Bolsonaro amplia pressão por gastos de olho em 2022

Equipe econômica vem recebendo cobranças de ministros sobre liberação de recursos

Por Yuri Abreu
02/08/2020 às 09h40
  • Compartilhe
Foto: Marcos Corrêa/PR
Foto: Marcos Corrêa/PR

Com o objetivo de elevar a a popularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), já mirando a campanha de 2022, um grupo liderado pelos ministros do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho; Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos; e Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas; defende que a União gaste mais já a partir deste ano, aumentando a pressão pelo aumento nas despesas públicas.

De acordo com o jornal O Globo, as idas do presidente ao Piauí, Rio Grande do Sul e à Bahia, nos últimos dias, são parte da estratégia de aumentar a presença em eventos para celebrar intervenções realizadas pelo governo. 

Para manter uma agenda extensa e montar uma carteira de obras públicas robusta, no entanto, seria necessário gastar mais do que o espaço atualmente reservado no Orçamento para esse objetivo, sob risco de deteriorar a já complicada situação fiscal.

Contudo, a medida vai contra a receita indicada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que é de justamente corte nos gastos.

De acordo com as previsões iniciais da equipe econômica, os valores reservados para os investimentos continuarão em baixa, o que tem irritado integrantes da Esplanada dos Ministérios. 

O teto de gastos limita o crescimento das despesas federais à inflação do ano anterior. Uma vez que as despesas obrigatórias, como pagamento de salários e aposentadorias, crescem mais que a inflação, o espaço para investimentos tem ficado menor a cada ano.

A divisão ficou explícita durante uma reunião em meados de julho, com discussões sobre a possibilidade de gastar cerca de R$ 35 bilhões com obras fora do teto de gastos e além do que já estaria previsto no Orçamento. 

Ainda conforme a publicação carioca, a possibilidade levada pelo ministro do Desenvolvimento Regional, ao Palácio do Planalto, consistia em empenhar todos os recursos necessários em 2020, porque as regras orçamentárias estão mais frouxas por conta da necessidade de gastar para conter os efeitos da pandemia.

Porém, Paulo Guedes é contra a ideia. Ele entende que o sinal passado com uma eventual burla ao teto de gastos seria péssimo, com repercussão sobre a situação econômica do país.