo Sergio Manzione, são diversos os impactos que o uso excessivo de telas pode causar nas crianças, desde aspectos físicos até mentais, como ansiedade e depressão.
“Pode ter um problema ocular, porque a emissão da luz azul das telas pode causar um problema na retina. Isso vem acometendo várias crianças com idade entre 8 e 10 anos. Além do mais, tanto crianças como adultos, como os olhos piscam menos durante o uso do computador e do celular, a lubrificação do olho diminui muito, e esse ressecamento pode ocasionar problema na córnea entre outras coisas”, pontua.
Há ainda a possibilidade de impactos na socialização com outras crianças. Outro problema possível é afetar a qualidade do sono e gerar até transtornos mentais e físicos. “Ela [a criança] se comunica com as pessoas através da internet, então esse contato físico próximo, essa socialização, vai ficando reduzida. Isso traz problemas mentais e, sim, problemas psicológicos. Você tem ansiedade, você pode até ter uma fobia social, essa dificuldade de conviver com as pessoas”, alertou.
O hábito das telas pode afetar ainda o processo de descoberta das crianças. Quando um aplicativo de celular é dado a uma criança, por ser composto de imagens e sons, ele não permite que a criança vá descobrindo, por conta própria, novos sons e novas imagens, prejudicando, portanto, o exercício da imaginação.
“Uma consequência bastante grande e grave é que vai diminuindo a criatividade da criança. Ela vai deixar de se descobrir automaticamente. Então esse impacto é mais sutil, ele vai sendo colocado de forma que a criança não desenvolve a criatividade, exatamente porque esses jogos já vêm com tudo pronto e acaba criando uma dependência”, alertou.

Problemas na comunicação em função do uso de telas
Com relação aos problemas na comunicação das crianças em função do uso excessivo das telas, o psicoterapeuta Victoriano Garrido explicou que isso ocorre por se tratar de um período em que os pequenos estão aprendendo a se comunicar.
“Isso pode trazer uma acomodação. O celular é algo que é passivo, então a criança não precisa se esforçar, não precisa fazer nada. Como seres humanos, nós somos muito movidos a quando a gente precisa fazer alguma coisa, e as crianças também são assim, em alguma medida”, explica.
Quanto aos possíveis transtornos mentais e físicos, que também podem acometer os adultos, possuem o agravante de ocorrer em um momento de desenvolvimento cerebral das crianças. “Principalmente, na faixa de 0 a 2 anos e 2 a 5 anos e por assim em diante. Quanto menor, mais grave. Mas essas consequências serão de forma muito mais nociva do que aconteceria, e acontece, com adultos”, explicou.

O que fazer para tirar as crianças das telas?
Quando o assunto é a criação de estratégias para afastar as crianças das telas, Garrido defende que não se deve tirar o celular como forma de castigo, mas sim, sinalizar que seu uso é prejudicial. Por isso, o psicoterapeuta sugere o uso de brinquedos e atividades ao ar livre, além da promoção de atividades ao lado dos pais.
“O melhor brinquedo de filho é pai e mãe, eu costumo dizer isso. Ele troca tudo. A gente, como psicoterapeuta, vê isso em consultório, atendendo criança. Eles têm essa necessidade muito grande de contato com os pais, e eles querem um tempo de qualidade”, pontua.
Para tanto, é necessário que pais e mães se esforcem para oferecer tempo de qualidade às crianças. “Meia hora para brincar com o filho, sem celular, e estimular brincadeiras ao ar livre, de bola, de correr, de ping-pong, esconde-esconde. A criança precisa disso para estimular a imaginação, trabalhar a questão física, e para não ficar muito passiva, muito parada”.
Garrido lembrou ainda que a Sociedade Brasileira de Pediatria (Sobape) recomenda que crianças menores de 2 anos de idade não devem ser expostas a telas. Já aquelas entre 2 e 5 anos, devem ter um tempo limitado de, no máximo, uma hora por dia.
“Gradualmente aumentando um pouco esse tempo, mas é importante salientar o lado psicossocial disso. Hoje a gente sabe que as crianças usam muito o celular, porque tem aquele prazer imediato como interesse maior de ser atendida”.
Por sua vez, o psicólogo Sergio Manzione sugere cortar a utilização dos aparelhos, a partir da imposição de limites às crianças, além da atuação em prol da construção da autoestima.
“Se ela não é insegura, então ela não vai sucumbir aos perigos da internet. Se ela tem segurança, ela não vai entrar em qualquer situação perigosa também. Porque o perigo não está só no uso excessivo, mas onde está sendo feito esse uso excessivo, pontuou.
O especialista também ressaltou a importância de verificar a utilização dos aparelhos pelas crianças. “Tem que ficar de olho, principalmente se houver mudanças de comportamento. Se a criança já estiver com esse uso excessivo, é necessário recorrer a uma ajuda profissional, procurar um psicólogo para poder trabalhar isso, porque acaba se tornando um vício”, alertou.
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