Informações e credibilidade, mais uma vez

Por Inaldo da Paixão Santos Araújo*
08/10/2021 às 08h00
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Foto: Acervo pessoal
Foto: Acervo pessoal

Em artigo publicado há dez anos, com o mesmo título deste, ou seja, "Informações e credibilidade", registrei que uma das maiores redes de informação do País enaltecia e enaltece, como princípio editorial básico, que entre "o furo de reportagem e a verdade", a segunda deve sempre prevalecer. Nele, muito escrevi sobre informações e credibilidade. Ingenuamente, pensei que, no espaço disponível, tinha esgotado o assunto. Ledo engano.

Depois de pronto, acabado e publicado, percebi que algo faltou, e as fakes news estão aí para provar o quanto eu estava enganado. Mais uma vez, agradeço a paciência e a atenção dos meus fiéis leitores. Leitores desses artigos pouco lidos, talvez, mas escritos com sangue, "pois sangue é espírito", somente para usar uma expressão do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Em verdade, escrevo com a pena e com o coração.

Com efeito, no artigo "Informações e credibilidade", dado a público na edição de A Tarde (02/09/2011), mais do que um desabafo, procurei apresentar uma modesta tentativa de responder a todos aqueles seres que usam a palavra, em qualquer meio de comunicação, para destruir, para semear o joio, para fomentar a cizânia, mas jamais para edificar a boa torre. Como diz Léo Jaime, na canção "Nada mudou", "os melhores momentos do mundo não são manchetes no jornal."

De igual modo, sei que escrever em pouco espaço e bem é atributo de um bom jornalista. Infelizmente, minha seara é outra. Escrevo mal, mas não é por isso que deixarei de escrever o que penso, o que acredito e o que sofro. Escrever, para mim, é terapia, é desnudar-se, é dizer. E, como poetizou Sarah Blasko, em All I Want, tudo que eu quero dizer é que eu "quero é um dia vir a conhecer-me".

Não vou, porém, falar sobre isso agora, pois tenho um artigo somente para tratar do escrever, aguardando espaço e oportunidade para um dia publicá-lo. 

Voltando ao cerne deste texto, decidi explorar um pouco mais o tema da credibilidade das informações, mas sem fugir de mim e olhando para frente, pois tenho internalizado, como premissa, a compreensão de que para "Deus não importa o que você foi, mas, sim, o que será a partir deste momento", como está escrito em "A Recitação", que é o livro sagrado da fé islâmica.

Isso posto, caro leitor, se alguém, um relatório auditorial mal posto, ou uma mídia utilizar a palavra para espalhar mentiras e falsidades, erga a cabeça, seja altivo e saiba que sempre é serena a posição de quem está com a verdade. Procure seguir os ensinamentos de Emmanuel e ignore as mentiras.

Fiel e amigo leitor, tenho aprendido com a vida que, para as infâmias, é bom não olvidar aquilo que o sábio Raul já cantava [...] "Mamãe eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz". 

Nada obstante, continue lendo os periódicos de folhas soltas encasadas, as revistas e os blogs de credibilidade, como, por exemplo, o nosso "Muita Informação", que se pauta nos princípios éticos do bom jornalismo: isenção, correção e agilidade.

É preciso saber, também, por onde transita o "adversário" (As aspas, coloco-as somente para que fique bem claro que eu uso aqui a triste palavra no mesmo sentido que usou Emmanuel Carrère, no livro reportagem sobre o doente Jean-Claude Romand. Isso mesmo, de anjo mau, no sentido de ser sem alma).

Além disso, não seja timorato, mas também não se exacerbe, pois a Palavra também ensina, como Paulo amigo sempre me lembra de que se deve "ser prudente como as serpentes e manso como as pombas" (Mateus 10,16). Jamais ferozes como os tigres. 

Portanto, esteja serenamente atento a tudo e a todos, mas somente aja com a cautela e com a certeza de que realmente vai valer a pena o combate, pois, até na natureza, a tentação de Eva, a serpente, somente morde como última opção e no momento oportuno.

Afinal, tudo tem seu tempo certo. Há tempo para tudo, mas, aí, já é outro "livro" de um certo belo Conjunto de Livros.

E, por fim, mas não por último, pratique sempre o amor. Porque quem ama cuida, protege, acolhe, perdoa e é feliz. O que mais importa, afinal, não foi o Mestre dos mestres que afirmou? "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23, 34).

*Mestre em Contabilidade. Conselheiro-corregedor do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, professor, escritor.

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