Educadora financeira dá dicas de como sair do vermelho: 'O problema não é o quanto você ganha, mas o quanto você gasta'

Lis Grassi explana como projetar uma vida financeira de qualidade 

Por Laerte Santana
12/01/2022 às 10h57
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Foto: Foto Reprodução/Instagram/Lis Grassi
Foto: Foto Reprodução/Instagram/Lis Grassi

Corda no pescoço? As contas não estão batendo? Ano Novo, vida nova! Saiba como fugir da bola de neve e se tornar um investidor com as dicas da educadora financeira, Lis Grassi. A profissional participou de uma entrevista com o editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, na rádio Nova Brasil FM, nesta quarta-feira (12), e explicou quais os primeiros passos para gerir uma vida de qualidade, através da educação financeira.

O que muita gente sabe é que com "planejamento" as coisas correm sérios riscos de darem certo. A partir deste ponto, Lis Grassi resume que a educação financeira funciona como uma prática de concretizar objetivos e metas. Ela define três perfis de público: o que gasta mais do que ganha; quem gasta o mesmo que ganha; e quem gasta menos do que ganha.

O primeiro perfil é daquela pessoa que vive endividada, o segundo é de quem não tem dívida, mas também não tem reserva, já o terceiro é o da pessoa que se planeja e consegue realizar seus sonhos. E aí, qual perfil você se encontra? A dica primordial da profissional é: "o problema não é o quanto você ganha, mas o quanto você gasta". Por isso, fazer a auto análise é um dos primeiros passos para ter qualidade de vida financeira.  

Saindo do vermelho

Para sair do vermelho é preciso pensar no futuro, traçar um plano básico financeiro de acordo com a sua realidade, como indica Lis Grassi. "É preciso identificar quais são suas despesas básicas, quanto precisa para sobreviver pagando as contas e o quanto ganha. Em casos de dívidas, priorizar o pagamento de contas que vão gerar redução do valor, como o exemplo de IPTU, que no começo do ano as cidades costumam dar descontos, é o ideal, ou seja, pagar o que vai te dar bônus, e optar pelo parcelamento daquelas que vão gerar menos juros".

Para Lis, a análise dos custos mensais é fundamental. "Você também pode identificar de onde poderia cortar gastos, para sair do vermelho. Fazer sacrifícios, para começar a quitar as dívidas do passado. Ter um estabelecimento de metas, de como pode reduzir custos e quitar as dívidas até determinado períodos", completou.

A investidora financeira ainda alerta sobre o cartão de crédito. "Esta opção pode ser aliada, mas na maioria dos casos é um vilão, porque o dinheiro não está saindo do seu bolso, de sua conta, você se deixa levar pela falsa ideia de ter dinheiro. Cartão é um dinheiro que não é seu. Passou o cartão, é como se você tivesse acabado de fazer um empréstimo", ressalta em tom de cautela.

Reserva financeira

Para quem está saindo da fase de quitação de dívidas, a reserva financeira é o próximo passo. Para quem nunca teve, esse planejamento também é primordial. "Qualquer pessoa que começa a trabalhar, a gerar renda, a reserva financeira é o primeiro passo, porque ela vai te poupar de possíveis desgastes. A reserva te deixa preparado para imprevistos", explica Grassi.

A profissional recomenda que a reserva seja de no mínimo três meses do valor de despesas básicas. "Se hoje você ganha cinco mil, o ideal da reserva seria de 15 mil, para você ter um descanso, um tempo para respirar e se reorganizar caso algo aconteça. Para autônomo, essa reserva deve ser ainda maior, de pelo menos seis meses".  

"Quando se fala de reserva financeira ou de emergência, isso é para imprevistos e também oportunidades. Muitas vezes surge a oportunidade de fazer negócios e essa reserva pode ser um suporte. Depois de ter sua reserva, o próximo passo é poupar para planos futuros, de curto, médio ou longo prazo, desde a uma viagem, compra de carro, até a aposentadoria", acrescentou.

Outras dicas

Aposentadoria: Para aqueles que pensam em uma aposentadoria segura, a profissional enfatiza que a hora de se planejar é agora. A previdência privada é um dos caminhos para um futuro tranquilo e saudável. "Quanto mais cedo começar a investir nessa direção melhor, o resultado lá na frente vai ser excelente, porque o dinheiro acumula, o juros rende, e o montante vai ser maior".

Investimentos: Entender seu perfil é fundamental para dar o passo ao mundo dos investimentos. Segundo Lis Grassi, inicialmente, começar no perfil conservador, com renda fixa, é o essencial. Depois quando tiver uma gordurinha dos primeiros investimos é hora de arriscar em rendas variáveis. A profissional ressalta que aquelas pessoas que não gostam de estudar sobre a área, é preciso ter alguém de confiança em seu acompanhamento.

Criptomoedas: De acordo com Lis esta é uma área promissora, mas é preciso ter cuidado. "Não recomendo investir em criptomoeda a curto prazo, porque a longo prazo o rendimento é maior, a probabilidade de dar certo é grande. Mas claro, é necessário consultar profissionais do mercado, que vão fazer análises sobre a existência da moeda, o fundamento e projeção gráfica que vai dar perspectiva de investimento", disse.   

 

Entrevista completa: