Haddad condiciona decisão eleitoral de 2026 a conversa direta com Lula e amplia críticas à oposição
Ministro da Fazenda fala em amizade, soberania nacional e questiona leituras do mercado sobre contas públicas
Ricardo Stuckert/PR
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou, nesta segunda-feira (19), que qualquer decisão sobre seu papel nas eleições de 2026 será tomada em diálogo direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao portal UOL, Haddad disse que o tema será tratado como uma “conversa de dois amigos” e reforçou que não age por imposição política, mesmo diante de pressões internas para disputar cargos eletivos relevantes no próximo pleito.
Segundo o ministro, embora seu nome seja citado tanto para uma eventual candidatura ao Senado quanto ao governo de São Paulo, ele tem resistido às articulações e destacou que já contrariou pedidos de Lula em outras ocasiões. Em outro episódio relatado, Haddad lembrou que o presidente insistiu para que ele concorresse durante uma viagem oficial à França.
“O Lula fez tudo que foi possível pra eu sair candidato a prefeito em 2020, e eu não saí”, afirmou. “Quando ele ganhou o título de cidadão parisiense, ele me convidou para acompanhá-lo, e ele a viagem toda ficou pedindo para eu ser candidato, e eu não fui”, completou o ministro.
Saída do Ministério da Fazenda e sucessão
Fernando Haddad também abordou a possibilidade de deixar o comando do Ministério da Fazenda antes do prazo legal de desincompatibilização, que ocorre em abril do ano eleitoral. O ministro afirmou que considera importante que um eventual sucessor assuma o cargo ainda no início do ano, garantindo continuidade à execução orçamentária e financeira.
Nos bastidores do governo, o nome do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, é apontado como favorito para assumir a pasta, caso Haddad decida se afastar. O ministro, no entanto, evitou cravar datas e reforçou que qualquer definição será feita com cautela.
Nova ordem mundial e protagonismo de Lula
Durante a entrevista, Haddad também saiu em defesa do presidente no debate sobre política internacional. Para o ministro, Lula tem capacidade singular de posicionar o Brasil diante da nova ordem mundial, algo que, segundo ele, a oposição não conseguiria fazer.
“O Lula é meio insubstituível, porque eu vejo os adversários dele, são muito acanhadinhos, não tem uma visão do que está acontecendo no mundo. É aquela velha agenda, vender estatal e congelar salário mínimo”, declarou.
Haddad afirmou que o governo federal tem adotado uma estratégia de diversificação de parcerias, mantendo relações comerciais com Ásia, Europa e Estados Unidos, ao mesmo tempo em que preserva a soberania nacional. Ele destacou ainda o papel do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na recomposição das reservas internacionais.
“O Lula está muito preocupado com a questão do multilateralismo e está fazendo com que o Brasil não seja anexado, nem mentalmente, a nenhum bloco. Soberania então vai ser ponto fundamental da campanha”, disse.
Críticas à oposição e defesa de órgãos de Estado
Em tom mais duro, o ministro da Fazenda criticou ataques a instituições públicas e alertou a população para discursos que buscam enfraquecer órgãos de Estado. Ao comentar declarações de parlamentares contra a atuação de autoridades federais, Haddad foi direto.
“A Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público são órgãos de Estado, eles não servem ao governo, servem ao país. Se você quer ouvir um deputado bandidinho falando besteira na internet para enfraquecer a Polícia Federal, vai cometer um erro contra você”, pontuou o petista.
Haddad também rejeitou propostas de taxação de transações financeiras, como defendido anteriormente pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes, citando debates recentes envolvendo o sistema de pagamentos instantâneos Pix.
Contas públicas e críticas ao mercado financeiro
Outro ponto central da entrevista foi a defesa da política fiscal do governo Lula. Haddad afirmou que há falta de honestidade tanto por parte da oposição quanto do mercado financeiro ao analisar os números das contas públicas.
“Está faltando um pouco de honestidade com o número. Uma coisa é a sua percepção, é a sua ideologia, a sua visão de mundo. A outra coisa, muito diferente, é número”, afirmou.
O ministro reiterou que o déficit fiscal foi reduzido em cerca de 70% em relação ao cenário herdado do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sustentou que o principal problema da dívida pública brasileira está nos juros reais elevados, e não no resultado primário.
“Arrumar as contas não é só cortar, é também arrumar recursos para aquilo que estava estrangulado”, completou.
Economia e eleições
Ao tratar do impacto da economia no processo eleitoral, Haddad avaliou que o desempenho econômico é uma condição necessária, mas não suficiente para garantir vitórias nas urnas. Como exemplo, citou o cenário internacional.
“Eu não disse que a economia não é importante, eu disse que ela é uma condição necessária, mas eventualmente não suficiente para ganhar a eleição. O Biden perdeu a eleição com a economia melhor do que na época do Trump, do Trump 1”, afirmou, em referência ao ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
Por fim, Haddad ressaltou que o Brasil recuperou o poder de compra do salário mínimo, em linha com políticas adotadas em governos anteriores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo ele, a reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional deve contribuir para a redução dos preços dos alimentos, fortalecendo o consumo e a renda das famílias.
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