Advogada de vítimas diz que Marcius Melhem 'atuou de forma violenta com várias atrizes'

Mayra Cotta quebrou o silêncio e relatou série de denúncias contra humorista e ex-diretor da emissora

Por Redação
25/10/2020 às 12h13
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Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo

Desde agosto, um mistério ronda os corredores do departamento de humor da TV Globo. Por que Marcius Melhem, ex-diretor e humorista da emissora foi desligado sem qualquer explicação?

De acordo com a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, tudo começou em dezembro de 2019, quando ele foi acusado de assédio sexual pela atriz Dani Calabresa, que fez parte do elenco da "Escolinha do Professor Raimundo", junto com ela.

Depois da humorista, outras mulheres buscaram o mesmo canal para relatar fatos semelhantes. Descreveram tentativas de as agarrar à força, envio de mensagens inconvenientes, ambiente tóxico de trabalho.

Na nota em que comunicava o desligamento de Melhem, no entanto, a Vênus Platinada nada disse sobre nenhuma dessas denúncias de assédio. Foi o suficiente para gerar mais reações, com algumas das mulheres se organizando para reclamar sobre a saída de Melhem com a direção da emissora.

O apoio a elas cresceu, e um grupo de mais de 30 funcionários ou parceiros da empresa participou de reuniões internas na empresa sobre esse assunto. Outra medida foi tomada no início do mês, quando elas decidiram que a advogada criminalista, Mayra Cotta, que as assessora no caso, desse um depoimento sobre o assunto.

"São acusações de assédio moral e de assédio sexual (...) Houve um comportamento recorrente, de trancar mulheres em espaços e as tentar agarrar, contra a vontade delas. De insistir e ficar mandando mensagem inclusive de teor sexual para mulheres que ele decidia se iam ser escaladas ou não para trabalhar, se ia ter cena ou não para elas [nos programas de humor]. De prejudicar as carreiras de mulheres que o rejeitaram. De ficar obcecado, perseguindo mesmo. Foi um constrangimento sistemático e insistente, muito recorrente", disse Cotta, à coluna.

"Ele isolava as atrizes, tinha o poder de não as deixar ir para outros lugares [na emissora], fazer outras coisas. E criava um ambiente de trabalho tóxico. As pessoas se sentiam presas, sem conseguir se livrar daquilo. Ele usava situações de trabalho para as tentar agarrar à força, inclusive usando violência (...) de agarrar, de as colocar contra a parede, tentar beijar à força. Isso é bastante violento", salientou (...) O que elas querem é o reconhecimento de tudo o que passaram, dos graves acontecimentos", acrescentou.