Lula desembarca no Panamá para assinar acordo de investimentos e fortalecer Mercosul
Presidente participa de fórum econômico como convidado de honra; agenda busca novos mercados e rotas após ofensivas comerciais dos EUA
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca, nesta terça-feira (27), no Panamá para uma visita oficial que marca a primeira viagem ao país neste mandato. O ponto central da agenda é a participação no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, onde o Brasil figura como convidado de honra. Lula será o segundo orador do evento, logo após o líder panamenho, José Raúl Mulino, em uma mesa que contará com presidentes da Bolívia, Equador e do Chile.
Durante a visita, será assinado um acordo de cooperação e facilitação de investimentos. Segundo o Itamaraty, o objetivo é estabelecer regras claras de proteção para o capital brasileiro no Panamá e vice-versa. O embaixador Alexandre Ghisleni afirmou que o tratado “pode facilitar a circulação de capital de investimentos produtivos entre os dois países”, fortalecendo a segurança jurídica para empresas brasileiras que operam na região.
Panamá: canal e logística como trunfos comerciais
A diplomacia brasileira identifica o Panamá como um parceiro logístico insubstituível. Atualmente, o Brasil ocupa o posto de 15º maior usuário do Canal do Panamá, movimentando cerca de 7 milhões de toneladas de produtos por ano. Além da via marítima, o Aeroporto de Tocumen é visto como um centro de conexões vital para o Caribe e a América Central.
A agenda de Lula prevê uma visita técnica às instalações do canal para discutir a otimização do fluxo de mercadorias brasileiras. A embaixadora Gisela Padovan destacou a relevância dessa infraestrutura para as exportações nacionais.
“É um hub central para nós, para as conexões com a América Central, com o Caribe, às vezes até com países da América do Sul, como Guiana e Suriname”, pontuou Padovan.
Expansão histórica e equilíbrio da balança
Os dados econômicos revelam um salto significativo na relação bilateral. No último ano, o intercâmbio comercial entre as duas nações cresceu 78%, atingindo a marca de 1,6 bilhão de dólares. Esse desempenho foi puxado quase integralmente pelas exportações de petróleo e derivados do Brasil. Atualmente, o Panamá é o sétimo maior destino de investimentos externos do país, com um estoque acumulado de 9,5 bilhões de dólares.
Apesar dos números positivos, o Itamaraty busca agora o que chama de equalização do superávit. O governo brasileiro pretende incentivar a importação de produtos panamenhos para garantir a sustentabilidade da parceria a longo prazo. Essa estratégia de diversificação de mercados tornou-se prioridade após a escalada de tarifas e barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump desde o ano passado.
Panamá como braço do Mercosul na América Central
Outro marco político da viagem é a celebração do Panamá como o primeiro país da América Central a se associar ao Mercosul. O movimento do presidente José Raúl Mulino é visto por Brasília como um passo fundamental para o fortalecimento do bloco sul-americano. A associação abre caminho para novas negociações comerciais integradas, reduzindo tarifas e facilitando o trânsito de serviços e bens entre as regiões.
“Nós vimos com muita alegria o interesse do presidente Mulino, que rapidamente assinou um acordo de associação”, afirmou a embaixadora.
Para Gisela Padovan, a integração do Panamá ao Mercosul não apenas amplia a voz do bloco em fóruns internacionais, mas também consolida uma barreira econômica estratégica em um momento de fragmentação das cadeias de suprimentos globais.
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