SUS passa a oferecer gratuitamente camisinhas texturizadas e mais finas em todo o Brasil
Previsão do Ministério da Saúde é distribuir 400 milhões de unidades dos novos preservativos ao longo de 2025
Caroline Morais/MS
O Ministério da Saúde anunciou a inclusão de dois novos tipos de preservativos no Sistema Único de Saúde (SUS): o modelo texturizado e o modelo fino. A iniciativa visa aumentar a adesão ao uso do preservativo, especialmente entre jovens, e fortalecer a prevenção contra HIV, hepatites virais, sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Além disso, a medida reforça a proteção contra gravidezes não planejadas, atendendo a uma demanda por maior diversidade de opções no sistema público.
A distribuição gratuita dos novos preservativos já começou e faz parte de uma estratégia para reverter a queda no uso do método, observada nos últimos anos. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/IBGE 2019) e do relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS/2024) indicam uma redução no hábito de utilização do preservativo, especialmente após a pandemia de Covid-19, quando estados e municípios registraram menor solicitação do insumo.
Estratégia para maior adesão
Antes da inclusão dos novos modelos, o SUS oferecia apenas dois tipos de preservativos: o externo, produzido em látex, e o interno, feito de látex ou borracha nitrílica. Com a ampliação, o governo busca atender diferentes preferências da população, incentivando o uso correto e contínuo. Os novos preservativos, apresentados em embalagens modernas, mantêm a mesma eficácia de proteção dos modelos tradicionais.
A previsão do Ministério da Saúde é distribuir 400 milhões de unidades dos novos preservativos ao longo de 2025. A iniciativa integra a estratégia de Prevenção Combinada, que combina diferentes métodos para ampliar a proteção contra o HIV e outras ISTs, como uso de gel lubrificante, profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP), diagnóstico e tratamento de ISTs, vacinação e ações de promoção da saúde sexual e reprodutiva.
A distribuição ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde os preservativos podem ser retirados gratuitamente, sem exigência de documentos ou limite de quantidade. A medida garante acesso facilitado a toda a população, com foco na promoção da saúde sexual.
Impacto na prevenção
O chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alexandre Naime Barbosa, destacou a importância da ampliação da oferta de preservativos.
“O preservativo, quando usado com consistência, previne 100% a transmissão do HIV e tem um índice bastante alto de prevenção contra outras ISTs. A proteção depende, basicamente, da adesão. Quanto maior a aceitação e a disponibilidade de modelos que proporcionem mais prazer e adaptação, a adesão vai aumentar e nós, obviamente, teremos uma ampliação do potencial de prevenção”, afirma.
Os novos modelos foram desenvolvidos para atender a diferentes necessidades e preferências, com o objetivo de reduzir barreiras ao uso do preservativo.
“Oferecendo essas diferentes opções, o SUS atende melhor à diversidade de preferências e necessidades da população. Os preservativos mais finos, por exemplo, proporcionam mais sensibilidade e prazer durante a relação sexual, e os modelos texturizados aumentam o conforto e a satisfação de ambos os parceiros”, explica Naime.
A estratégia é especialmente relevante para populações mais jovens, que, segundo o especialista, enfrentam dificuldades em adotar o uso regular do preservativo.
“Isso é importante para reduzir as barreiras de uso, especialmente nas populações mais jovens, que ainda estão se acostumando com o uso do preservativo e associam as camisinhas à diminuição do prazer. Então, essa estratégia é muito importante e um exemplo claro de como estratégias de prevenção podem ser dinâmicas e adaptadas ao comportamento sexual”, complementa.
Desafios no uso do preservativo
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 revelou dados preocupantes sobre o uso de preservativos no Brasil. Entre pessoas com 18 anos ou mais que tiveram relações sexuais nos 12 meses anteriores à pesquisa, apenas 22,8% relataram usar preservativo em todas as relações. Outros 17,1% afirmaram usar o método apenas ocasionalmente, enquanto 59% declararam não utilizá-lo nenhuma vez.
As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos, sendo transmitidas principalmente por relações sexuais sem proteção, quando um dos parceiros está infectado. O uso consistente do preservativo é considerado o método mais eficaz para prevenir o HIV e outras ISTs, segundo o Ministério da Saúde.
O Ministério da Saúde reforça que os preservativos estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde, sem qualquer restrição de quantidade ou exigência de documentos. A medida busca garantir que a população tenha acesso amplo e irrestrito ao método de prevenção.
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