Galípolo e cúpula do Banco Central se reúnem com presidente do TCU após impasse sobre Banco Master
Encontro em Brasília ocorre sob pressão política e judicial e pode definir os limites da fiscalização sobre a autoridade monetária
Rovena Rosa/Agência Brasil
O sistema financeiro nacional e os órgãos de controle do Estado vivem um momento de tensão institucional. O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, receberá, na próxima segunda-feira (12), o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo Filho, para tratar da polêmica liquidação extrajudicial do Banco Master.
O encontro, agendado para as 14h, na sede da autoridade monetária, em Brasília, ocorre em um cenário de forte pressão política e judicial. O objetivo principal é alinhar a fiscalização do TCU sobre a medida extrema tomada pelo BC contra o banco de Daniel Vorcaro.
Embate entre Banco Central e TCU
A crise escalou após o Banco Central decretar, em novembro do ano passado, a liquidação extrajudicial do Banco Master por considerá-lo irrecuperável. A medida foi contestada internamente no TCU pelo ministro Jhonatan de Jesus, que classificou a ação como “extrema” e “precipitada”, chegando a determinar uma inspeção in loco com “máxima urgência” no Banco Central.
Embora tenha recuado da inspeção monocrática após repercussão negativa, o ministro Jhonatan encaminhou o debate para o plenário da Corte, previsto para 21 de fevereiro. Especialistas ouvidos pelo mercado e técnicos do próprio TCU alertam para o risco de interferência indevida. A Constituição confere ao Banco Central a autonomia para gerir o sistema financeiro e uma eventual tentativa do TCU de reverter a liquidação poderia criar um precedente perigoso de insegurança jurídica.
Em entrevista recente ao SBTNews, Vital do Rêgo tentou baixar a temperatura do conflito. Ele afirmou que não cabe ao TCU reverter a liquidação, mas defendeu a competência do tribunal para fiscalizar se o rito administrativo do BC foi seguido corretamente.
“Eu vejo esse processo terminar rapidamente no Tribunal”, adiantou o ministro.
Imbróglio político: conexões de Daniel Vorcaro
A investigação sobre o Banco Master não se restringe a números contábeis. O caso transformou-se em um escândalo político que atinge diversas esferas do poder. O dono da instituição, Daniel Vorcaro, atualmente preso, construiu uma rede de influência que inclui:
- Políticos de peso: Aproximação com Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil).
- Consultoria de Luxo: Banco contratou nomes como Ricardo Lewandowski (no intervalo entre o STF e o Ministério da Justiça), Henrique Meirelles e Gustavo Loyola (ex-presidentes do BC), além de Guido Mantega.
- Judiciário: Instituição pagava cerca de R$ 3,6 milhões mensais ao escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes (STF) para defesa de interesses.
- Influência Empresarial: Vorcaro financiou eventos de grupos como Esfera Brasil e Lide, consolidando trânsito entre empresários e autoridades do governo federal.
- Articulação com Michel Temer: Ex-presidente foi acionado para tentar destravar um negócio entre o Master e o BRB (Banco de Brasília), que havia sido barrado pelo Banco Central.
O que significa a liquidação para o sistema financeiro?
A liquidação extrajudicial é a “pena de morte” para uma instituição financeira. Ela é adotada quando o Banco Central identifica que não há mais condições de o banco honrar seus compromissos ou quando há fraudes que comprometem a integridade do sistema. Na prática:
- Paralisação total: As atividades bancárias são interrompidas imediatamente.
- Indisponibilidade de bens: Os bens dos controladores e administradores ficam bloqueados.
- Saída do mercado: A instituição deixa de existir formalmente no sistema financeiro nacional.
Papel de Galípolo no olho do furacão
Para Gabriel Galípolo, a reunião de segunda-feira é um teste de fogo em sua gestão. Ele precisa demonstrar que a decisão técnica de liquidar o Master foi baseada em dados robustos da fiscalização do BC, protegendo a instituição contra a narrativa de perseguição política. Ao mesmo tempo, ele deve abrir as portas para o TCU sem permitir que a autonomia da autoridade monetária seja violada.
A comitiva do TCU no encontro reforça a seriedade da inspeção: estarão presentes a secretária geral de Controle Externo, Juliana Pontes, e a auditora chefe Maria Bethânia Lahoz. O resultado desse diálogo será determinante para a estabilidade do mercado financeiro e para definir os limites do controle externo sobre decisões de liquidação bancária.
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