Vixe! Quarta onda da pandemia e os riscos para o São João. O novo sorriso de Jerônimo e a empolgação do PT. E mais, a debandada de prefeitos e a campanha de ACM Neto 

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Por Osvaldo Lyra e equipe
08/06/2022 às 08h57
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Foto: Arte/Haron Ribeiro
Foto: Arte/Haron Ribeiro

Aumento dos casos da Covid-19 são subnotificados 
O aumento dos casos da Covid-19 nas últimas semanas aponta para o surgimento de uma nova onda da doença no Brasil. Em Salvador e nas cidades do interior baiano, o que se vê, sobretudo nos últimos dias, é o crescimento dos casos de pessoas com sintomas gripais e infectadas pelo coronavírus. No entanto, a falta de incentivo público para a testagem na população, aliada ao aumento da venda dos testes rápidos nas farmácias, leva a crer que já há uma subnotificação da doença. A médica cardiologista Ludhmila Hajjar disse essa semana, em entrevista à GloboNews, que "estamos começando a viver a quarta onda da pandemia".

Ludhmila Hajjar

Subnotificação e os festejos do São João 
Mas uma pergunta volta e meia permeia as rodas de conversa: por que não retornar a obrigatoriedade do uso de máscaras e por que o crescimento dos números não é expressado nas estatísticas dos órgãos oficiais? Primeiro, porque os governantes, ou a maioria, não querem criar uma situação de alarme nessa fase que antecede os festejos juninos, principalmente na região Nordeste, pois temem que os investimentos milionários nas festas de Santo Antônio, São João e São Pedro sejam impactados por uma nova onda ou até mesmo uma nova variante do vírus. E mais: Pra completar o cenário preocupante, é alarmante o número de pessoas que não tomaram a terceira dose da vacina e, portanto, não estão com o esquema vacinal completo, o que aumenta ainda mais os riscos de novas medidas restritivas serem colocadas em prática. Que cada um faça sua parte nesse processo, que é coletivo, e que a gente não retroceda. A pandemia não acabou. 


Aceitação de Jerônimo empolga aliados 
Integrantes de partidos da base governista na Bahia dizem já ser possível perceber o crescimento da aceitação do candidato Jerônimo Rodrigues em todo o estado. Eles avaliam que o discurso do candidato ACM Neto de que haverá uma debandada após de encerrar o prazo para liberação de recursos e formalização de convênios não se sustenta na prática. O entendimento na base do governo é que não haverá debandada de prefeitos e lideranças políticas, como propagandeado pelos oposicionistas. "O que pode ter é um troca-troca no varejo, mas no atacado não", disparou um dirigente partidário da ala ligada ao PT, ao enfatizar que o postulante do União Brasil "não conseguiu materializar o otimismo dessa sonhada mudança entre os governistas". 

Jerônimo Rodrigues

Sem debandada na base 
A força do ex-presidente Lula no estado também é usada como argumento para frear essa possível debandada. Isso, aliado à força da máquina do governo e suas ações pela Bahia. "Eles (oposicionistas) dizem que os prefeitos estão armando pra assinar os convênios agora com o PT pra depois mudar de lado e esperar ACM Neto pagar, ao assumir, o que não se concretizará", como completou outro dirigente partidário. 

Luís Inácio Lula da Silva

Água no pescoço de Cacá 
Os governistas ouvidos pela coluna disseram ainda que o deputado federal Cacá Leão, quando substituiu o pai João Leão na vaga ao Senado, teria negociado com a cúpula nacional do seu partido, o PP, que é ligado ao presidente Jair Bolsonaro, que a candidatura da médica Raíssa Soares seria retirada pra não tirar votos dele, o que parece também que não vai acontecer. "A água já está batendo no pescoço de Cacá e não há nem sinal da retirada da candidatura do PL. Ainda mais que a doutora Raíssa tem crescido muito e se tornado uma alternativa real para o Senado, já que o progressista não decola", como disparou um petista, destacando a força da candidatura à reeleição do senador Otto Alencar. 

Cacá Leão

A onda pró ACM Neto
O líder da oposição na Assembleia Legislativa, deputado Sandro Régis, disse ontem que há uma verdadeira onda pró-ACM Neto em toda a Bahia. De acordo com ele, o movimento se assemelha ao período que levou o ex-governador Waldir Pires ao poder. A diferença agora é que, além da força popular, há um movimento de apoio irrestrito de prefeitos e lideranças políticas. "São mais de 200 prefeitos que já declararam voto publicamente ao nosso candidato", enfatizou o deputado. 

ACM Neto

A maior traição ao PT do país 
O líder da oposição afirmou ainda que "o governo do PT vai sofrer a maior traição da política brasileira", quando encerrar o prazo para assinatura de convênios. Segundo ele, muitos prefeitos estão próximos à máquina do PT "por interesse nos contratos e recursos para seus municípios. "Tem prefeito que visita ACM Neto antes de se reunir com o governador e afirma que vai manter o discurso por causa dos convênios, mas, com certeza, votarão com o nosso candidato", afirmou. 


O novo sorriso de Jerônimo
A equipe que cuida do marketing da campanha do pré-candidato do PT ao governo baiano, Jerônimo Rodrigues, agiu rápido para melhorar a imagem do ex-secretário de Educação do estado. Nos últimos dias, as fotos divulgadas dos eventos com o petista mostravam seu sorriso com falhas nos dentes, o que poderia ser facilmente resolvido com procedimentos estéticos, como a utilização de lentes de contato. O resultado já pode ser percebido de forma imediata, como na primeira aparição pública que o petista fez durante o Programa de Governo Participativo (PGP), no bairro de Periperi, em Salvador. Pelo visto, o procedimento realmente deu um "tapa no visual" de Jerônimo, que apareceu com o sorriso novo. 


Golpe na Ufba? 
Informações chegadas à coluna Vixe ontem davam conta que os candidatos derrotados na disputa pelo comando da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Fernando Conceição e Célia Sacramento, estariam se articulando para serem indicados pelo presidente Jair Bolsonaro como reitor e vice da instituição de ensino. Isso, mesmo depois deles tendo sido derrotados na consulta à comunidade acadêmica, que registrou 98,3% dos votos em apoio à chapa encabeçada por Paulo César Miguez (reitor) e Penildon Silva Filho (vice-reitor).

Com a palavra, Bolsonaro 
A apuração da consulta contabilizou 10.351 votos, dos quais 10.172 foram para a chapa liderada pelo professor Paulo Miguez, atual vice-reitor da universidade. Agora, o resultado  segue agora para o Conselho Superior da instituição, que organizará a lista tríplice que será submetida ao Ministério da Educação e aguardará a palavra final ser dada pelo presidente da República.

Jair Bolsonaro

O sonho de juntar Neto e Bolsonaro 
Tem algumas pessoas ligadas ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que alimentam o desejo de ver o ex-ministro da Cidadania, João Roma, longe da disputa ao governo do estado. O entendimento é que a saída de Roma do páreo facilitaria a vida de Neto, já que eles dialogam com a mesma base de centro-direita, contribuindo para uma eventual vitória sua já no primeiro turno na Bahia. Essa estratégia contribuiria ainda para o fortalecimento do presidente Bolsonaro no estado. 

ACM Neto e Bolsonaro

Bolsonarista light
No entanto, na visão desses apoiadores, para viabilizar a aliança, o Republicanos (que deve indicar a vice na chapa de Neto) indicaria a deputada estadual Talita Oliveira que, apesar de ser bolsonarista de carteirinha, não tem o perfil tão radical como o da ex-secretária de Saúde de Porto Seguro, Raíssa Soares. O problema é que o próprio Neto não quer nenhuma vinculação com Bolsonaro e seus apoiadores na primeira fase do pleito. As pesquisas quantitativas e qualitativas mostram que o ex-prefeito perde mais do que ganha com essa operação política. 

Talita Oliveira


Importunação turística 
A importunação turística praticada por pseudo-vendedores ambulantes continua sendo um dos principais problemas do Centro Histórico de Salvador. Essa semana a cantora Ludmilla divulgou em suas redes sociais que foi obrigada a pagar R$ 50 por uma bijuteria de resina vendida por um homem. "Um cara me botou esse cordãozinho e cobrou R$ 50. Eu dei para ele os R$ 50, né", disse a cantora, que se apresentou em um evento privado na cidade e aproveitou para passear pelo Pelourinho, na capital baiana. 

Ludmilla no Pelourinho

Problema afasta baianos e turistas  
Além de ser praticamente obrigada a comprar a bugiganga, Ludmila teve o corpo "decorado" com os tradicionais desenhos tribais que lembram as pinturas utilizadas pelos músicos da banda Timbalada. "Em frações de segundos tirando fotos com os fãs, olha como eu fiquei ??", escreveu. Na verdade, o depoimento bem-humorado da cantora expõe um problema grave, que afasta baianos e turistas, como pode ser percebido nos milhares de comentários do Trip Advisor, especializado em viagens. O empresário José Iglesias, da Ache, associação que reúne os empresários do Centro Histórico de Salvador, diz que a mudança desse cenário depende da decisão do poder público de atuar com mais rigor para separar o joio do trigo, ou seja, os verdadeiros vendedores ambulantes dos importunadores que só querem extorquir quem anda por ali.

José Iglesias