Sexo, orgasmo e prazer: sexóloga explica importância do autoconhecimento feminino no Dia do Orgasmo
Carina Costa reforça que prazer é saúde, autocuidado e libertação
Divulgação
A celebração do Dia do Orgasmo, nesta quinta-feira (31), foi marcada por reflexões profundas sobre sexualidade, prazer e bem-estar. Em entrevista ao programa De Olho na Bahia, da Rádio Mix Salvador (104.3 FM), a psicóloga e sexóloga Carina Costa destacou que falar sobre sexo é, acima de tudo, tratar de saúde e qualidade de vida, especialmente para as mulheres.
Por que o orgasmo ainda é um tabu?
Segundo Carina, um dos principais fatores que impedem mulheres de alcançar o orgasmo é o tabu construído desde a infância. Expressões como “fecha as pernas” ou “tira a mão daí” ainda ecoam na educação sexual de muitas brasileiras. A especialista explica que o orgasmo não é apenas uma resposta física, mas uma conexão entre mente e corpo.
“O corpo de todo sujeito é preparado para chegar ao orgasmo, mas não adianta o corpo estar presente se a cabeça não está conectada”, afirma.
Essa desconexão mental está fortemente relacionada à repressão social sofrida pelas mulheres. Muitas crescem acreditando que devem agradar seus parceiros, mesmo que isso signifique fingir prazer. De acordo com a sexóloga, entre 30% e 50% das brasileiras nunca atingiram um orgasmo.
Masturbação feminina é forma de autocuidado
Entre os principais temas abordados, a especialista reforçou que a masturbação feminina precisa ser vista como autocuidado e não como algo vergonhoso. A falta de estímulo ao autoconhecimento prejudica diretamente a saúde sexual da mulher.
“Masturbação é autocuidado. É um amor que você traz para o seu próprio corpo”, enfatiza Carina.
Ela recomenda que as mulheres comecem a se tocar, a explorar o próprio prazer e não deleguem essa responsabilidade ao outro. Segundo a psicóloga, muitas só descobrem o prazer aos 50 ou 60 anos, quando poderiam tê-lo experimentado décadas antes.
Papel do parceiro e importância da comunicação
Outro ponto central da conversa foi a relevância da comunicação no sexo. A sexóloga argumenta que muitos homens desconhecem o próprio papel na satisfação sexual da mulher, em parte por falta de diálogo entre o casal.
Ela destaca que não basta que o homem veja a parceira nua — é necessário que ele entenda o que ela sente, como gosta de ser tocada e quais estímulos funcionam.
“Tem mulheres que têm vergonha do seu próprio corpo com o seu marido. Eu digo: mulher, tu tira a roupa para ele. Como é que você não consegue falar para ele onde gosta de ser tocada?”, questiona.
Carina também critica a crença de que o sexo se resume à penetração. Para ela, preliminares, toques, olhares e palavras são parte do ato sexual e devem ser valorizadas. Essa reeducação ajuda a romper padrões machistas e promove relações mais equilibradas e prazerosas.
Orgasmo feminino: mais do que prazer, uma libertação
A sexóloga desmistifica o chamado “ponto G” e reforça que todo orgasmo feminino está ligado ao clitóris, que possui uma estrutura interna complexa com cerca de 10 centímetros de ramificações.
“Quando a mulher sente orgasmo pela penetração, é porque o clitóris foi estimulado indiretamente”, explica.
Ela também aponta que o orgasmo feminino pode ser múltiplo e não possui contraindicações. Relatando sua própria experiência, contou que já chegou a ter sete orgasmos consecutivos e encorajou as ouvintes a se permitirem viver essa experiência sem culpa ou vergonha.
Sexo e rotina: como reacender desejo no casamento
Para casais que enfrentam rotina sexual desgastada, a sexóloga sugere agendar o momento do sexo, como uma forma de reaproximação. A recomendação vale especialmente para casais que colocam o sexo como última prioridade.
“No dia em que você for fazer sexo com sua esposa, ela não vai estar com camisa de político. Vai usar lingerie, perfume, vai se preparar”, diz Carina, de forma bem-humorada.
Ela lembra que a mulher também precisa ter vontade e iniciativa. “Se a relação está falida e não há prazer, é preciso avaliar a permanência nesse vínculo. O sexo, para ela, não começa na cama, começa na mente”, reforça.
Diferenças entre orgasmo feminino e masculino
Quando perguntada sobre as diferenças entre orgasmo feminino e masculino, Carina esclarece que ambos têm duração semelhante — cerca de 8 a 10 segundos. O que varia é a intensidade e a forma de manifestação. Enquanto o orgasmo masculino costuma estar ligado à ejaculação, o feminino pode ocorrer diversas vezes, sem pausa, e de maneiras distintas, desde que haja estímulo adequado e autoconhecimento.
Ela também desmistifica o conceito de “preliminares”, apontando que todo estímulo erótico faz parte do sexo. “Sexo oral, toques, olhares, palavras — tudo isso é sexo. A mulher chega ao clímax sem penetração”, ensina.
Empoderamento sexual feminino é questão de saúde pública
Por fim, Carina Costa reforça que a libertação feminina na cama é parte de um processo maior de empoderamento.
“Se conectem com vocês mesmas. Se cuidem, se conheçam, se toquem. Não esperem pelo outro. A salvação é individual”, finaliza a sexóloga.
Neste Dia do Orgasmo, a mensagem é clara: prazer é um direito, não um favor. E a principal chave para acessá-lo está no autoconhecimento e na liberdade de ser quem se é — na cama e fora dela.
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Entre os dias 10 e 14 de fevereiro, a entrega ocorrerá das 12h às 20h. Já entre os dias 15 e 17 de fevereiro, o atendimento será das 10h às 18h