Presidente do STF diz que Brasil enfrenta ‘epidemia de violência doméstica’ e violência sexual contra mulheres
Apesar de apontar avanços, Luís Roberto Barroso afirmou que ainda existe muito a ser feito
Rovena Rosa/Agência Brasil
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou, nesta quarta-feira (12), que o Brasil vive uma “epidemia de violência doméstica” e de violência sexual contra as mulheres. Durante sessão da Corte, o ministro alertou sobre a gravidade da situação e a necessidade urgente de enfrentar essas questões. As informações são da Agência Brasil.
“Esta ainda é uma revolução inacabada, com muitos avanços, mas incompleta. E o nosso papel continua a ser empurrar a história na direção certa”, disse o presidente do STF.
Ele destacou os marcos importantes na luta pelos direitos das mulheres, mas reconheceu que há desafios persistentes. O ministro fez um retrospecto das vitórias históricas das mulheres no Brasil, lembrando a conquista do direito ao voto em 1932 e a criação do Estatuto da Mulher em 1962, que permitiu à mulher assinar contratos sem a necessidade de um marido. A legalização do divórcio em 1977 foi outro marco importante, permitindo que muitas mulheres se libertassem de casamentos infelizes.
Barroso também destacou a Constituição de 1988, que foi fundamental para garantir a equidade de remuneração entre homens e mulheres e para reconhecer a união estável. A reforma, segundo o ministro, “acabou com o preconceito, inclusive normativo, contra a mulher que vivia conjugalmente sem ser casada”.
Em sua fala, Barroso abordou o “machismo estrutural” que persiste na sociedade brasileira, impondo dificuldades significativas às mulheres.
“O machismo estrutural impõe às mulheres duas grandes dificuldades. Uma divisão sexual do trabalho e um teto de vidro. Uma sociedade em que as mulheres gastam por dia quase três horas a mais que os homens, porque a elas cabem as tarefas de cuidado da família, dos filhos e dos idosos, geralmente, um trabalho não remunerado. O teto de vidro se manifesta nas restrições invisíveis que se impõem às mulheres”, explicou o ministro.
Aumento de feminicídios
Os dados sobre feminicídios também foram destacados por Barroso, que citou um aumento de 225% nos julgamentos de casos de feminicídio no Brasil entre 2019 e 2023. Este dado foi registrado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no novo Painel Violência Contra a Mulher, lançado na terça-feira (11). O ministro chamou a atenção para a necessidade de enfrentar com urgência a violência contra as mulheres.
Barroso relembrou algumas decisões importantes do STF relacionadas aos direitos das mulheres. Entre elas, a antecipação terapêutica do parto nos casos de anencefalia, a licença-maternidade para mães adotantes e o fim das limitações que dificultavam o acesso das mulheres à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros. O STF também assegurou que pelo menos 30% do fundo partidário fosse destinado a campanhas de mulheres.
O presidente do STF enfatizou que muitas das conquistas das mulheres, incluindo as decisões judiciais, só foram possíveis graças à mobilização social.
“É o movimento social que empurra a história, e não os tribunais. Nós apenas procuramos identificar e captar o espírito do tempo para promover a equidade de gênero”, disse Barroso.
Desigualdade no judiciário
Barroso também abordou a desigualdade de gênero no Judiciário. Ele destacou que, embora as mulheres ocupem 40% dos cargos de magistratura de primeiro grau, elas representam apenas 20% nos tribunais de justiça e tribunais federais regionais. Para enfrentar essa disparidade, está sendo implementada uma resolução que visa garantir que 40% das cadeiras nos tribunais de segundo grau sejam ocupadas por mulheres.
O presidente do STF ressaltou que, embora existam avanços significativos, a luta pela igualdade de gênero no Brasil ainda não foi concluída. Ele reiterou que, para alcançar a equidade de gênero, é necessário enfrentar os obstáculos do machismo estrutural e continuar a mobilização em todos os setores da sociedade.
Homenagem a Eunice Paiva
Durante sua fala, Barroso prestou homenagem à advogada e ativista Eunice Paiva, viúva do ex-deputado federal Rubens Paiva, cuja luta pela memória do marido foi retratada no filme Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional.
“Esta mulher brava, que enfrentou a ditadura para resgatar, quando não o corpo, pelo menos a memória de seu marido, foi extraordinariamente representada nas telas por duas outras mulheres, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro”, afirmou Barroso.
Mais Lidas
Política
CPI do Banco Master avança e já reúne maioria entre deputados e senadores
Últimas Notícias
Câmara aprova urgência para projeto que propõe quebra de patente do Mounjaro
Léo Santana comanda Pipoco e arrasta multidão no pré-Carnaval de Salvador
Cantor arrasta milhares de foliões no circuito Orlando Tapajós na noite desta terça-feira (10)
Oposição aciona Justiça para tentar barrar desfile que homenageia Lula no Carnaval do Rio
Parlamentares e o Partido Novo contestam repasses federais e alegam propaganda eleitoral antecipada em ano eleitoral
Justiça Militar abre prazo para Bolsonaro apresentar defesa em processo de expulsão do Exército
Ministério Público Militar pede expulsão do Exército após condenação do ex-presidente por tentativa de golpe
Aleluia volta a criticar gestão Jerônimo, aponta Bahia como ‘último reduto do PT’ e crava: ‘Vamos derrotá-lo’
Pré-candidato ao Governo da Bahia, José Carlos Aleluia avalia desgaste do PT e reforça críticas à gestão estadual
Comissão da Câmara cobra transparência sobre cuidados médicos de Bolsonaro na Papudinha
Deputados pedem informações ao Ministério da Justiça e à PGR sobre armazenamento e distribuição de medicamentos ao ex-presidente preso em Brasília
Carnaval deve movimentar R$ 12,4 bilhões na economia da Bahia em fevereiro, aponta Fecomércio
Projeção representa um crescimento real de 6% em relação ao mesmo período do ano passado
Jerônimo entrega escola de tempo integral e anuncia investimentos em saúde e infraestrutura em Nilo Peçanha
Investimentos ultrapassam R$ 17 milhões apenas na educação e incluem pavimentação, ônibus escolares, ambulâncias e ações no turismo
Rotondano promete modernização no TJ-BA, mutirões, aproximação com a sociedade e defende uso responsável da IA no Judiciário
Ao Portal M!, novo presidente do Tribunal de Justiça da Bahia detalha prioridades para os primeiros meses do biênio 2026–2028
Pulseiras para Arquibancada Social do Carnaval de Salvador se esgotam em menos de 24 horas
Procura intensa antecipou encerramento das inscrições no espaço que fica no circuito Osmar, no Campo Grande
Bloco Camaleão resgata fantasia de 1986 e conecta gerações no Carnaval 2026
Design clássico reaparece com leitura contemporânea e reforça identidade de uma das agremiações mais tradicionais da folia baiana