Desmembramento do Ministério da Economia abre disputa por cargos

Integrantes do órgão avaliam que a presença de Bianco na nova pasta do Trabalho seria uma forma de Paulo Guedes não perder totalmente o poder

Por Redação
21/07/2021 às 21h20
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Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

O anúncio do desmembramento do Ministério da Economia com a recriação da pasta do Trabalho abriu uma disputa por postos considerados estratégicos no governo. O nome do atual secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, é cotado para mais de uma função, enquanto técnicos relatam ambiente de incerteza sobre os cargos da pasta nova.

Com a criação do mais novo ministério do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Guedes perderá o controle da área que formula políticas de emprego do governo. Com isso, fica incompleto o trabalho de implementação de um programa para formalização de jovens, que tramita no Congresso. Guedes também não conseguiu promover uma desoneração da folha salarial das empresas e uma flexibilização das leis trabalhistas.

O ministro da Economia pretende seguir participando dessas medidas. Agora, no entanto, ele não terá poder de decisão final.

Apesar de Guedes sempre ter se colocado contra o desmembramento de sua pasta, a recriação do Ministério do Trabalho é minimizada por interlocutores. A avaliação é de que não haverá efeito negativo sobre os trabalhos da Economia.

Após o anúncio da separação, o nome de Bruno Bianco passou a ser cotado para a vaga de secretário-executivo do novo ministério, a ser comandado por Onyx Lorenzoni em um momento em que o governo divulga sucessivos aumentos no saldo de emprego.

Membros da Economia avaliam que a presença de Bianco na nova pasta seria uma forma de Guedes não perder totalmente o controle sobre o órgão que, além de desenvolver os programas de emprego, concentra porção relevante do Orçamento do governo ao centralizar as contas da Previdência.

Na equipe econômica, foi selecionada que a nova pasta acomodará Trabalho e Previdência. Mas ainda não está definido se Onyx realmente coordenará a área previdenciária.

Ao mesmo tempo, o nome de Bianco também entrou na lista de apostas para assumir a Advogacia-Geral da União (AGU). Ele é servidor de carreira do órgão e deverá ser cotado para substituir André Mendonça, indicado à vaga de Marco Aurélio Mello no Supremo Tribunal Federal (STF).

Essa possibilidade, no entanto, é alvo de disputa entre as carreiras que compõem a AGU. Advogados públicos estariam fazendo pressão contra a indicação de Bianco, que é da carreira dos procuradores federais.

Além disso, os membros da Economia relatam incerteza em relação ao futuro dos quadros que hoje compõem uma secretaria. A percepção é que o Onyx costuma mudar de ministério e levar sua própria equipe, promovendo grandes mudanças na estrutura dos órgãos.

 

* Com informações  da Folha de S. Paulo.