Sergio Manzione diz que 86% das pessoas admitem ter problemas psicológicos e defende busca por ajuda profissional
Psicólogo alerta sobre cuidado com saúde mental e critica banalização de transtornos como depressão, ansiedade e Burnout
Divulgação
A saúde mental tem sido um dos maiores desafios da sociedade contemporânea. Em entrevista concedida, na manhã desta quarta-feira (16), ao programa De Olho na Bahia – conduzido pelos jornalistas Matheus Morais e Osvaldo Lyra e pelo médico oncologista Rodrigo Guedes -, na Rádio Mix Salvador (104.3 FM), o psicólogo clínico e escritor Sergio Manzione fez um alerta contundente sobre a gravidade do problema: 86% das pessoas admitem ter algum tipo de sofrimento psicológico.
“Se você tem um sofrimento, procure alguém para tirar esse sofrimento. Por que você tem que carregar esse sofrimento sempre?”, questionou o especialista.
Importância de cuidar da saúde mental
Para Manzione, os problemas de saúde mental não são frescura nem sinal de fraqueza, mas condições clínicas sérias que afetam milhões de brasileiros. Segundo ele, “o que falta ainda é informação”.
“Enquanto a gente não sabe do que se trata alguma coisa, a gente vai ficar classificando das formas mais absurdas possíveis. Não é frescura, não é indolência, não é falta de vontade”, afirmou.
O psicólogo aponta que depressão, ansiedade e outros transtornos mentais devem ser tratados com o mesmo cuidado que doenças físicas. “Depressão é uma doença. Não é nenhum estado passageiro. As pessoas confundem muito tristeza com depressão. Tristeza é pontual. Já a depressão é persistente e precisa de diagnóstico de um profissional qualificado”, completou.
Jovens são mais afetados pelos transtornos mentais
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mencionados por Manzione, os jovens entre 15 e 29 anos estão entre os grupos mais vulneráveis aos transtornos psicológicos. “As mulheres, os jovens e as pessoas em situação de vulnerabilidade são os mais atingidos. E quanto mais precária a situação econômica de um país, maior a incidência desses transtornos”, explicou.
O psicólogo também criticou o despreparo de parte da sociedade para lidar com o tema. “Tem gente que diz que isso é da nova geração, que não tolera frustração. Mas é ignorância. Ansiedade, depressão e burnout são doenças reais, com impactos profundos na vida das pessoas e na economia”.
Burnout e impactos no ambiente de trabalho
Outro ponto de destaque foi o aumento expressivo nos casos de burnout, especialmente entre profissionais em início de carreira. Segundo o especialista, a síndrome, também conhecida como esgotamento profissional, afeta de forma crescente os mais jovens, muitas vezes sobrecarregados por jornadas intensas, metas agressivas e pressões ligadas ao desempenho.
Manzione ressaltou que o burnout não é apenas uma condição temporária de estresse. A síndrome já está oficialmente classificada como doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tendo sido incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Essa categorização representa um marco importante para o reconhecimento dos impactos que ambientes de trabalho tóxicos e pouco acolhedores exercem sobre a saúde mental dos trabalhadores.
“Burnout é uma explosão interna, um curto-circuito. A pessoa não consegue ir para o trabalho. Vai arrastada, com um sofrimento que vai se acumulando. Ela acorda pensando: ‘De novo eu tenho que ir naquele lugar. Não aguento mais’. Isso gera sintomas como ansiedade, insônia, fadiga, problemas gastrointestinais e até depressão”, relatou.
Para o especialista, o diagnóstico e o tratamento adequados são essenciais. “Pode ser psicoterapia, pode ser com medicação, o que for adequado para a pessoa. Mas é fundamental procurar um profissional”.
Redes sociais e impacto do celular na saúde mental
Manzione também alertou para o efeito nocivo do uso excessivo de celulares e redes sociais, especialmente entre os mais jovens. “Hoje o celular é uma chupeta eletrônica. Os pais ligam o aparelho para acalmar os filhos. Há uma inversão de valores, onde os pais têm medo de perder o amor dos filhos. Isso gera adultos sem limites e com alta fragilidade emocional”, pontuou.
Segundo ele, o ambiente digital intensifica a comparação social e a baixa autoestima: “As redes sociais empurram as pessoas para esse mundo idealizado, onde todos estão sempre felizes. A pessoa posta um vídeo e não recebe likes suficientes, se frustra. Isso já levou muitos ao suicídio”.
Brasil lidera casos de ansiedade
O psicólogo também comentou o crescimento dos casos de ansiedade no país. “O Brasil é o país com maior número de diagnósticos de ansiedade no mundo. E o segundo das Américas em casos de depressão”, revelou.
No livro Viva Sem Ansiedade, Manzione propõe oito caminhos para controlar a ansiedade, reconhecendo que eliminá-la completamente é impossível. “O importante é saber diferenciar a ansiedade natural daquela patológica. Quando a ansiedade surge sem motivo claro, é sinal de descompasso e precisa ser investigada”, disse.
Mudança de mentalidade e busca por tratamento
Ao final da entrevista, Sergio Manzione fez um apelo para que as pessoas reconheçam seus sofrimentos e busquem apoio especializado, sem medo ou vergonha. “Existe muito preconceito, mas se você está sofrendo, não precisa carregar esse peso sozinho. Procure ajuda”, pontuou.
“Saúde mental é tão importante quanto saúde física. E cuidar da mente é um ato de coragem e responsabilidade”, alertou o psicólogo.
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