Hugo Motta condiciona apoio a Lula em 2026 a gestos do Planalto e demandas da Paraíba
Presidente da Câmara afirma que decisão sobre aliança passará por negociações políticas e interesses da Paraíba
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que um eventual apoio à à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 ainda está em aberto e dependerá de gestos concretos do governo federal. A declaração foi feita nesta última segunda-feira (12), durante agenda pública em João Pessoa, e reforça o tom de cautela adotado por lideranças do Congresso diante das articulações para a próxima disputa presidencial.
Segundo Motta, a definição não ocorrerá de forma antecipada ou isolada, mas será construída dentro de um processo político mais amplo, baseado na reciprocidade institucional, na consolidação de um projeto político comum e, sobretudo, na atenção às demandas da Paraíba. O presidente da Câmara destacou que qualquer posicionamento eleitoral estará condicionado ao diálogo com o Palácio do Planalto e à capacidade do governo federal de demonstrar compromisso com as prioridades regionais, em um momento em que o cenário para 2026 começa a ser desenhado nos bastidores de Brasília.
“A política se constrói com reciprocidade. Nós temos que nessa construção política entender o que vamos ter de apoios e de gestos para decidir quem vamos apoiar. É isso que temos que construir de maneira muito tranquila e respeitosa para com a população do nosso estado”, declarou Motta.
Declarações ocorreram durante evento com ministro do Turismo
Hugo Motta participou de um evento em João Pessoa no qual o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, aliado político do deputado, que anunciou o apoio do governo federal ao pré-Carnaval da capital paraibana. A presença de um representante do primeiro escalão do governo Lula no estado reforçou o contexto político da fala e deu peso institucional às declarações do presidente da Câmara.
Ao abordar o tema da sucessão presidencial, Motta deixou claro que o debate envolve negociações políticas, sinalizações do Executivo federal e a definição de compromissos administrativos e políticos. Segundo ele, qualquer decisão futura estará condicionada à existência de um ambiente de diálogo e a iniciativas que demonstrem atenção às prioridades regionais.
Relação com Planalto e articulações locais entram na conta
Além de destacar a necessidade de gestos por parte do presidente da República, Hugo Motta ressaltou que a definição sobre apoio não depende apenas de Lula. Ele vinculou o processo às posições do Partido dos Trabalhadores e às alianças locais mantidas pelo Republicanos, especialmente na Paraíba.
O deputado citou diretamente o alinhamento político do partido com o governador João Azevêdo (PSB) e com o vice-governador Lucas Ribeiro (PP), indicando que a construção de um eventual palanque presidencial passará, necessariamente, por um entendimento com esses grupos. O objetivo, segundo Motta, é a formulação de um projeto político que atenda às necessidades do estado, o que inclui investimentos, parcerias administrativas e apoio institucional do governo federal.
Veto de Lula ao projeto sobre atos golpistas também entra no debate
Durante o mesmo evento, Hugo Motta também comentou o veto do presidente Lula ao Projeto de Lei da dosimetria das penas, que tratava da punição aplicada aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. O tema teve grande repercussão política ao longo de 2025 e dividiu opiniões no Congresso e na sociedade.
O presidente da Câmara avaliou que o assunto agora entra em uma nova etapa institucional. Com o veto presidencial formalizado, caberá ao Congresso Nacional analisar se mantém ou derruba a decisão do Executivo. Motta destacou que a proposta aprovada anteriormente havia passado por amplo processo de diálogo e obtido votação expressiva na Câmara, o que demonstra a relevância política do tema.
A manifestação reforça o ambiente de tensão controlada entre os Poderes, no qual o Executivo exerce sua prerrogativa de vetar matérias e o Legislativo mantém o direito constitucional de revisá-las.
Congresso poderá decidir sobre manutenção ou derrubada do veto
A análise do veto presidencial será feita em sessão do Congresso Nacional. Para que um veto seja derrubado, é necessário o apoio mínimo de 257 deputados federais e 41 senadores, em votação conjunta. Caso esses números não sejam alcançados, o veto é mantido, e o trecho vetado não entra em vigor.
“Vejo isso com muita tranquilidade. Esse é um assunto que acabou dividindo o Brasil durante todo o ano de 2025. A proposta votada na Câmara dos Deputados foi bastante dialogada e teve quase 300 votos. Agora, respeitando o direito e a prerrogativa do presidente de vetar as matérias aprovadas pelo Congresso, o Congresso irá também, na sua prerrogativa, analisar o veto do presidente”, concluiu Motta.
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