Fim de ano agrava a insônia? Congresso em Salvador reúne especialistas para explicar o fenômeno
Realizado entre quarta (3) e sexta-feira (5), Congresso Brasileiro do Sono traz pesquisas e soluções clínicas para distúrbios que crescem em dezembro
Divulgação/Assessoria
Por que o fim de ano piora o sono de tantos brasileiros? A combinação de estresse elevado, acúmulo de tarefas, hiperconectividade e mudanças emocionais típicas de dezembro altera diretamente o ritmo biológico e agrava quadros de insônia, um problema que atinge mais de 73 milhões de pessoas no país. Segundo a Academia Brasileira do Sono (ABS), o brasileiro dorme, em média, apenas 6,4 horas por noite, quadro que é ainda mais agravado em dezembro.
É diante desse cenário que o Centro de Convenções de Salvador sediará, a partir de quarta-feira (3), o Congresso Brasileiro do Sono. O encontro, que acontece até a próxima sexta-feira (5), reunirá especialistas para explicar o fenômeno e apresentar novas soluções clínicas para os distúrbios que mais crescem neste período.
Fim de ano: o que explica a piora do sono
Embora não seja reconhecida como diagnóstico médico, a chamada “síndrome do final do ano” — também conhecida como “dezembrite” — descreve um conjunto de sintomas que se tornam mais frequentes no período: queda no rendimento, irritabilidade, dificuldade de concentração, fadiga e noites mal dormidas. O acúmulo de obrigações e o aumento do cortisol, hormônio do estresse, prejudicam o funcionamento natural do ciclo do sono.
Para o presidente da ABS, Edilson Zancanella, o impacto é direto, e, com a privação recorrente de sono, outros fatores entram em desequilíbrio, como regulação emocional, tomada de decisão, resposta imunológica e até o metabolismo.
“Vivemos em permanente estado de alerta. O cérebro não desliga, e dezembro amplifica isso. Metas, prazos, cobranças emocionais e a hiperconectividade criam o cenário perfeito para o desastre fisiológico do sono. Quando a insônia se instala, ela não apenas rouba o descanso: altera humor, pressão arterial, metabolismo e a capacidade de lidar com o estresse”, afirma.
Ciência, tecnologia e terapias emergentes
Reconhecido como o maior evento científico da área na América Latina, o Congresso Brasileiro do Sono reunirá especialistas da ABS, da Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS) e da Associação Brasileira de Odontologia do Sono (Abros). Pesquisadores do Brasil e do exterior apresentarão estudos recentes e novas abordagens clínicas.
“Estamos trazendo ao Brasil uma discussão de altíssimo nível, que une ciência, tecnologia e cuidado humano. Em um mundo que vive cansado, atualizar-se para tratar o sono é uma urgência de saúde pública”, explica o médico Edilson Zancanella.
Entre os principais temas estão:
- uso de inteligência artificial no diagnóstico e tratamento;
- impactos positivos e negativos da hiperconectividade;
- uso clínico de canabinóides em distúrbios do sono;
- terapias comportamentais voltadas para insônia crônica;
- novas medicações, como o lemborexant;
- neuroestimulação aplicada ao sono;
- manejo atualizado de apneia, síndrome das pernas inquietas e distúrbios associados à depressão.
Tecnologia: vilã do sono e aliada dos tratamentos modernos
A tecnologia é um dos pontos centrais do debate. A exposição prolongada às telas atrasa a liberação de melatonina, reduz a qualidade do sono e fragmenta o descanso. Ao mesmo tempo, ferramentas digitais são hoje essenciais para diagnóstico e tratamento.
Algoritmos preditivos, dispositivos de monitoramento e sensores inteligentes ajudam a identificar padrões de distúrbios com maior precisão. Esses sistemas permitem tratamentos personalizados, que se tornam essenciais diante da complexidade dos quadros de insônia. Especialistas, porém, alertam para a necessidade de equilíbrio entre uso tecnológico e higiene do sono.
Quando dormir mal vira um problema de saúde pública
Dormir pouco — ou dormir mal — afeta praticamente todas as funções do organismo. Na avaliação dos especialistas, o sono deve ser tratado como um pilar fundamental da saúde, e não como algo acessório ou negociável. A ABS destaca que a privação de sono:
- prejudica a saúde emocional, agravando quadros de ansiedade e depressão;
- compromete memória, raciocínio e capacidade de aprendizado;
- aumenta o risco de hipertensão, arritmias e doenças cardíacas;
- favorece ganho de peso e resistência à insulina;
- reduz a imunidade e eleva a vulnerabilidade a infecções;
- aumenta o risco de acidentes no trânsito e no trabalho.
Bahia assume papel de destaque na ciência do sono
Presidente do congresso na Bahia, Cristina Salles reforça a importância da realização do evento em Salvador como “essencial”. A edição na capital baiana reforça o protagonismo da Bahia no debate nacional sobre saúde mental, tecnologia aplicada à medicina e qualidade de vida.
“Nós, baianos, estamos abraçando este congresso com a força, a competência e a sensibilidade que o tema exige. Este é um momento essencial para integrar evidências científicas, pesquisas e prática clínica em busca de soluções reais para quem convive com os distúrbios do sono. Nosso compromisso é claro: mostrar que é possível dormir melhor e viver melhor.”
Rayllanna Lima
Rayllanna Lima é jornalista e especialista em Marketing e Growth, movida pelo desejo de transformar dados em narrativas que informam, conectam e inspiram. Autora do livro Renascer, reúne experiências em veículos de comunicação, agências e empresas dos setores de energia e pesquisa de mercado, com foco em integrar pessoas, marcas e propósito.
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