Túnel do tempo: Brasil desistiu de sediar Copa América por causa da pandemia de gripe espanhola

Ao contrário do que ocorre hoje, há mais de cem anos, crise sanitária fez competição ser transferida de 1918 para 1919

Por Redação
10/06/2021 às 22h30
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Foto: Reprodução/Folha
Foto: Reprodução/Folha

A Seleção Brasileira venceu o Campeonato Sul-americano, hoje conhecido como Copa América, após disputar a final com o Uruguai. A competição, que trouxe o primeiro grande título ao futebol brasileiro, estava programada 1918, mas foi adiada para o ano seguinte em função da epidemia de gripe espanhola.

Mais de um século depois, o Brasil está novamente no centro de uma discussão que envolve a competição esportiva e uma grave crise sanitária.

O país enfrenta a pandemia de Covid-19 com uma vacinação lenta, quase 500 mil mortes e regiões nas quais especialistas apontam que os casos da doença têm aumentado nas últimas semanas. Apesar do atual cenário, a Conmebol anunciou, no último dia 31 de maio, que o Brasil sediará a Copa América.

O assunto acabou judicializado, e o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta quinta-feira (10), para liberar a realização do campeonato, mantendo a autonomia de estados e municípios para decidir se abrigam os jogos ou não (confira aqui).

Os jogos estão previstos para começar neste domingo (13), com término marcado para 10 de julho. O fato se tornou alvo de duras críticas de especialistas e de membros da oposição ao governo Jair Bolsonaro (sem partido).

 

Gripe espanhola

Os primeiros casos de gripe espanhola no Brasil foram registrados por volta de meados de 1918, mesmo ano em que a enfermidade começou a se propagar pelo mundo.

A doença, de rápida propagação e que matava em poucos dias, espalhou-se por diversos países por meio dos portos. Estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas tenham morrido em decorrência da gripe espanhola em todo o mundo.

Por volta de setembro daquele ano, navios chegaram de outros países e pessoas infectadas pelo vírus causador dessa gripe desceram em diferentes regiões do Brasil. A doença logo se espalhou.

O governo brasileiro chegou a negar a gravidade da situação. Porém, poucos dias depois, nas últimas semanas de setembro de 1918, decidiu adotar medidas preventivas, como a recomendação de que as pessoas ficassem em casa.

Muitos reclamaram do pedido de evitar locais públicos. Sem a devida adoção das medidas sanitárias para conter a propagação do vírus, o Brasil enfrentou uma subida veloz no número de mortes pela doença.

A gravidade da situação exigiu a construção rápida de hospitais de campanha e locais para isolamento de indivíduos infectados com o vírus.

 

* Com informações da Folha de S. Paulo.