Otto reage e diz que PL da Dosimetria deve ser votado no Senado na próxima semana
Senador baiano impede votação direta no plenário, mantém análise da CCJ e entrega relatoria a Esperidião Amin
Geraldo Magela/Agência Senado
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que o projeto da Lei da Dosimetria — aprovado pela Câmara nesta madrugada — será votado pelo colegiado na próxima quarta-feira (17), antes de seguir para o plenário. Embora o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), quisesse levar o texto diretamente ao plenário, Otto recusou liberar a tramitação sem análise prévia da CCJ e designou o senador Esperidião Amin (PP-SC) como relator, que deverá apresentar seu parecer na sessão da próxima semana.
“Vamos debater e também deliberar na próxima semana. O relator será Esperidião Amin. Na próxima quarta-feira, certamente, ele apresentará o relatório e vamos fazer a votação. Saindo da CCJ, o presidente Davi Alcolumbre deverá levar a dosimetria para o plenário”, disse Otto antes do início da reunião do colegiado na manhã desta quarta-feira (10).
Aprovação na Câmara reacende debate sobre anistia
A Câmara dos Deputados aprovou, por 291 votos a favor e 148 contra, o projeto da dosimetria na madrugada desta quarta-feira (10), em meio a disputas acirradas e negociações intensas. O texto reduz penas de condenados pelos atos golpistas do 8 de janeiro e recebeu dez votos a favor da bancada baiana (apenas 16 deputados federais votaram contra e 13 não votaram).
O PL da Dosimetria foi votado poucos dias depois do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar que havia “um preço” para retirar sua pré-candidatura à Presidência em 2026 — o que envolveria a recuperação da elegibilidade do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador se reuniu com lideranças do Centrão antes da votação, o que ampliou a pressão sobre o governo.
O texto aprovado, apesar de não atender integralmente ao pedido de anistia ampla, vem sendo chamado por parlamentares de oposição de “anistia light”. De acordo com o relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP), os efeitos práticos podem reduzir a pena de Bolsonaro para 2 anos e 4 meses, muito abaixo dos 27 anos e 3 meses impostos pelo STF.
O que prevê o PL da Dosimetria
O texto aprovado estabelece que “concede anistia aos participantes das manifestações reivindicatórias de motivação política” realizadas entre 30 de outubro de 2022 e a data de entrada da lei em vigor. O período engloba os acampamentos golpistas, os atos do 8 de janeiro e a articulação investigada como tentativa de golpe de Estado. O relator sustenta, porém, que o projeto não extingue condenações. “Não tem anistia. As pessoas vão continuar pagando”, afirmou Paulinho da Força.
Mesmo assim, a proposta altera profundamente o cálculo das penas. Um dos principais pontos é a adoção do concurso formal, que determina que, quando vários crimes são cometidos no mesmo contexto, a pena aplicada deve ser apenas a do crime mais grave. Isso impede que as condenações sejam somadas, como faz atualmente o STF, reduzindo diretamente o tempo de prisão.
Outra mudança é a diminuição do tempo necessário para progressão de regime. O percentual cai de 25% para 1/6 da pena, acelerando a passagem para o regime semiaberto ou aberto. O texto também prevê abatimento de pena pelo uso de tornozeleira eletrônica e pelo tempo de trabalho comprovado durante a execução penal.
Reação da oposição e tumulto no plenário
A aprovação provocou forte reação de partidos de esquerda, que classificaram o projeto como uma tentativa de institucionalizar a impunidade. Para a líder do PSOL, Talíria Petrone, “colocar o tema da anistia em pauta é um ataque à nossa frágil democracia”. O líder do PT, Lindbergh Farias, também criticou a votação.
“Pelo menos tenham coragem de votar de dia, sob a luz do sol. Esta Câmara está abraçando o golpismo”, disse no plenário.
O clima de tensão cresceu após o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupar a cadeira da Presidência em protesto. Ele foi retirado à força pela Polícia Legislativa, gerando empurra-empurra que atingiu parlamentares e jornalistas. O episódio ampliou a temperatura da sessão e levou à interrupção temporária dos trabalhos.
Aliados de Bolsonaro celebram aprovação
Enquanto a oposição protestava, parlamentares bolsonaristas comemoraram o resultado. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que a aprovação representava “alívio” para o pai e mobilizou a bancada para garantir votos favoráveis. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, declarou que Bolsonaro orientou o voto da prisão. Para os aliados, o PL da Dosimetria abre caminho para reverter parte das condenações impostas no âmbito do 8 de janeiro.
Com a previsão de votação no Senado na próxima semana, o projeto seguirá como um dos principais focos do debate político em Brasília, sobretudo diante do impacto eleitoral e jurídico que pode provocar.
Confira votação da bancada baiana do PL da Dosimetria na Câmara:
VOTARAM SIM
- Arthur Maia (União Brasil)
- Capitão Alden (PL)
- Elmar Nascimento (União Brasil)
- João Leão (PP)
- José Rocha (União Brasil)
- Leur Lomanto Jr. (União Brasil)
- Pastor Isidório (Avante)
- Paulo Azi (União Brasil)
- Roberta Roma (PL)
- Rogéria Santos (Republicanos)
VOTARAM NÃO
- Alice Portugal (PCdoB)
- Bacelar (PV)
- Daniel Almeida (PCdoB)
- Diego Coronel (PSD)
- Félix Mendonça Jr. (PDT)
- Gabriel Nunes (PSD)
- Ivoneide Caetano (PT)
- Jorge Solla (PT)
- Joseildo Ramos (PT)
- Lídice da Mata (PSB)
- Mário Negromonte Jr. (PP)
- Paulo Magalhães (PSD)
- Sérgio Brito (PSD)
- Valmir Assunção (PT)
- Waldenor Pereira (PT)
- Zé Neto (PT)
NÃO VOTARAM
- Adolfo Viana (PSDB)
- Alex Santana (Republicanos)
- Antonio Brito (PSD)
- Claudio Cajado (PP)
- Dal Barreto (União Brasil)
- Josias Gomes (PT)
- João Carlos Bacelar (PL)
- Leo Prates (PDT)
- Márcio Marinho (Republicanos)
- Neto Carletto (Avante)
- Otto Alencar Filho (PSD)
- Raimundo Costa (Podemos)
- Ricardo Maia (MDB)
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