Bolsonaro e aliados realizaram 449 ataques contra a imprensa desde o início do mandato, em janeiro de 2019

Dados foram apresentados ao Conselho de Direitos Humanos da ONU pela entidade internacional Artigo 19

Por Redação
29/09/2020 às 07h00
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Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Desde o início do mandato, em janeiro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), seus filhos, ministros e assessores já realizaram 449 ataques contra jornalistas. As informações são do colunista da Jamil Chade, do Portal UOL. 

Segundo publicação, os dados foram apresentados na segunda-feira (28) ao Conselho de Direitos Humanos da ONU pela entidade internacional Artigo 19. 

Em seu discurso, a organização de proteção à liberdade de imprensa colocou o Brasil como um dos destaques negativos em todo o mundo, ao lado do México, Bangladesh e Camboja. 

A nova denúncia não resultará em punições ou sanções, mas amplia o constrangimento sobre o governo brasileiro no palco internacional e aprofunda o desgaste diplomático do país. 

Do total dos 449 ataques registrados desde a posse de Bolsonaro, aproximadamente 23% deles partiram do presidente da República, que se manifestou de forma agressiva contra a imprensa por meio de postagens e transmissões ao vivo nas mídias sociais, coletivas, discursos, pronunciamentos e entrevistas. No total, foram 102 ataques. 

Quarenta deles tentaram deslegitimar o trabalho da imprensa e outros 40 trouxeram um discurso estigmatizante sobre a mídia. Em 13% dos casos, o presidente expôs jornalistas e comunicadores, gerando ataques massivos contra os profissionais nas redes sociais. 

Em 12% dos casos houve impedimento informativo, em 4% ocorreu omissão institucional e em 2% houve intimidação institucional. 

Ao discursar na ONU, a Artigo 19 apontou que está "profundamente preocupada com a intimidação de jornalistas por parte de agentes públicos, o que serve para legitimar e facilitar o clima de violência". 

A organização lembrou que o governo brasileiro faz parte do grupo que patrocina uma resolução na ONU e que defende a segurança de jornalistas. "O governo brasileiro precisa assumir esses compromissos", alertou a Artigo 19. 

Em resposta, o Itamaraty não fez qualquer referência a Bolsonaro, mas deixou claro que defende a "liberdade de expressão", uma manobra para dizer que todos têm o direito de emitir opiniões, inclusive o presidente. O governo afirma que a Constituição protege a liberdade de expressão e proíbe a censura. 

 

* Com informações do Portal UOL.