Uso excessivo de telas: Especialista revela impactos e como isso pode destruir seu sono e sua saúde
Neuropediatra Fernanda Dubourg explica como luz artificial dos dispositivos eletrônicos impacta na qualidade do sono
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Você sabia que o uso excessivo de telas pode prejudicar profundamente a qualidade do seu sono? Essa é a realidade enfrentada por crianças, adolescentes e adultos que, cada vez mais, estão imersos no mundo digital. Em uma entrevista ao Portal M!, a neuropediatra Fernanda Dubourg, vice-presidente da Associação Brasileira do Sono (ABS) na Regional Bahia e representante da Liga Baiana do Sono, revela os danos causados pela luz artificial e como isso interfere diretamente no nosso descanso.
À medida que o estilo de vida moderno impõe uma rotina acelerada e cheia de estímulos, muitas vezes deixamos de lado algo fundamental: o sono. Fernanda ainda explica os riscos da privação crônica de descanso e como ela pode afetar a saúde física e mental. As declarações foram feitas para marcar o início a Semana Nacional do Sono, que visa conscientizar a população sobre a importância de um bom descanso, que teve início nesta sexta-feira (14).
Em Salvador, a programação deste sábado (15) inclui um evento no Shopping Barra, com palestra da odontóloga Ranuzia Galtieri, das 9h às 10h. Ranuzia também é responsável por uma ação que acontece na Câmara Municipal de Salvador, no dia 19. A programação completa você confere aqui.

Luz artificial e o relógio biológico: o impacto no sono e na saúde
Fernanda explica que o cérebro humano não consegue diferenciar a luz natural da luz emitida por aparelhos como smartphones, tablets e computadores. E, especialmente à noite, isso pode afetar a liberação de melatonina, o hormônio responsável por nos induzir ao sono.
“O ciclo circadiano interno é de cerca de 25 horas, mas é ajustado para 24 horas devido à influência da luz e dos estímulos externos. Para ter uma boa noite de sono, é essencial respeitar a alternância natural entre claro e escuro. O cérebro, através de receptores específicos nos olhos, não vai distinguir se a claridade vem do sol ou do celular. Quando está claro, ele entende que é dia, e por isso mantém o corpo acordado, sem liberar melatonina. Já quando escurece, o cérebro começa a liberar o hormônio, sinalizando que é hora de dormir”, explicou a especialista.
Além disso, Fernanda destaca que a exposição constante à luz artificial vai além do sono, desregulando outros ritmos biológicos importantes.
“Com a luz disponível 24 horas, fica difícil regular os ritmos biológicos. Isso não afeta apenas o ciclo sono-vigília e a produção de hormônios, mas também impacta a alimentação, a digestão e até a temperatura do corpo”, alertou.
Sono negligenciado e os riscos à saúde
Ao ser questionada sobre a negligência da sociedade com o sono, a especialista destaca que ele tem perdido importância em meio à vida hiperconectada.
“No mundo ‘moderno’, cada vez mais acelerado e hiperconectado, o sono foi progressivamente perdendo sua importância em relação à vigília (estar acordado). O que muitos desconhecem é que ‘é o homem adormecido que permite o homem acordado viver’”, afirmou.
Ela alerta que a falta de conhecimento sobre os riscos da privação de sono, especialmente no que diz respeito à saúde, é um dos motivos que contribuem para essa negligência.
“Muitas vezes, o sono é negligenciado pela falta de informação sobre os perigos da privação crônica, como o aumento do risco de diabetes, obesidade, infecções e doenças cardiovasculares. Embora uma noite mal dormida já cause alterações cognitivo-comportamentais no dia seguinte, como maior irritabilidade, desatenção e falhas de memória, outras complicações só serão identificadas mais tardiamente”, explicou Fernanda.
Impactos do sono inadequado no desenvolvimento infantil
De acordo com a especialista, a privação crônica do sono na infância e adolescência pode comprometer tanto o desenvolvimento físico quanto o cognitivo, emocional e social.
“O sono inadequado de crianças e adolescentes impacta negativamente não apenas nos processos de desenvolvimento, mas também nos comportamentos e condições de estilo de vida que serão transferidos para a vida adulta. A privação crônica de sono na infância causa prejuízos no funcionamento cognitivo, comportamental e emocional, dificulta o sucesso acadêmico, aumenta o risco de infecções e doenças cardiometabólicas e pode afetar o crescimento, uma vez que o hormônio do crescimento humano, conhecido como GH, responsável pelo crescimento geral do corpo (incluindo ossos, músculos, metabolismo e desempenho físico), atinge seu pico durante o sono profundo (e se a criança estiver acordada, isso não ocorrerá)”, explicou.
Entre os adolescentes, a situação é ainda mais grave devido a alterações naturais no relógio biológico e ao uso constante de telas, principalmente à noite.
“Os adolescentes também enfrentam privação crônica de sono devido à mudança em seu ritmo circadiano. Eles precisam dormir mais tarde devido ao atraso na secreção da melatonina (o ‘hormônio do sono’), mas não têm a oportunidade de acordar mais tarde por causa do horário da escola, o que resulta em tempo insuficiente de sono. Isso pode ser agravado pelo uso de dispositivos eletrônicos à noite, aumentando ainda mais os riscos de problemas à saúde física, além de prejuízos acadêmicos e socioemocionais”, afirmou Fernanda.
Semana do Sono reforça a importância do descanso para a saúde física e mental
Promovida anualmente em março, a Semana do Sono é uma campanha de conscientização social que visa informar a população sobre a importância do sono de qualidade e os riscos dos distúrbios não tratados. No Brasil, a ação é organizada pela Academia Brasileira do Sono (ABS) e está alinhada ao Dia Mundial do Sono, promovido pela World Sleep Society. A data é celebrada sempre na sexta-feira anterior ao equinócio da primavera. Este ano ela acontece de 14 a 20 de março. (A programação completa você confere clicando aqui).
“A Campanha Semana do Sono é um evento de grande relevância, pois oferece conhecimento baseado em evidências científicas à população, informando e educando a sociedade sobre a importância do sono de qualidade para o bem-estar físico e mental, além dos danos fisiológicos, comportamentais e sociais dos distúrbios de sono não diagnosticados e tratados adequadamente”, explica a especialista.
O primeiro evento ocorreu em 2004, em 11 cidades, com destaque para São Paulo. Desde então, a campanha se expandiu para todo o país. Este ano, estão previstas mais de 350 ações em todo o Brasil, incluindo 13 cidades baianas além de Salvador, com atividades educativas, ações públicas e palestras. A programação completa está disponível no site.
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