Diagnóstico de TDAH cresce na pandemia após pacientes relatarem sintomas de depressão e ansiedade

O neurologista Ivar Brandi, convidado do Podcast do M!, afirma que a emergência sanitária levou mais pessoas aos consultórios médicos

Por Nicolas Melo
21/04/2022 às 15h00
  • Compartilhe
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

No primeiro ano da pandemia de Covid-19, em 2020, a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou em 25%, de acordo com um resumo científico divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em março deste ano, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Para o neurologista Ivar Brandi, o cenário já era ruim antes no Brasil, mas a pandemia levou as pessoas a falarem mais sobre as doenças mentais. 

"O que aconteceu no Brasil? O Brasil já tinha, antes da pandemia, um cenário muito ruim. A gente tinha uma alta prevalência de depressão e ansiedade. Com a pandemia, ficou um pouco pior. Antes, falava-se muito da prevenção de doenças cardiovasculares e outros, mas a saúde mental era muitas vezes negligenciada. Com a pandemia, esses assuntos ficaram mais evidentes no dia a dia. As pessoas estão mais atentas", pontuou Brandi, em entrevista ao editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra.

O especialista ainda chamou a atenção para pessoas que, neste período pandêmico, procuraram a ajuda de médicos para diagnóstico após uma crise de ansiedade ou depressão, mas que na verdade sofrem de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) desde a infância.

"A incidência de depressão e ansiedade aumentou muito e, muitas vezes, uma pessoa com TDAH nos procura por causa de crise de ansiedade. Na avaliação [do paciente], a gente observa que ela traz um histórico desde a infância, desde a adolescência, de ansiedade, de baixa autoestima associada, como consequência, ao déficit de atenção", explicou Ivar Brandi.

Pessoas que descobrem ter o TDAH, mesmo na fase adulta, têm chances de controlar os sintomas se receberem acompanhamento médico e tratamento.

"Ter controle sobre os sintomas envolve um processo de autoconhecimento. Por isso a terapia cognitiva comportamental, que é uma forma de psicoterapia, é fundamental no tratamento, porque a gente só vai tratar de forma medicamentosa o TDAH se esses sintomas causarem impacto no dia a dia da pessoa", pontuou Brandi.

"Às vezes, no momento de lazer, são pessoas que não conseguem se desligar, estão sempre com o pensamento acelerado, sempre buscando uma ocupação justamente porque não dão conta de tantas tarefas no ambiente de trabalho e pessoais. Mas a terapia cognitiva comportamental é fundamental para o autoconhecimento, para a pessoa poder modular as suas emoções e evitar o impacto dessas características no dia a dia", acrescentou. 

Por ser uma doença crônica de causas genéticas, o médico Ivar Brandi orienta a população a prestar a atenção em alguns pontos.

"A primeira orientação é: se você tem uma criança na família que tem o diagnóstico de TDAH e se identifica com algumas das condições, como déficit de atenção, dificuldade de manter a concentração ou tem um quadro de ansiedade ou de impulsividade, vale a pena procurar a avaliação neurológica ou psiquiátrica para fazer uma pesquisa e saber se esses sintomas estão relacionados ao TDAH", explicou.

Pais que têm dúvidas sobre a condição dos filhos podem procurar a ajuda de um pediatra, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS) - em caso de necessidade, o médico pode encaminhar o paciente a uma unidade especializada.

Demais orientações e esclarecimentos sobre o TDAH podem ser consultadas também no site da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), que contém também grupos de apoio. 

Leia também:

Especialista explica o que é TDAH, como se manifesta e como identificar em adultos

Confira a íntegra do podcast: