"É melhor errar do que não fazer e ficar com mãos acima da cabeça", diz David Lee, CEO do grupo Le Biscuit

Empresário enalteceu a agilidade da empresa em superar a crise com a implantação do e-commerce

Por Flávio Gomes
30/11/2020 às 08h12
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Foto: Divulgação
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O segmento do comércio sofreu, e ainda vem sofrendo, desde o mês de março, em decorrência dos impactos da pandemia da Covid-19. Fundada em Feira de Santana há 52 anos, a Le Biscuit, uma das maiores redes varejistas do país, com forte presença no Nordeste e mais de 15 milhões de clientes, superou o momento instável da crise sanitária e seguiu expandindo o negócio.

O CEO do grupo, David Lee, disse entrevista exclusiva ao editor-chefe do Portal M!, e colunista do jornal A Tarde, Osvaldo Lyra, que o período de isolamento social foi importante para perceberem que era "melhor errar do que não fazer e ficar com mãos acima da cabeça".

Para ele, o momento mais delicado "foi ter fechado tudo no fim de março. Tínhamos apenas duas lojas funcionando nesse período. E aí abril foi um mês sem visibilidade. Acho que quando você não consegue enxergar nem o mês seguinte é realmente o fundo do poço, no sentido de "opa, onde nós estamos e onde vamos ter que atravessar?".

Há 10 anos, a empresa saiu de nove lojas para 142, em 14 estados. Ao longo desse período, um dos seus maiores desafios foi deixar de ser uma empresa familiar, regional, para se tornar uma companhia nacional. E com esse histórico de expansão e sucesso, David Lee disse que a Le Biscuit tinha que agir rápido, "para sair do fundo do poço".

"Somos uma empresa que toma decisões muito rápidas, então tomamos decisões de preservar caixa, para poder preparar para o pior. Abril e maio foram meses sem visibilidade. A gente se preparou para o pior, mas, ao mesmo tempo ninguém parou. Ficamos trabalhando mais do que nunca em home office, e a tecnologia nos permite fazer isso hoje. Nosso time conseguiu tirar muita coisa do papel que, em tempos normais, teria demorado mais tempo"

Ainda segundo Lee "então foi o fundo do poço, mas o time da Le Biscuit é um time fantástico. Todo mundo trabalhando para negociar com shoppings, com pontos de rua para abaixar, zerar o aluguel. É uma agenda que exige muito esforço e o time todo foi brilhante nesse sentido. E aí começamos a ter um senso de opa, a gente está navegando bem. E quando voltou a reabrir as lojas em junho, nosso e-commerce estava subindo, a venda ajudando, o WhatsApp Delivery, Rappi, que implantamos rapidamente, funcionando. É melhor errar do que não fazer e ficar com mãos acima da cabeça. Então a gente fez isso. O time também perdeu o medo de errar nesse momento, e foi fantástico porque as lojas foram reabrindo ao longo do mês de junho e os resultados foram excelentes quando foram reabertos", pontuou.

Também de acordo com ele, o processo de expansão segue em ritmo acelerado, apesar do momento instável, gerado pela pandemia do novo Coronavírus, sobretudo com o processo de transformação digital, que "foram altamente acelerados".

"A gente tinha uns planos e ambições para o e-commerce, no início de 2020, mas os planos foram altamente acelerados. O investimento total foi mais de R$25 milhões, envolvendo adaptação no nosso Centro de Distribuição, adaptação na loja, contratação de um time grande para tocar essa área do digital. Então no meio da pandemia a gente estava contratando muita gente para poder ajudar a empresa a focar mais e ganhar escala no e-commerce, algo que tivemos sucesso"

Ele ainda disse que "hoje o e-commerce é uma peça importante do nosso negócio e uma peça totalmente nova, disruptiva no sentido de que o cliente nosso tem um ticket médio baixo, de R$60. O e-commerce normalmente é dominado por pessoas que compram artigos de maior valor agregado, mas na Le Biscuit a cliente compra cinco, seis itens que compõem um ticket de R$60", declarou.

David Lee também ressaltou a importância da presença física do cliente nas lojas. Por isso, dentro deste processo virtual do e-commerce, a criação do "retire na loja", "clique e retire" foi "muito gratificante".

"Os nossos clientes gostam de retirar na loja. A gente viu uma explosão agora recente, quando foi lançado o "retire na loja", "clique e retire". Foi muito gratificante para a gente e vimos que nosso público é classe média e a classe média está entrando também nesta agenda do e-commerce e querem facilidade, querem receber da loja com frete gratuito e a gente consegue fazer isso porque temos 142 lojas bem distribuídas pelo país", concluiu.