Senadores baianos estão divididos sobre possível impeachment de Alexandre de Moraes
Lista divulgada por deputado aponta 34 votos a favor da destituição, 19 contrários e 28 indecisos no Senado Federal
Antonio Augusto/STF
A articulação política em torno de um possível processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou novos contornos com a divulgação de um “placar informal” de votos no Senado. Segundo levantamento publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), 34 senadores já declararam apoio ao afastamento de Moraes, enquanto 19 se posicionaram contra. Outros 28 permanecem indecisos, sendo um deles representante da Bahia.
Os senadores baianos Otto Alencar (PSD) e Jaques Wagner (PT) teriam se manifestado contra a medida, de acordo com a plataforma. Por outro lado, Angelo Coronel (PSD) estaria entre os indecisos. O cenário chama a atenção especialmente diante da crescente polarização política e do destaque que a votação ganhou nas últimas semanas após as sanções impostas ao ministro pelo governo dos Estados Unidos.
A proposta de impeachment, que ainda depende de decisão do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), precisa do apoio de dois terços da Casa ou seja, 54 votos favoráveis para ser aprovada.
Proposta é impulsionada por reação internacional e apoio de parlamentares da oposição
A divulgação do levantamento foi feita por Nikolas Ferreira por meio das redes sociais, com base no site “votossenadores.com.br”. O deputado argumenta que o cenário político atual oferece fundamentos para o afastamento de Moraes, citando decisões que, segundo ele, violam direitos fundamentais.
A iniciativa ganhou fôlego após a aplicação da Lei Magnitsky por parte do governo americano. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro dos EUA, anunciou sanções contra Moraes, incluindo o congelamento de bens e o impedimento de transações financeiras com instituições americanas.
A medida foi interpretada por parlamentares da oposição como um sinal de alerta internacional sobre a atuação do ministro no combate à desinformação, nas investigações contra grupos extremistas e na condução de inquéritos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ciro Nogueira e outros líderes ainda não se posicionaram
A lista de indefinidos inclui também nomes de peso da oposição, como Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro. Apesar de sua ligação histórica com o ex-presidente, Nogueira não declarou voto e aparece como “em avaliação”.
Segundo o próprio Nikolas Ferreira, a publicação do “placar” visa aumentar a pressão popular sobre os senadores ainda indecisos. “O Brasil precisa saber quem está ao lado da Constituição e quem está ao lado do autoritarismo. A sociedade precisa cobrar”, escreveu o deputado em sua conta na plataforma X.
Expulsão de deputado do PL intensifica disputa interna
Enquanto cresce a pressão externa, o Partido Liberal vive sua própria crise interna. O deputado federal Antônio Carlos Rodrigues foi expulso da sigla após criticar publicamente as sanções aplicadas pelos EUA contra Alexandre de Moraes e defender o ministro em entrevista.
A decisão foi tomada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, após pressão de parlamentares alinhados ao bolsonarismo. A expulsão evidenciou a tentativa da legenda de unificar seu discurso e alinhar suas lideranças ao projeto político de oposição ao STF.
Caminhos possíveis e próximos passos
Apesar da movimentação, especialistas apontam que o processo de impeachment de um ministro do STF é complexo e raramente avança. Cabe exclusivamente ao presidente do Senado decidir se o pedido será aceito, o que torna o posicionamento de Rodrigo Pacheco decisivo.
Caso o processo avance, o Senado funcionaria como tribunal de julgamento, com sessões específicas, direito à ampla defesa e necessidade de quórum qualificado para aprovação.
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