Vixe! Nilo se movimenta e irrita aliados de Neto. O PL baiano entre a cruz e a espada. E o MDB, de partido leproso a noiva cobiçada

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Por Osvaldo Lyra
05/01/2022 às 08h21
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Foto: Arte/ Haron Ribeiro
Foto: Arte/ Haron Ribeiro

O jogo de Marcelo Nilo

Voltou a circular com força na última semana a especulação de que o deputado federal Marcelo Nilo estaria se movimentando (de novo) para tentar mudar de lado na política e se viabilizar na vaga de vice ou no Senado na chapa do candidato ACM Neto (DEM/UB). Filiado ao PSB e ligadíssimo ao candidato do PT, Jaques Wagner, Nilo já teria reaberto diálogo com caciques do grupo oposicionista e estaria se movimentando forte para concretizar a mudança. 

O início da debandada? 

Do lado do DEM ninguém fala abertamente sobre o assunto, mas a estratégia de aceitar Marcelo Nilo serviria para demonstrar que o grupo encabeçado pelo PT não é mais tão interessante como outrora, se configurando como "o início da debandada" dos aliados do petismo no estado. "Se Nilo sair é porque o barco está afundando", como disse ontem um integrante do DEM na Bahia. 

Marcelo Nilo 

Ciumeira entre aliados de Neto

Um dos maiores entraves para Marcelo Nilo levar a sua estratégia adiante é a dificuldade de encontrar um partido que possa lhe abrigar. O que se comenta no grupo oposicionista é que o ex-presidente da Assembleia não tem peso suficiente para bancar essa operação sozinho. Tanto que ele evita falar sobre o assunto. Na verdade, a volta dessa especulação fez com que dirigentes de partidos aliados a Neto mandassem recados de que estão chateados e não aceitarão a mudança de forma pacífica. Tem muito partido querendo espaço na chapa sem ter condição para isso. 

 

ACM Neto


O PL entre a cruz e a espada 

A entrada do presidente Jair Bolsonaro no Partido Liberal tem gerado um clima de "Deus nos acuda" entre os integrantes da sigla na Bahia. Os liberais gostariam de marchar com o presidente da República na disputa pelo Palácio do Planalto, mas queriam ver mantida a aliança construída pelo dirigente estadual, José Carlos Araújo, com o candidato ao governo pelo DEM/UB, ACM Neto. Como o ministro da Cidadania, João Roma, deverá se lançar candidato para defender o legado de Bolsonaro, o romance com o ex-prefeito de Salvador, que já dura quase quatro anos, deverá caminhar para o fim. 


Roma vai sozinho? 

A dúvida é se o presidente Bolsonaro atrairá mais partidos para sua base ou se marchará sozinho na Bahia. Na verdade, muitos integrantes do PL querem saber se o ministro da Cidadania se lançará candidato pelo Republicanos ou por outro partido aliado. Até porque "uma andorinha só não faz verão". Com uma única legenda, dificilmente Roma passará dos 10% devido à falta de capilaridade na capital e interior e de tempo de televisão.  

João Roma

E o Republicanos 

Pelo que se comenta à boca pequena na Praça Municipal de Salvador, a única forma de os integrantes do partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) permanecerem no barco de ACM Neto é se ocuparem espaço na chapa majoritária. Caso não sejam comtemplados, como quer o presidente estadual da sigla, bispo Márcio Marinho, poderão se viabilizar como uma alternativa aos planos do chefe da nação e dar guarida aos planos de Roma em outubro desse ano. A decisão estava prevista para o final de novembro. No entanto, o ano acabou e os republicanos continuaram observando o cenário, sem se posicionar sobre o assunto. 

De leproso a cobiçado 

Os dirigentes do MDB na Bahia, Lúcio Vieira Lima e Alessandro Futuca, continuam conversando com os principais atores da política baiana sobre qual rumo seguir na eleição deste ano. Aliada de ACM Neto e Bruno Reis no plano municipal, a legenda passou a ser cobiçada pelo senador Jaques Wagner e pelo ministro João Roma, devido ao tempo de programada no rádio e na TV e a capilaridade que possui nos quatro cantos da Bahia. É sempre bom lembrar que na eleição passada o MDB foi considerado um partido "leproso". Ninguém queria ter por perto. 

Lúcio Vieira Lima

Os namoros do MDB

Na base petista, o que se comenta é que o fortalecimento do MDB deixa eles com o apetite ainda mais voraz para futuras negociações, que podem render espaços já no governo Rui Costa e num eventual governo Wagner; no governo Bolsonaro ou ainda na gestão Bruno Reis na capital baiana. Ou seja, vão pra onde houver uma proposta mais interessante, onde puderem atuar mais, até porque, com a imprevisibilidade dessa eleição, fazer uma escolha a essa altura do campeonato é um verdadeiro tiro no escuro. A conferir. 


O PDT, Neto e as várias candidaturas

A situação do PDT na Bahia aparentemente está bastante confortável para a próxima eleição. A meta do partido é trabalhar para fortalecer o nome de Ciro Gomes ao Planalto, ajudar a eleger ACM Neto ao governo e formar uma ampla bancada de deputados estaduais e federais pela sigla. No seio pedetista existe a compreensão de que não dá pra exigir, por exemplo, que Neto abrace seu candidato, pois ele ainda não se consolidou nas pesquisas com dois dígitos. Como Neto tem mais de 40%, ele seria puxado para baixo, o que ninguém almeja ver. Por isso, a ideia de liberar geral e ter vários candidatos à presidência agrada tanto a todos. 

Por que Ciro não decola?

Um dos candidatos mais preparados para a próxima eleição presidencial, o pedetista Ciro Gomes se vê vítima do próprio veneno. Conhecedor dos problemas do país e das possíveis soluções para os gargalos que travam o nosso desenvolvimento, Ciro esbarra seu crescimento na sua própria intempestividade. No imaginário da população e no meio político o temor é o mesmo: qual e quando será o próximo piti que ele dará daqui até a eleição. Quem viver verá!  

Ciro Gomes

Um partido competitivo

O PDT na Bahia se tornou um partido competitivo para a próxima eleição para a Câmara Federal e para a Assembleia Legislativa. A previsão é que a sigla eleja três deputados federais com a possibilidade de viabilizar, até mesmo, o quarto colocado. Com expectativa de ter aproximadamente 100 mil votos, deverão ser eleitos com facilidade o presidente do partido, Félix Mendonça Júnior, e o secretário de Saúde de Salvador, Leo Prates. 

Com os votos de legenda, a expectativa é que elejam mais um federal. E, segundo informação obtida com um cacique de DEM/UB, haveria um acordo para que ACM Neto (caso seja eleito) ou Bruno Reis (caso a oposição perca) chame um pedetista para integrar o Poder Executivo, abrindo espaço, assim, para a ascensão do quarto mais votado pela sigla, que pode ganhar um mandato em Brasília com apenas 40 mil votos. 


Acordão entre Neto e o PT?

Esse é um assunto que soa estranho toda vez que a gente ouve falar, mas, me permito a voltar a ele mais uma vez, pois, foi tratado recentemente pelo presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, numa roda de conversa com quatro deputados em Brasília. Conforme a Coluna Vixe já havia noticiado em dezembro, uma articulação entre caciques nacionais do PT e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, teria o objetivo de eleger o ex-presidente Lula com uma margem de 5 a 6 milhões de votos na Bahia, no primeiro turno, em troca de o partido abrir mão do governo da Bahia esse ano. 

Impacto nos estados 

A garantia de vitória do ex-presidente da República abriria uma série de negociações também nos estados, já que Neto continua como presidente nacional do Democratas e em fevereiro deverá ser alçado à condição de secretário-geral do novo partido, o União Brasil. 

As informações dão conta, inclusive, de que esse acordo passaria também pela eleição de 2024, com a possibilidade de os petistas emplacarem o atual governador Rui Costa como prefeito de Salvador. O partido nunca comandou a prefeitura da capital baiana e ficaria à frente do governo federal e da gestão municipal. A informação fez muita gente graúda se questionar sobre a real veracidade dos boatos. Aí, só o próprio ACM Neto é o tempo poderão falar! Mas, se há fumaça, deve haver fogo.