Especialista afirma que avanços no tratamento do Parkinson melhoram qualidade de vida

Convidado do Podcast do M!, Pedro Antônio diz que progressos científicos possibilitam aos pacientes boa convivência com a doença durante anos

Por Bruno Brito e Bruna Ferraz
16/07/2022 às 14h00
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Foto: Divulgação
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Embora incurável, a Doença de Parkinson conta com importantes avanços no tratamento, que  possibilitam o aumento na qualidade de vida dos pacientes, conforme o neurologista do Hospital Aliança/Rede D'Or, Pedro Antônio, convidado desta edição do Podcast do Portal M!.

Segundo ele, houve uma mudança muito significativa - e para melhor - nos últimos anos. "Se comparamos o indivíduo que hoje tem o diagnóstico com outro nas mesmas condições há cerca de 20 ou 30 anos, é totalmente diferente", garante.

De acordo com o especialista, a principal diferença é que atualmente existe um arsenal maior de medicamentos e tratamentos que melhoram os sintomas e a qualidade de vida de quem tem a doença, permitindo que o indivíduo conviva bem com o diagnóstico durante anos.  

"Sendo assim, no que tange ao tratamento sintomático, como tremores e lentidão de movimentos, melhoramos a qualidade de vida desse paciente", aponta.

No entanto, o neurologista explica que a abordagem médica varia de acordo com o estágio da doença. "Temos diversas opções, desde indivíduos que estão no inicio da doença até aqueles que vão evoluindo ao longo dos anos, hoje podemos dizer até décadas, que avançam a intensidade dos sintomas, e podemos oferecer outra forma de tratamento", pontuou.

 

Tratamento cirúrgico

Pedro Antônio também falou sobre a cirurgia, reservada para um grupo pequeno de pacientes, porque a grande maioria se beneficia apenas do tratamento clínico.

"Popularmente é conhecido como um marcapasso cerebral, que estimula determinada área do cérebro e faz com que haja uma melhora desses sintomas do Parkinson. É uma estimulação cerebral profunda. Coloca-se um eletrodo em uma região especifica que está relacionada a alguns sintomas do Parkinson, e que a estimulação faz com que haja a melhora", explicou.

Segundo o especialista, a cirurgia não representa a cura, mas sim um recurso terapêutico que traz benefícios e melhora clínica aos pacientes. "E quando indicado, vai melhorar a qualidade de vida. Isso permite que a gente reduza, muitas vezes, o tratamento farmacológico, a quantidade de drogas", enfatizou.

No entanto, ele fez questão de ressaltar que não são todos os pacientes que poderão realizar o procedimento cirúrgico.

"Muitos têm o diagnóstico e acham que já devem fazer a cirurgia, porque vai curar, deixar livre, mas não é bem assim. É necessário avaliar em que momento da doença aquele paciente se encontra, para ver se tem indicação, e havendo, fazemos esse tratamento", explicou.

Ele também chamou atenção para a possibilidade de complicações. "Por ser um tratamento cirúrgico, não podemos esquecer das complicações, como alterações comportamentais e até neurocognitivas", alertou.

 

Recomendações aos pacientes

Por fim, o médico ressaltou a importância de o pacientes já diagnosticados com Parkinson  realizarem o acompanhamento com um neurologista que saiba tratar da doença.

"Isso é muito importante. E lembrar também que o tratamento farmacológico é importante. Já para aqueles que possam vir a ter [a doença], não é pensar que a vida acabou, temos muito a oferecer, tratamentos farmacológicos, não farmacológicos, que melhoram a qualidade de vida", destacou.

As recomendações também se estenderam àqueles que convivem com pessoas com o diagnóstico da doença. Nestes casos, o neurologista aponta que é importante dar todo suporte físico e psicológico a essas pessoas.

"É algo que vai variar [a necessidade desse suporte] diante do estágio da doença, que é crônica, degenerativa, mas temos muito a oferecer a esses pacientes", concluiu.  

 

Confira o podcast na íntegra: