Levantamento da FGV aponta que mais da metade das empresas não tem confiança na política econômica

Sondagem indica que incerteza é vista como risco para retomada nos próximos meses

Por Redação
25/10/2020 às 09h33
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Foto: Reprodução
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Uma sondagem realizada pelo Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) sobre a confiança na política econômica do país apontou que pouco mais da metade das empresas brasileiras (52%) tem segurança com relação a essa questão, sendo um dos principais fatores que estão influenciando negativamente as expectativas de evolução do ambiente de negócios nos próximos meses.

A incerteza econômica é citada por 71% das empresas, percentual superior ao das que apontam também a questão da pandemia (65%). Na cúpula empresarial brasileira a preocupação é crescente. Até grandes empresários que sempre defenderam o atual governo estão insatisfeitos em alguns pontos, sobretudo com a demora para tirar as privatizações do papel e a falta de empenho para fazer com que as reformas avancem no Congresso.

A desconfiança em relação ao compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas e a agenda de reformas econômicas, apontada também na sondagem do Ibre FGV, tem contaminado vários indicadores.

A alta das taxas de juros de longo prazo já dificulta a rolagem da dívida pública, enquanto o real depreciado tem provocado problemas como a alta nos preços de insumos importados, elevando custos.

O percentual de desconfiança em relação à política econômica é mais alto no varejo, opção citada por 68% das empresas de um dos setores menos afetados pela pandemia. Essa preocupação está em torno de 45% das empresas nos demais setores.

No levantamento feito pelo FGV Ibre, a preocupação com a pandemia se destaca nos serviços, citada por 77% dos entrevistados no setor que mais depende do fim da crise sanitária para voltar a crescer.

O fim dos auxílios emergenciais aos consumidores e dos programas de ajuda às empresas é apontado por cerca de 25% dos entrevistados como uma das principais preocupações.

Essa questão é mais destacada pelos empresários da indústria (48%), principalmente nos segmentos de alimentação (70%) e limpeza e perfumaria (100%). Ou seja, por segmentos cujas vendas têm sido impulsionadas pelo programa emergencial.

No comércio, a questão do auxílio é mais citada nos segmentos de material de construção e de móveis e eletrodomésticos (58% de empresas com essa preocupação).

*Com informações do jornal Folha de S.Paulo.