Criolo critica desvalorização dos professores e detona: "Nossos jovens são tratados como lixo"

Artista acredita que processo de evolução do país está ligado à dignidade de jovens e educadores

Por Osvaldo Lyra e Vinícius Rebouças
18/05/2020 às 07h19
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Foto: Divulgação
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Com a propriedade de quem foi professor de Educação Artística no ensino fundamental paulista por 12 anos, o cantor e compositor Criolo detonou a crescente desvalorização da categoria no Brasil e ainda criticou o retrocesso em que a Educação se encontra no momento, definida por ele como "sabores modernos para antigas ideias".

"Tudo passa por educação. Quando você desvaloriza um professor, quando você detona um ambiente escolar, quando você trata com chacota a realidade que a desigualdade social oferece aos cantos mais frágeis do nosso país, você está fortalecendo a visão um planejamento de que a loucura continue aí. De que qualquer pessoa pode chegar aqui e dizer que é dono de tudo e vai ser do jeito dele. Não dá para ser assim", criticou.

Sem medo de cair em clichê, Criolo diz que a transformação passa pela educação e esta precisa vir "mais que urgente". "A valorização de uma nação passa pela valorização dos seus professores. É isso aí. Não se questiona isso. Tentar imaginar que você vai falar de educação e que está todo mundo igual, é uma crueldade total. O erro aí agora. Nossos jovens são tratados como nada. Como lixo. O processo de exclusão continua cada vez mais cruel e com cada vez mais ferramentas de exclusão", afirmou.

Para o artista é preciso "instigar" o jovem a aprender ao mesmo tempo em que se fortalece a classe educadora através da "dignidade". Porque, no entendimento dele, até mesmo uma alimentação correta gera resultados satisfatórios no que tange aprendizado.

"Isso é tudo muito bem pensado. Porque tudo está ligado à dignidade. Quando você a oferece ao cidadão, independente do quanto ele tem no bolso e do bairro onde ele mora, ele reflete isso nos filhos. Faz um jovem com condições de construir pensamentos, de questionar o que está ao redor", explicou.

"Não estamos falando de luxo aqui não, estamos falando do básico para uma pessoa se sentir cada vez mais instigada na busca por conhecimento. Quando um jovem se percebe consciente o suficiente para construirmos uma nação coesa", complementou.

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