Paulo Paim diz que racismo no Brasil é tão cruel que população se nega a falar sobre o assunto

Um dos poucos parlamentares negros do Congresso diz que Casa espelha desigualdade racial do país

Por Yuri Abreu
02/08/2020 às 10h00
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Foto: Jane de Araújo/Agência Senado
Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

Ex-líder sindical e um dos idealizadores do Estatuto da Igualdade Racial - que completou dez anos de aprovação em julho -, o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que o racismo no Brasil é tão cruel que a população se nega a falar sobre o assunto.

"É como se você estivesse admitindo que o racismo está te inibindo, então tu não fazes o debate de desestruturar o racismo estrutural. Dói tanto que não se quer falar. Se fala tem gente que vai sempre dizer que está lamentando. Vai à luta, vai à luta. Mas não é fácil. É uma questão desigual pela questão estrutural", disse ele, em entrevista à Folha de S.Paulo.

Ainda à publicação, Paim, que é um dos poucos senadores negros no Congresso, afirmou que o Parlamento espelha a desigualdade racial e defende a discussão de cotas para negros em campanhas políticas.

"Tanto na Câmara quanto no Senado, nas Câmaras de vereadores, que há muitas em que não há negros. Eu vou fazer palestras, às vezes, e não tem nenhum negro. Prefeitos também são raras exceções, governador nem se fala. Essa realidade está aí e nós sabemos que tudo passa pela política", analisou.

Ainda de acordo com ele, a presença de Sérgio Camargo à frente da Fundação Cultural Palmares é incompatível. "O homem errado, na hora errada, e que a história há de contar como alguém que negou seu próprio povo", criticou.