Câncer de rim afeta duas vezes mais homens do que mulheres

Urologista Lucas Batista alerta sobre a importância da realização de exames de rotina  

Por Redação
21/06/2022 às 07h30
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Foto: Divulgação
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O câncer nos rins, também conhecido por câncer renal, é o terceiro tipo mais frequente do aparelho geniturinário (órgãos genitais e urinários). Representa cerca de 3% dentre todos os tipos de tumores malignos em adultos no mundo e também é um dos mais agressivos.

O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Rim, celebrado nesta terça-feira (21), reforça o objetivo de alertar a população sobre a necessidade e importância do diagnóstico precoce da doença para obter melhores chances de cura e promoção da qualidade de vida do paciente.  

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a incidência estimada da doença é de 7 a 10 casos para cada 100 mil habitantes no Brasil.

Em sua fase inicial, o câncer de renal não apresenta sintomas, o que leva a maioria dos pacientes a descobrir o tumor por acaso, seja durante a realização de exames de imagem, como ultrassonografia e tomografia, ou durante um check-up de rotina ou para investigar outras suspeitas. Em cerca de 90% dos casos, o tumor é diagnosticado na fase inicial.

No entanto, quando a doença é detectada na fase avançada ou metastática, as chances de cura são bem menores. Essa preocupação se dá, sobretudo, por conta da neoplasia renal, que apresenta uma alta mortalidade com cerca de 134 mil óbitos por ano no mundo.

"Quando detectada em estágio avançado, a doença se manifesta por meio de sangue na urina, dores nas costas, fadiga constante, perda de peso e nódulo palpável na parte lateral das costas", afirma o chefe do Serviço de Urologia da Universidade Federal da Bahia, Lucas Batista. 

 

Fatores de risco

Duas vezes mais frequente nos homens no que em mulheres, o câncer renal também possui maior predisposição entre as pessoas acima de 50 anos.

Em geral, os principais fatores de risco para a doença são o tabagismo, obesidade, hipertensão arterial, insuficiência renal terminal e histórico familiar, bem como algumas síndromes clínicas raras, presença de doença renal cística adquirida, uso prolongado de analgésicos não esteroides e exposição ocupacional a alguns agentes como cádmio e derivados de petróleo, entre outros.  

 

Tratamentos possíveis

Em estágio inicial, a cirurgia é o único tratamento com cura definitiva para o câncer de rim. Segundo o urologista Lucas Batista, as abordagens mais comuns são a cirurgia laparoscópica ou robótica, que garantem a preservação do órgão. Nestes métodos, apenas o tumor é retirado e o paciente permanece com o rim funcionando sem maiores modificações.  

A cirurgia robótica apresenta benefícios, pois a visão é ampliada em dez vezes em 3D, além do cirurgião poder operar com os quatro braços robóticos. "Esta técnica permite a retirada do órgão com pequenas incisões, alta mais precoce, menos dor e um retorno mais precoce às atividades do cotidiano", explica Lucas Batista.

Já para tumores menores, em casos específicos, também podem ser indicados métodos de tratamento que levam à destruição tumoral por meio do congelamento (crioterapia) ou do calor (radiofrequência).

Entretanto, para casos de tumores mais avançados e com metástase, o tratamento costuma ser realizado com sessões de quimioterapia ou radioterapia com o objetivo de frear o avanço da doença.