Servidores do Judiciário invadem plenário da AL-BA em protesto por reajuste; sessão é suspensa
Sessão ordinária chegou a ser iniciada, mas foi suspensa por decisão da presidente da Casa
Instagram/@sinpojud
Um grupo de servidores do Judiciário da Bahia invadiu, nesta terça-feira (27), o plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), interrompendo os trabalhos legislativos. O ato gerou tumulto e atrasou o início da sessão ordinária, que chegou a ser iniciada, mas foi suspensa por decisão da presidente da Casa, deputada Ivana Bastos (PSD).
A suspensão dos trabalhos foi anunciada por até uma hora. A medida ocorreu após tentativas de diálogo com os manifestantes, segundo relato do primeiro-secretário da Assembleia, deputado Samuel Júnior (Republicanos), que classificou a ação como “falta de respeito”.
“Não sei exatamente o sindicato, me parece que são dois sindicatos que invadiram o plenário. Tentamos conversar com eles para que desocupasse o plenário para que os deputados iniciassem o trabalho, mas infelizmente eles insistiram em ficar. Isso é uma verdadeira falta de respeito”, afirmou Samuel Júnior à imprensa.
O parlamentar ainda comparou a situação com outro episódio recente, envolvendo manifestantes que invadiram o Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, na última quinta-feira (22).
“Imagine se todas as categorias ou todos os sindicatos que em algum momento estiverem reivindicando alguma coisa ou buscando sua melhoria, que é legítima, eles resolverem invadir, ou seja, o plenário da Assembleia? Ou das Câmaras de Vereadores, onde é que nós vamos parar com isso? Onde é que está a segurança dos parlamentares?”, questionou.
Confira a mobilização:
Categoria exige reformulação de plano de carreira
A mobilização ocorre no contexto da campanha dos servidores pela aprovação do projeto de lei que trata da criação do novo Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV), protocolado no Legislativo há cerca de nove meses pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). A categoria reivindica a tramitação imediata do texto e reclama da demora por parte da Casa. Os manifestantes cobram perdas inflacionárias acumuladas, que, segundo as entidades sindicais, chegam a mais de 53%, reflexo de quase uma década sem reajustes salariais.
Os trabalhadores também denunciam a defasagem do atual plano, que não corresponderia à evolução das atividades desempenhadas no Judiciário. A proposta em tramitação prevê a valorização dos cargos, correção de distorções e critérios objetivos para progressão funcional.
Policiais militares foram chamados ao plenário e negociam com os servidores, que se recusam a deixar o local. Os manifestantes exigem uma reunião com o líder do governo na AL-BA, deputado Rosemberg Pinto (PT), para tratar do andamento da proposta.
Greve foi deflagrada no início de maio
A paralisação dos trabalhadores do Judiciário começou no último dia 12 de maio. A greve é uma das estratégias da categoria para pressionar o Legislativo pela aprovação do PCCV. A mobilização integra uma campanha mais ampla por valorização profissional e recomposição salarial.
O projeto de lei voltou a tramitar no último dia 21 de maio, quando a presidente Ivana Bastos autorizou sua publicação no Diário Oficial da Assembleia. Desde então, os servidores intensificaram os protestos para garantir que a proposta avance nas comissões temáticas e seja levada ao plenário.
Entidades culpam o Executivo pela demora
Em carta aberta, o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado da Bahia (Sinpojud) responsabilizou o governador Jerônimo Rodrigues (PT) pela lentidão no andamento do projeto na Assembleia. Segundo o sindicato, o texto estaria travado por falta de “autorização” do chefe do Executivo estadual.
Trabalhadores ligados ao Sindicato dos Servidores dos Serviços Auxiliares do Poder Judiciário do Estado da Bahia (Sintaj) e ao Sinpojud lideraram a ocupação do plenário nesta quarta-feira. A pressão pela aprovação do plano segue sem previsão de término.
Adolfo Menezes condena ocupação
O deputado estadual Adolfo Menezes (PSD), ex-presidente da Casa, criticou a ocupação do plenário pelos servidores. Em entrevista ao Classe Política, ele afirmou que chegou para a sessão e se deparei com a cena que considerou lamentável. O deputado também sinalizou que poderá votar contra projetos da categoria, caso ações semelhantes se repitam.
“Se fosse por mim, não votaria nem publicaria nenhum projeto ligado a esse grupo. O diálogo é bem-vindo, mas a invasão deslegitima qualquer pauta”, declarou.
Para o parlamentar, a presidente da Casa, Ivana Bastos (PSD), já havia estabelecido diálogo com os representantes dos servidores em momentos anteriores, o que tornaria a ocupação ainda mais injustificável. Ele destacou que há “outras formas legítimas de reivindicação” e que a ação compromete o avanço das negociações.
“Todos têm direito de se manifestar, mas há limites. Esse tipo de pressão não contribui em nada para o avanço das negociações”, destacou.
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