Vixe!! Zé Ronaldo quer vaga na majoritária, mas será deputado. A disputa no PSDB e a queda no Dnocs e o dedo de Roma

Toda quarta temos novidades da política, do empresariado e da cultura pra que você entenda melhor "como a roda gira" nos bastidores

Por Osvaldo Lyra e equipe
22/09/2021 às 07h38
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Foto: Arte: Haron Ribeiro
Foto: Arte: Haron Ribeiro
Marcelo Nilo e a caneta sem tinta
 
Deputados estaduais governistas disseram numa rodinha na Assembleia Legislativa que o deputado federal Marcelo Nilo (PSB) está em baixa com o governador Rui Costa (PT). Um parlamentar próximo ao Palácio de Ondina afirmou que as ameaças de Nilo, em deixar a base do governo, já não funcionam mais. "Isso só valia quando ele mandava na AL-BA. Agora a caneta dele está sem tinta", ironizou o governista.



 
Esqueletos no armário
 
Pelo visto, o secretário de Inovação e Tecnologia de Salvador, Samuel Araujo, tem deixado a desejar na condução da pasta. Segundo informações chegadas à Coluna Vixe, o liberal tem dispensado mais tempo perseguindo servidores do órgão do que desenvolvendo projetos e ações na área de inovação para a cidade. Araújo estaria querendo retirar esqueletos da gestão passada do armário. O que se fala na Praça Municipal é que Samuel age dessa forma pois considera ter costas largas, por ser filho do presidente estadual do PL, o ex-deputado federal José Carlos Araujo. No entanto, a atuação dele começa a ser monitorada mais de perto por setores do Palácio Thomé de Souza. 
 

 
PSDB segue dividido
 
Se engana quem pensa que a queda de braço entre os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, esteja perto do fim e tenha um candidato favorito para vencer as prévias do PSDB, que acontecerão dia 21 de novembro. O sentimento no tucanato é de total divisão. O temor da cúpula nacional era que o processo de prévias terminasse fragilizado do partido. Mas pelo visto não. 

 
A força de São Paulo e a Bahia 
 
Doria cresceu muito pela força que o estado de  São Paulo representa, mas isso não define o jogo. O sentimento é que o voto secreto vai descortinar o desejo de mudança que Eduardo representa. E mais, depois da passagem do governador do Rio Grande do Sul pela Bahia, ficou evidente o desejo de apostar no novo. Tanto que o presidente estadual da sigla, Adolfo Viana, já declarou apoio ao governador gaúcho. Mesmo assim, a expectativa é que o governador de São Paulo costure sua vinda até começo de novembro à Bahia, na tentativa de virar o jogo e garantir alguns votos dos baianos. 

 
Qual o peso de cada voto? 
 
E qual o peso de cada voto? Explico. Deputados federais, governadores e ex-presidentes do PSDB tem peso de 25%. Prefeitos e vice-prefeitos, peso de 25%, vereadores e deputados estaduais, o peso é de 12,5%, além dos filiados, com mais 25%. Doria tem usado sua força política para atrair a atenção dos próprios correligionários. Resta saber se esse movimento surtirá efeito. 

 
A disputa pra fora 
 
Vencida a etapa das prévias internas, em novembro, começa, logo na sequência, outra quebra de braço do PSDB, só que agora, externa, pra fora. Além da polarização entre Lula e Bolsonaro, o nome do tucanato terá o desafio de unir os nomes e partidos do Centro, o que não será uma tarefa fácil. O pedetista Ciro Gomes mantém uma avaliação melhor que a dos tucanos, mas também não agrega. O desafio será aglutinar o maior número possível de apoios até março, pois, caso não, o discurso de "nem Lula e nem Bolsonaro" míngua e morre na praia. E mais, os nomes do centro correm o risco de sair pequenos como o PSDB saiu na última eleição, quando o ex-governador Geraldo Alckmin não convenceu e ficou com menos de 5% dos votos do eleitorado. 
 
 
ACM Neto vence o governo?
 
No PSDB baiano o sentimento é que o ex-prefeito ACM Neto (DEM) se viabilizará como o próximo governador da Bahia. Segundo o presidente estadual do partido, Adolfo Viana, o movimento que começa a ganhar corpo no interior mostra um democrata capaz de aglutinar e empolgar até a próxima eleição. O sentimento é que o atual governador Rui Costa não é o senador Jaques Wagner e que o ex-governador não é capaz de vender a esperança que os baianos tanto almejam nesse momento. 
 

 
Zé Ronaldo quer vaga na majoritária
 
Considerado uma liderança importante na região de Feira de Santana, o ex-prefeito José Ronaldo de Carvalho (DEM) estaria alimentando o desejo de fazer parte da chapa majoritária a ser encabeçada pelo ex-prefeito ACM Neto. Pelo que se comenta na Princesa do Sertão, o ex-candidato a governador pelo DEM estaria conversando com partidos da base para deixar o Democratas e tentar se viabilizar na vice ou no Senado por outra sigla.
 
Mas deverá disputar uma vaga de deputado 
 
No entanto, há quem diga que o ex-prefeito de Feira não terá êxito de sua estratégia de participar da majoritária e deverá ser convidado a disputar uma vaga para a Câmara Federal, atuando como um verdadeiro puxador de votos. Ou ainda, poderá disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, com o compromisso de assumir o comando do legislativo baiano, caso Neto vença, passando a administrar um orçamento de quase R$800 milhões por ano. A conferir. 

 
Souto atua como técnico 
 
Já o ex-governador Paulo Souto tem atuado nos bastidores como um verdadeiro técnico, validando as ações políticas e administrativas do ex-prefeito ACM Neto. Como não tem pretensão de disputar mais nenhum cargo eletivo, Souto fica livre para atuar no assessoramento direto do democrata, sem atrair os olhares maldosos e invejosos de quem vai brigar por espaço nas urnas. 
 

 
A saia justa de Leo 
 
Um café da manhã realizado na última semana pelo prefeito de Salvador, Bruno Reis, com os vereadores da sua base, foi movimentadíssimo. Segundo informações que circularam na Praça Municipal, o atual secretário da Saúde, Leo Prates, não estava presente mas foi o assunto mais comentado do encontro. Leo foi um dos principais alvos da insatisfação dos governistas. A queixa principal, disparada por vários vereadores, era a falta de retorno e contato do titular da Saúde. Pra piorar sua situação, Leo teria pisado na bola na última sexta, no processo de suspensão da vacinação contra a Covid-19 para os adolescentes. Pelo que se comenta no Thomé de Souza, o prefeito não gostou nada da condução do aliado no processo. 
 



A queda de Lucas no Dnocs
 
A demissão do coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas na Bahia, Lucas Lobão, pegou muita gente de surpresa no estado. Indicado no começo do governo Bolsonaro pelo vereador Alexandre Aleluia e seu pai, o ex-deputado José Carlos Aleluia, Lobão foi retirado do cargo pelo diretor-geral do órgão, Fernando Marcondes de Araújo Leão, no último fim de semana. 

 
O dedo de Roma 
 
Abandonado pelo clã Aleluia, Lobão passou a ser apadrinhado pelos deputados Adolfo Viana  (PSDB) e Cacá Leão (PP). No entanto, segundo informação chegada à Coluna Vixe, o ex-dirigente do Dnocs teria caído, não devido a superfaturamentos na aquisição de 470 mil reservatórios de água como divulgado, mas após pressão do ministro da Cidadania, João Roma, que queria controlar o órgão e não conseguia. 
 
 


Atrito no MDB
 
O presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Geraldo Junior, subiu o tom nas críticas contra o atual prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins. Ambos são filiados ao MDB. Em entrevista a uma rádio do interior, o vereador disse que o prefeito não participa de nada em relação às definições do partido e que em breve solicitará a desfiliação da legenda. "Eu estou ligando para o deputado federal Baleia Rossi [presidente da executiva nacional] para saber se ele [Colbert Martins] ainda está filiado ao MDB. Gostaria de saber se ele ainda está filiado, porque ele não tem mais participado das decisões do partido nem lá no município [Feira] porque é ausente, tanto na executiva estadual como na nacional. Mas acho que ele ainda está filiado ao nosso partido. Acho que não encaminhou o pedido de desfiliação partidária", disse Geraldo, que ironicamente chegou a esquecer o nome do prefeito e teve que contar com o auxílio de uma voz amiga para lembrar o nome do gestor. 

 
Colbert reage a aliado 
 
A fala do presidente da Câmara de Salvador foi rebatida de pronto pelo prefeito feirense. Segundo Colbert, o presidente do legislativo soteropolitano não tem condição de fazer observação nenhuma e deve respeitar os mdbistas mais antigos. O prefeito afirmou ainda que não existe possibilidade de saída do MDB. "Isso é pura maluquice e ousadia de quem não tem o que falar. Passou do limite. O presidente da Câmara de Salvador chegou no partido tem muito pouco tempo. Ele não tem condição de fazer observação nenhuma. Ele, por enquanto, é uma pessoa que está sendo bem recebida por todos nós - eu estou no MDB há muitos anos. Então, o vereador Geraldo Júnior tem que vir como toda pessoa que é novata: bem calminho para que a gente possa conviver bem. Ele não tem razões para fazer críticas. Não aceito que ninguém que está chegando no partido agora faça isso. Pato novo não mergulha fundo. É bom que ele entenda isso. Nós, antigos do MDB, sabemos respeitar e sermos respeitados", rebateu o prefeito. 
 
Imagem do partido 
 
O enfraquecimento da imagem do partido ocorre por várias razões. Além do famigerado bunker de R$51 milhões do ex-ministro Geddel Vieira Lima, o clima de brigas e desavenças internas, que se multiplicam. Segundo informações de bastidores, a troca de farpas na arena pública não pegou bem dentro da legenda. Interlocutores temem que o atrito dos mdbistas deixe rastros na estrutura partidária e dificulte ainda mais o consenso dentro da legenda numa possível indicação para a chapa majoritária junto com o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto.
 

 
Economia verde 
 
O secretário de Gestão de Salvador, Thiago Dantas, estava numa alegria só ontem na Câmara, durante participação da secretária da Fazenda, Giovanna Victer, na sessão, em que apresentou aos vereadores projetos de interesse do Executivo, como o que Institui o Programa de Retomada do Setor Cultural do Município de Salvador (Procultura). Segundo Dantas, ao destacar a comemoração do Dia da Árvore, a implantação do processo eletrônico pelo município fez com que prefeitura deixasse  de consumir sete milhões de folhas de papel por ano, conforme valor mensurado em 12 meses de implantação do sistema. Thiago disse que foram mais de 700 árvores poupadas do desmatamento ou 8,7 toneladas de CO2, que precisaria ser compensado. "Metade desses gases nocivos também deixaram de ser lançados na atmosfera, graças à não produção de 875 toners". Ponto positivo para a gestão municipal.