Neurologista alerta para os sinais que antecedem os sintomas motores da Doença de Parkinson

Pedro Antônio, médico da Rede D'Or e convidado do Podcast do M!, aponta que distúrbios do sono e alteração no olfato merecem atenção

Por Bruno Brito e Bruna Ferraz
16/07/2022 às 08h00
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Foto: Divulgação
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Apesar de, em geral, ser associada à população de idosos, a Doença de Parkinson pode se manifestar antes dos 50 anos em 10% a 20% dos casos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Exemplo disso é o caso da jornalista Renata Capucci, repórter do Fantástico (Globo), que recentemente anunciou no podcast do programa que foi diagnosticada com a doença aos 45 anos. Hoje, ela tem 49.  

A revelação gerou grande repercussão, o que reforçou a importância de falar sobre a enfermidade, que é neurodegenerativa. O neurologista do hospital Aliança/Rede D'Or, Pedro Antônio, convidado desta edição do Podcast do Portal M!, chama atenção também para um ponto que muita gente desconhece: há sinais de alerta que podem surgir antes dos sintomas motores do Parkinson.

"O que mais chama atenção são os sintomas motores, mas a Doença de Parkinson, ao contrário do que as pessoas pensam, não tem apenas sintomas motores, e muitas vezes sintomas não motores precedem os motores. Algo que sempre chamamos atenção é o distúrbio do sono, que pode preceder sintomas motores, a alteração do olfato... Alguns estudos mostram que antes de ter esses sintomas motores, indivíduos já demonstram alteração no olfato", explicou.

O especialista alerta que esses sinais devem ter a atenção de quem os observa, sobretudo pela possibilidade de um diagnóstico precoce do Parkinson, fundamental para retardar a evolução da doença.

"É um desafio. Esses sintomas são uma janela para o indivíduo ter o tratamento antes de desenvolver os sintomas motores. É claro que essa janela é diferente dos que focam na função motora, mas são tratamentos que evitam que o individuo desenvolva a versão incapacitante da doença", explicou.

De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em junho deste ano, a prevalência da Doença de Parkinson dobrou nos últimos 25 anos. Estimativas globais de 2019, último registro atualizado, mostram que cerca de 8,5 milhões de indivíduos vivem com a enfermidade no mundo. No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas têm a doença.

Segundo o especialista, o Parkinson pode ser entendido como uma doença neurodegenerativa que acomete o sistema nervoso central, sendo responsável por uma série de sinais e sintomas bem característicos.

"O Parkinson é uma doença em que o paciente vai piorando progressivamente ao longo do tempo. Mas isso não significa que não há tratamento, e a gente tem evoluído muito nisso. Não tem um fator único, o que sabemos é que existem algumas situações para que o indivíduo venha a desenvolver a Doença de Parkinson, sendo que o principal é a questão da idade. É uma doença que acomete indivíduos mais velhos, idosos, e eventualmente temos também o acometimento de indivíduos mais jovens", explicou.

Com relação aos casos envolvendo a população adulta, o neurologista ressalta que estão relacionados a pessoas que possuem histórico familiar ou alteração genética.

"Principalmente aquele com familiar com a Doença de Parkinson que também tenha começado jovem, antes dos 60 anos de idade. Isso também fala a favor de que aquela família deve ter alguma alteração genética que predispõe à doença", completa.

O especialista ressalta que nos casos de pessoas com histórico familiar, é fundamental ficar atento a sinais como "tremor, que é o que mais chama atenção, além da dificuldade de realizar movimentos, a lentidão de movimentos, um pouco de enrijecimento nas juntas".

 

Fatores de risco

O neurologista observa que o principal fator de risco é a idade, ou seja, indivíduos mais velhos e idosos têm mais chance de desenvolver o Parkinson. No entanto, ele ressalta que existem também  fatores ambientais e genéticos.

"Existem indivíduos geneticamente determinados, então temos uma prevalência maior em membros da mesma família e [neste caso, a doença] acomete indivíduos mais jovens. Além da idade e dos fatores genéticos, fatores ambientais existem, como exposição a algumas substâncias, alguns agrotóxicos", apontou.

 

Confira o podcast na íntegra: