Eleições 2026: Muniz nega convite a Angelo Coronel para PSDB, mas afirma que partido está aberto ao diálogo

Vereador diz que analisa cenário jurídico para tentar seguir na presidência da Câmara Municipal de Salvador


Eleições 2026: Muniz nega convite a Angelo Coronel para PSDB, mas afirma que partido está aberto ao diálogo - Reginaldo Ipê
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O presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), afirmou durante a Lavagem do Bonfim, nesta quinta-feira (15), que o partido acompanha os movimentos da oposição para 2026 e não descarta novos rearranjos políticos na Bahia. A fala ocorre em meio às discussões sobre a formação da chapa “puro sangue” ou “puro ex-governadores” liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), senador Jaques Wagner (PT-BA) e ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), o que pode deixar o senador senador Angelo Coronel (PSD) fora da disputa ao Senado.

Com esse cenário, siglas fora da base governista passam a ser cogitadas como alternativas e o PSDB de Salvador surge como uma das legendas observadas, evidenciando o uso da festa também como espaço de leitura do quadro eleitoral. No entanto, o tucano descartou que tenha havido qualquer convite a Coronel para entrar no partido.

Possibilidade de novas filiações ao PSDB

Questionado sobre a eventual filiação do senador Angelo Coronel ao PSDB, Carlos Muniz afirmou que não há, até o momento, tratativas internas sobre o tema. Ainda assim, sinalizou que o partido mantém abertura para diálogos futuros.

“Na realidade, eu acho difícil. Nunca tivemos esse tipo de conversa dentro do PSDB, mas, se for algo que queira se realizar, tenho certeza que o PSDB estará de portas abertas”, declarou o tucano.

Candidatura será definida após Carnaval

Durante a caminhada, o presidente da Câmara também falou sobre seus próprios planos políticos. De acordo com Muniz, a definição sobre uma possível candidatura será tratada somente após o Carnaval, quando pretende intensificar as articulações.

“Na realidade, é uma candidatura que vamos começar a trabalhar depois do Carnaval. Pode ter certeza que depois do Carnaval, sim, vai estar a todo vapor e espero que possa realizar esse sonho”, disse.

Possibilidade de seguir na presidência da Câmara

Carlos Muniz afirmou que avalia a possibilidade de disputar novamente o comando do Legislativo da capital baiana. Durante a Lavagem do Bonfim, ele disse que já iniciou consultas jurídicas para verificar a legalidade de uma eventual candidatura à reeleição e indicou que, em um primeiro momento, não haveria impedimento.

“Na realidade temos que consultar. As primeiras consultas dizem que eu posso ser o candidato e se eu puder ser, pode ter certeza que irei ser”, declarou o tucano.

Segundo o vereador, a intenção de permanecer na presidência está ligada ao balanço administrativo da atual gestão. Ele citou como principal argumento a devolução de quase R$ 55 milhões aos cofres da Prefeitura, valor classificado por ele como recorde na história da Câmara.

“Administrativamente, foi feito algo que nunca foi feito na Câmara, nunca houve uma devolução financeira como houve esse ano, quase R$ 55 milhões de devolução. É sinal que nós tratamos do dinheiro público com respeito e pode ter certeza que por isso irei querer, sim, mais uma vez ser presidente”, afirmou.

STF e reeleição no comando do Legislativo

O tema da reeleição no Legislativo municipal ocorre sob a sombra de decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2022, a Corte impediu a recondução do então presidente da Câmara de Salvador, Geraldo Júnior (MDB), ao entender que uma terceira eleição consecutiva feria a Constituição Federal, que proíbe reeleições sucessivas ilimitadas para cargos da Mesa Diretora. A decisão também se apoiou na Lei Orgânica do Município e no Regimento Interno da Câmara, que autorizam apenas uma recondução consecutiva.

No ano passado, o STF adotou entendimento semelhante ao afastar Adolfo Menezes (PSD) da presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Na ocasião, o ministro Gilmar Mendes reforçou que a Corte já havia vedado a recondução ilimitada de dirigentes do Legislativo, embora a decisão tenha se restringido às Assembleias Legislativas estaduais.

Mesmo diante desse histórico, Muniz afirmou que seguirá avaliando o cenário jurídico e político antes de avançar com qualquer definição.

“As primeiras consultas dizem que eu posso ser o candidato. E se eu puder ser, pode ter certeza que irei ser. É um sonho que eu realizei”, pontuou o tucano.

Gestão financeira e devolução de recursos

O vereador destacou como um dos principais marcos de sua gestão a devolução recorde de recursos ao Executivo municipal. Em dezembro de 2025, a CMS repassou R$ 54,9 milhões à Prefeitura de Salvador, valor economizado ao longo do exercício financeiro.

O montante foi entregue durante reunião com o prefeito Bruno Reis (União Brasil), no Palácio Thomé de Souza, e corresponde ao duodécimo da Câmara. A prática, segundo Muniz, é resultado de um controle rigoroso de gastos e de planejamento administrativo.

Impacto no orçamento municipal

O prefeito Bruno Reis afirmou que a devolução foi a maior já realizada pela Câmara de Salvador e ressaltou que os recursos ampliam a capacidade de investimento do município em áreas como educação, saúde e assistência social. Sob a presidência de Carlos Muniz, a Câmara também aprovou pautas estratégicas no fim de 2025, como o Plano Plurianual (PPA) 2026–2029 e a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, que prevê cerca de R$ 15 bilhões em receitas. As matérias reforçam o papel institucional da Casa na organização financeira e administrativa do município.

Bonfim como espaço de leitura política

A Lavagem do Bonfim historicamente reúne fé, cultura e política, consolidando-se como um dos principais eventos públicos do calendário baiano. Além do caráter religioso, o cortejo é tradicionalmente acompanhado por lideranças políticas que utilizam o momento para circular, dialogar e observar a reação popular.

Segundo Carlos Muniz, esse contato direto com a população permite uma leitura mais precisa do cenário político, especialmente em períodos pré-eleitorais, quando gestos, aplausos e reações ganham peso simbólico.

Raiane Veríssimo

Raiane Veríssimo

Raiane Veríssimo, jornalista mineira, com 22 anos de experiência. Especialista em comunicação e mídias sociais, com atuação em jornal, site, rádio, TV e campanhas políticas estaduais e nacionais.

Franciano Gomes

Franciano Gomes

Comunicador e autor de projetos culturais e audiovisuais, com atuação em jornalismo, pesquisa documental e desenvolvimento de narrativas voltadas à valorização da cultura brasileira.

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