Guedes diz que dólar deveria estar caindo, mas "barulho político" não deixa

Para o ministro, o governo Bolsonaro corrigiu fundamentos da economia ao alterar a trajetória de gastos públicos

Por Redação
14/09/2021 às 21h00
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Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Nesta terça-feira (14), o ministro da Economia,  Paulo Guedes afirmou que o dólar deveria estar caindo, mas isso não ocorre porque o "barulho político" não deixa. Segundo ele, o câmbio de equilíbrio no Brasil deveria ser entre R$ 3,80 e R$ 4,20.

Em evento do BTG Pactual, Guedes afirmou que "os atores comentem excessos", citando como exemplo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, o dólar deveria estar em outra trajetória.

"Estamos indo para meio trilhão de dólares de corrente de comércio com o mundo, nunca aconteceu antes, US$ 100 bilhões na balança comercial, nunca aconteceu antes. [...] Então, esse dólar já era para estar descendo mesmo, mas o barulho político não deixa descer", analisou.

Integrantes do Ministério da Economia vinham demonstrando preocupação com a radicalização de discursos de Bolsonaro, sob a avaliação de que os ataques feitos pelo presidente impactam indicadores e o dólar, atingem diretamente a população e dificultam a retomada da atividade econômica. Analistas de mercado compartilham dessa avaliação.

"Não tem problema, não temos pressa, o negócio é fazer a coisa certa", contemporizou Guedes.

Segundo o ministro, o atual governo corrigiu fundamentos da economia ao alterar a trajetória de gastos públicos. Segundo ele, esse cenário levaria os juros a patamares mais baixos e o dólar a um valor um pouco mais alto. Para Guedes, no entanto, esse valor de equilíbrio deveria ser mais baixo atualmente.

"O câmbio de equilíbrio devia ser hoje uns R$ 4, R$ 3,80 se estivesse tudo normal", pontua. Nesta terça, a moeda americana operou em R$ 5,25.

No evento, Guedes afirmou que a democracia brasileira é resiliente e sofisticada. Para ele, as instituições são robustas o suficiente para corrigirem excessos.

"Os atores cometem excessos, às vezes o presidente sai do cercado, às vezes um ministro do STF prende pessoas, toda hora tem um que pula fora da cerca, dá um passeio no lado selvagem. O que acontece? As instituições se aperfeiçoam e convidam o cidadão a voltar para o cercadinho. São robustas as instituições", afirmou.

 

* Com informações da Folhapress.