Artigo: Exorbitância e desrespeito

Por Adilson Fonseca*
02/06/2021 às 08h00
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Foto: Divulgação
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O senador-relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros, foi longe demais. Da mesma forma que o presidente da comissão, senador Omar Aziz, ultrapassou, em muito, os limites do equilíbrio. Nuremberg, Hermann Goering e Adolf Hitler viraram referências. E como pano de fundo, o holocausto de mais de cinco milhões de judeus, a maioria deles em campos de extermínios na Polônia, comandados pelos nazistas. De menor monta, mas não menos grave, um Projeto de Lei que estabelece a prisão para médicos que prescrevam o tratamento preventivo, off label, quando há evidências mas não comprovação científica e receituário em bula.

O Julgamento de Nuremberg, usado como termo de comparação com a atual situação da pandemia do coronavírus no Brasil, por Renan Calheiros, foi a culminância da CPI, ao citar o episódio mais abjeto da história da humanidade, o holocausto nazista e as mais de cinco milhões de mortes de judeus em campos de concentração, câmaras de gás e fornos, onde eles eram queimados vivos, nos seis anos de conflitos da Segunda Guerra Mundial. O legado da guerra foi a morte de 65 milhões de pessoas, a maioria civis, e os 24 líderes nazistas foram julgamentos em um tribunal militar, entre 20 de nov. de 1945 e 1º de out. de 1946.

Dentre os réus, Hermann Goering, personagem usado por Renan Calheiros, como termo de comparação para considerar o presidente Jair Bolsonaro como o genocida da pandemia no Brasil. Goering, além de comandante da Luftwaffe (a força aérea alemã) era o número dois da cúpula nazista liderada por Adolf Hitler, que se suicidara momentos antes da rendição alemã, em Berlim. O número 2 do nazismo também cometeu suicídio na cela em que estava detido, escapando assim da sentença do tribunal.

Nessa linha abjeta, o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), senador Renan Calheiros, utilizou o holocausto dos mais de cinco milhões de judeus para aludir que "ainda" o Brasil não chegara a tal patamar, mas que os já definidos como culpados, no qual o presidente Jair Bolsonaro seria o nosso Adolf Hitler, também serão julgados, não por um tribunal militar, como o de Nuremberg, mas por uma CPI do Senado Brasileiro.

Não menos grave, a postura de "caça às bruxas", adotada pelo presidente da CPI, Omar Aziz, que chegou a editar um decreto banindo com a prisão, os milhares de médicos brasileiros que ousarem recomendar o tratamento precoce para os pacientes iniciais com sintomas do Covid 19. Aziz, como o chamado G-7 (os senadores que se opõem a quaisquer debates que não estejam de acordo com suas premissas já estabelecidas) ignora os mais de dois mil estudos sobre o assunto, nomes renomados, dentre os quais estão prêmios Nobel de Física e Química, que defendem o tratamento, e por isso mesmo, são referenciais para enriquecer o debate sério sobre o tema. 

A CPI ignora até mesmo o fato de que a hidroxicloroquina teve seu uso recomendado pelo Ministério da Saúde, em protocolo de 2016, para atenuar os efeitos dos vírus da dengue, zika e chikungunya, estes, tal como o covid 19, vírus (arbovírus, para ser exato). Hoje 29 países utilizam o protocolo do tratamento precoce, incluindo Cuba, como forma, não de erradicar o covid 19, mas de atenuar, na fase inicial da doença, os seus efeitos danosos.

Num desfile de arrogância, intolerância, negacionismo ao debate e à realidade dos fatos, a CPI da Pandemia direciona e tenta impor uma narrativa, que quando confrontada com farta documentação e à luz da realidade, escamoteia e nega aos depoentes, qualificados como réus, quaisquer argumentações, com as falas interrompidas e até cassadas. Nem mesmo o depoimento cientificamente comprovado, da médica Nise Yamaguchi, oncologista e imunologista, doutora em pneumologia há mais de 20 anos, cientista das mais renomadas do mundo, foi levado em conta. Pelo contrário, ela foi tratada de forma brutal, desrespeitosa, deseducada, antiética até mesmo por senadores que também são médicos.

** Um medicamento contra o coronavírus, desenvolvido pela Therapeutica Borealis, farmacêutica da cidade de Turku, Finlândia, obteve a patente definitiva do Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos (USPTO). O spray nasal, contém hidroxicloroquina, aprotinina, e Ivermectina. Os cientistas finlandeses atuaram no desenvolvimento do medicamento que atua na função celular da mucosa nasal prejudicando a capacidade do vírus de penetrar no corpo e se multiplicar.

A Finlândia fica no norte da Europa, próxima ao Círculo Polar Ártico. Está a mais de 10 quilômetros do Brasil e não é governada por Jair Bolsonaro.

* Adilson Fonseca é jornalista e escreve neste espaço às quartas-feiras.

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