Retomada das atividades faz grandes redes migrarem dos shoppings para a rua

Entre as justificativas estão o preço do aluguel e as restrições de horários nos centros de compras

Por Redação
15/09/2020 às 09h37
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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Com a retomada das atividades econômicas após passada a pior fase da pandemia provocada pelo novo coronavírus, esperava-se que a recuperação do movimento, nos shoppings, não tardaria a acontecer, fazendo com que os lojistas retomassem também o faturamente, ainda do que distante do período pré-crise.

No entanto, muitos dos centros de compras, depois de abertos, estão patinando para recuperar o movimento, principalmente por conta dos horários restritos em várias cidades do país. Isso tem feito com que muitos deles reflitam em abrir pontos no comércio de rua.

Além deste, outro fatore tem feito com que a rua esteja ficando mais atraente que o shopping para os empresários. Um deles é o custo. O aluguel do ponto nos centros de compras é, em média, dez vezes mais caro que o de rua.

O impacto maior está sendo percebido nas lojas satélites, que correspondem a 60% dos estabelecimentos dos shoppings. Na maioria, são lojas pequenas e que estão, ao contrário das "âncoras" (lojas magazines) estão sentindo mais os efeitos da lenta retomada da economia e, por isso, estão migrando para as ruas. 

Também ajuda a explicar este cenário o fato de o consumidor ainda estar com medo de sair de casa e ir para ambientes fechados. Para muita gente, é menos arriscado comprar no comércio de rua (onde é possível ser atendido até na calçada, sem entrar na loja) do que ir a um ambiente fechado.

Mudanças

Nos shoppings do Brasil, das 105 mil lojas, pelo menos 11 mil fecharam permanentemente ou se mudaram para outros endereços, diz Nabil Sahyoun, presidente Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). 

Para ele, as medidas restritivas de horários e de circulação de pessoas é o que está prejudicando as vendas. "Amedrontaram demais as pessoas falando: não vá, não saia de casa, quando, na verdade, o confinamento não resolve o problema do vírus", contou.

Mas, segundo o infectologista Pedro Mendes, do Hospital Samaritano, o distanciamento social é a única medida eficaz para diminuição da contaminação do coronavírus, segundo ele. "Ficar em ambientes fechados com outras pessoas desconhecidas e em aglomerações favorece o contágio", afirmou.

O especialista acredita que os shoppings vão ter que mudar sua arquitetura. Elementos como corredores amplos, pé-direito alto, ar-condicionado com filtro hepa ("High Efficiency Particulate Arrestance" ou alta eficiência em detenção de partículas), renovação do ar em vez de reciclagem do ar, paredes vazadas, áreas abertas, como jardins de inverno - tudo isso minimiza o risco de contágio. "Essas coisas fazem o ar circular melhor e o vírus pode se dispersar", disse.

*Com informações do portal 6 Minutos, do UOL.