Comércio estima 5 milhões de desempregados até o fim de abril

Empresários estariam passando por longos períodos de vendas fracas, o que impediria pagamento de impostos

Por Redação
20/03/2020 às 10h55
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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Após três dias de isolamento voluntário da população e em meio às ordens para fechamento de shopping centers ao redor do país, os varejistas refazem as contas, renegociam pagamentos a fornecedores e dizem que, inevitavelmente, começarão a demitir seus funcionários a partir da semana que vem.

De acordo com o jornal Estado de S.Paulo, estimativas de entidades patronais, como a Associação Brasileira das Lojas Satélites (Ablos), que reúne as lojas maiores dos shoppings, e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), falam em até 5 milhões de desempregados no comércio pelo País, até o fim de abril.

Os empresários já vêm de um longo período de vendas fracas e não têm, neste momento, caixa para manter impostos, aluguel de ponto e folha salarial com os empreendimentos fechados. "A situação já estava péssima, agora ficou dramática", disse Paulo Solmucci, da Abrasel, à publicação paulista.

Já Tito Bessa Júnior, da Ablos, afirmou, também ao Estadão, que o capital de giro dos comerciantes mal consegue suprir um mês fraco de vendas, o que dirá cinco semanas sem faturamento - a maioria das ordens de fechamento vão da semana que vem até o fim de abril. 

"Eu mesmo vou demitir cerca de 40% dos meus funcionários a partir da semana que vem", contou ele, que também é dono da rede TNG, com 170 lojas e 1.600 funcionários. "Acabei de encerrar o contrato com a empresa de limpeza, hoje (ontem) já cortei o pessoal que presta serviço para o TI e, na semana que vem, vou ter de dispensar 500 pessoas das operações das lojas", acrescentou.

Segundo Bessa Júnior, os shoppings centers empregam direta e indiretamente 4 milhões de pessoas pelo Brasil. Se a situação permanecer como está, a tendência é que a metade seja liberada pelas empresas. 

"Eu estou há três dias conversando com lojistas e todos dizem que vão cortar 50%, 40%. Alguns vão dar férias coletivas primeiro, mas a partir de abril não tem o que fazer", conta.