Cármen Lúcia dá voto final e STF mantém prisão preventiva de Bolsonaro por unanimidade
Decisão da Primeira Turma consolida entendimento de que ex-presidente violou medidas impostas pelo Supremo
Luiz Silveira/STF
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por unanimidade, a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada no último sábado (22) pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. A análise ocorreu no plenário virtual, sistema eletrônico em que os ministros registram seus votos na manhã desta segunda-feira (24). Bolsonaro está detido desde sábado em uma sala especial da Superintendência da Polícia Federal (Polícia Federal – PF), em Brasília, depois de a PF ter apontado risco de fuga e violação da tornozeleira eletrônica.
A ministra Cármen Lúcia, última a votar, acompanhou integralmente o relator, sem apresentar voto escrito. Os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino também seguiram o mesmo posicionamento. Com a migração de Luiz Fux para a Segunda Turma, o colegiado está funcionando com quatro ministros e, portanto, o placar de 4 a 0 configurou unanimidade.
Por que prisão foi mantida: fundamentos do relator
Em seu voto, Alexandre de Moraes afirmou que o próprio Bolsonaro teria confessado, na audiência de custódia, “que inutilizou a tornozeleira eletrônica, com cometimento de falta grave, ostensivo descumprimento da medida cautelar e patente desrespeito à Justiça”. O ministro destacou ainda que o ex-presidente é “reiterante no descumprimento das diversas medidas cautelares impostas”, evidenciando risco concreto de novas violações.
Flávio Dino reforça risco de reiteração e tumulto social
O ministro Flávio Dino (PSB-MA) votou no mesmo sentido, ressaltando que “o próprio condenado, de maneira reiterada e pública, manifestou que jamais se submeteria à prisão, o que revela postura de afronta deliberada à autoridade do Poder Judiciário”. Ele também alertou que “grupos mobilizados em torno do condenado […] podem repetir condutas similares às ocorridas em 8 de janeiro”, em referência aos ataques às sedes dos Três Poderes.
Dois elementos-chave para conversão da prisão
Segundo Moraes, a decisão se baseou em dois fatos considerados gravíssimos:
- violação da tornozeleira eletrônica, registrada na madrugada de sábado;
- mobilização de apoiadores, inclusive convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para vigília em frente à casa onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar — movimento entendido como tentativa de dificultar a fiscalização e possibilitar fuga.
Versão da defesa: surto causado por medicação psiquiátrica
Na audiência de custódia, Bolsonaro afirmou ter tido um “surto” provocado pela interação de medicamentos como pregabalina e sertralina, usados em tratamentos psiquiátricos. O ex-presidente alegou que sofre de sono fragmentado e que mexeu na tornozeleira por curiosidade, utilizando um ferro de solda “porque tem curso de operação desse tipo de equipamento”.
Os advogados Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser afirmam que “não houve tentativa de fuga” e o comportamento do ex-presidente seria explicado por um quadro confusional.A defesa pede prisão domiciliar humanitária, alegando “estado de saúde delicado”.
“Nada, na ação descrita nos documentos produzidos pela SEAP (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária), narra uma tentativa de fuga […] Muito pelo contrário, expõe um comportamento ilógico e que pode ser explicado pelo possível quadro de confusão mental causado pelos medicamentos”, argumentou a defesa do ex-presidente.
Situação do processo da trama golpista
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar organização criminosa destinada à tentativa de ruptura da ordem constitucional. Os primeiros embargos de declaração já foram rejeitados pela Primeira Turma. Nesta segunda-feira (24), vence o prazo para novos embargos.
Embargos infringentes não são possíveis
Esse tipo de recurso só existe quando há pelo menos dois votos pela absolvição, o que não ocorreu.
Após os julgamentos finais:
- o processo transita em julgado;
- inicia-se a execução penal, com definição do local onde Bolsonaro cumprirá pena — decisão de Moraes.
O que acontece agora
Com a decisão unânime, Bolsonaro permanece em prisão preventiva, que:
- não tem prazo definido;
- deve ser reavaliada a cada 90 dias;
- continua válida enquanto houver risco de fuga, ameaça à ordem pública ou descumprimento de medidas.
Próximo passo: início do cumprimento da pena
Quando o processo transitar em julgado nos próximos dias, a prisão preventiva será substituída pela execução da pena definitiva. Assim, Bolsonaro não deverá voltar para casa durante os recursos e deverá iniciar o cumprimento em regime fechado, salvo decisão excepcional.
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